quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Recordação de uma aula de Zeca Afonso

[Esta é uma recordação de uma aula do Zeca Afonso, registada por um dos seus alunos. Está no sítio da Associação José Afonso. AZ]


Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal
Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política. Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:
- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em
pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia.
Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.
- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas.
Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria.
Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar.
Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei.
Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas.
Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.
Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chamava-se José Afonso.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ler Ayn Rand

Ayn Rand foi uma escritora, filósofa, ensaísta norte-americana de origem judaico-russa. As suas ideias inspiraram a criação do Partido Libertário Americano. Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal americana, foi seu discípulo (aparente contra-senso...). Deixo aqui uma reflexão sua:

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negoceia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

Prémio Nobel da Física em 2012...Governo promete

[Mais um momento Zen...Rindo um pouco de toda esta loucura em que procuram enredar-nos...Também corre nas redes sociais. AZ]

Prémio Nobel da Física
Ao que consta, este ano Portugal será um forte candidato ao prémio da Nobel da Física…
Depois da descoberta do átomo, do neutrão, do protão e do electrão, acabou de ser descoberto o “pelintrão”.
E como se caracteriza o “pelintrão”?
Sempre o humor crítico de Rafael
Bordalo Pinheiro
O “pelintrão” é um tuga, sem massa e sem energia, mas que suporta qualquer carga!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Na Ilha da Ma(ma)deira

[Momento Zen...Mais uma mensagem que corre nas redes sociais, aqui deixo só para não esquecermos...AZ]

Na Ilha da Ma(ma)deira

(território que reivindica [?] o direito à independência
MAS QUE NUNCA MAIS RESOLVE EXERCÊ-LO:
seria um descanso para quem o sustenta!)

... curioso como neste País não existe incompatibilidades ... tudo é permitido..... a promiscuidade na função pública é mais nojenta que nos bordeis ....

... como alterar isto ? ...... que entidade superior pode acabar com o compadrio? ....... Quem estará a votar nesta gente? ..... só pode ser a clientela ....

Veja a lista da Direitalha VIP, o verdadeiro motor do enriquecimento da Madeira, e tire as suas conclusões...
Alberto João Jardim- Presidente do Governo RegionalAndreia Jardim - (filha)- Chefe de gabinete do vice-presidente do Governo RegionalJoão Cunha e Silva- vice-presidente do governo RegionalFilipa Cunha e Silva- (mulher) - é assessora na Secretaria Regional do Plano e FinançasMaurício Pereira (filho de Carlos Pereira, presidente do Marítimo) assessor da assessoraNuno Teixeira (filho de Gilberto Teixeira, ex. conselheiro da Secretaria Regional) é assessor do assessor da assessoraBrazão de Castro- Secretário regional dos Recursos Humanos Patrícia- (filha 1) - Serviços de Segurança SocialRaquel - (filha 2) - Serviços de TurismoConceição Estudante- Secretária regional do Turismo e TransportesCarlos Estudante- (marido) - Presidente do Instituto de Gestão de Fundos ComunitáriosSara Relvas- (filha) - Directora Regional da Formação ProfissionalFrancisco Fernandes- Secretário regional da EducaçãoSidónio Fernandes- (irmão) - Presidente do Conselho de administração do Instituto do EmpregoMulher - Directora do pavilhão de Basket do qual o marido é dirigenteJaime Ramos- Líder parlamentar do PSD/MadeiraJaime Filipe Ramos- (filho) - vice-presidente do paiVergílio Pereira- Ex. Presidente da C.M.FunchalBruno Pereira- (filho) - vice-presidente da C.M.Funchal, depois de ter sido director-geral do Governo Regional.Cláudia Pereira- (nora) - Trabalha na ANAM empresa que gere os aeroportos da MadeiraCarlos Catanho José - Presidente do Instituto do Desporto da Região Autónoma da MadeiraLeonardo Catanho- (irmão) - Director Regional de Informática (não sabia que havia este cargo)João Dantas- Presidente da Assembleia Municipal do Funchal, administrador da Electricidade da Madeira e ex. presidente da C.M.FunchalPatrícia Dantas de Caires- (filha) - presidente do Centro de Empresas e Inovação da Madeira.Raul Caires- (genro e marido da Patrícia) - presidente da Madeira TecnopóloLuís Dantas - (irmão) - chefe de Gabinete de Alberto João JardimCristina Dantas- (filha de Luís Dantas) - Directora dos serviços Jurídicos da Electricidade da Madeira (em que o tio João Dantas é administrador)João Freitas, (marido de Cristina Dantas) - director da Loja do Cidadão...e a lista continua.
Refrão da canção de Sérgio Godinho
Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego

Há tantos burros mandando
em homens de inteligência,
que às vezes fico pensando,
se a burrice não será uma ciência. '' António Aleixo''

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Convém recordar...

[Mais um momento Zen...Trata-se de mais uma mensagem que circula nas redes sociais e que convém recordar... AZ]

Convém recordar: António Lobo Xavier
Administrador não executivo da Sonaecom, daMota-Engil e do BPI, António Lobo Xavier auferiu83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, o advogado ganhou, por reunião, mais de3700 euros.
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Estes é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
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Sábado, 30 de Julho de 2011

Convém recordar: José Pedro Aguiar-Branco
O ex-vice presidente do PSD José Pedro Aguiar-Brancoe agora ministro da defesa é outro dos "campeões" dos cargos nas cotadas nacionais. O advogado é presidente da mesa daSemapa (que não divulga o salário do advogado), da Portucel e daImpresa, entre vários outros cargos. Por duas AG em2009, Aguiar-Branco recebeu 8 080 euros, ou seja,4 040 por reunião.
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Estes é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
E agora é Ministro da Defesa.
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Convém recordar: António Nogueira Leite
Segue-se António Nogueira Leite, que é administrador não executivo naBrisa, EDP Renováveis e Reditus, entre outros cargos. O economista recebeu193 mil euros, estando presente em 36 encontros destas companhias. O que corresponde a mais de5 300 euros por reunião.
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Estes é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Convém recordar: João Vieira Castro
O segundo mais bem pago por reunião é João Vieira Castro (na infografia, a ordem é pelo total de salário). O advogado recebeu, em2009, 45 mil euros por apenas quatro reuniões, já que é presidente da mesa da assembleia geral do BPI, daJerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria.
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Convém recordar: Daniel Proença de Carvalho
Proença de Carvalho é o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. O advogado é presidente do conselho de administração daZon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral daCGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de30 empresas. Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu252 mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em2009, 15,8 mil euros por reunião.
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Estes é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
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Terça-feira, 26 de Julho de 2011

Convém recordar: Gestores não executivos recebem 7 400 euros por reunião!!!
Embora não desempenhem cargos de gestão, administradores são bem pagos.
Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI--20, os administradores não executivos - ou seja, sem funções de gestão - receberam7427 euros. Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009.Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco,António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.
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Estes são alguns dos indivíduos que vão rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...

POR ESTAS E POR OUTRAS ESTE " SÍTIO " NUNCA MAIS É UM PAÍS.

Vencimentos com valores médios em termos de carreira...

G.N.R...............€ 800,00 - Para arriscar a vida.

Bombeiro...........€ 960,00 - Para salvar vidas.

Professor...........€ 930,00 - Para preparar para a vida.

Médico...........€ 2.260,00 - Para manter a vida.

Deputado...... € 6.700,00 - Para nos lixar a vida.

Cá vai um importante contributo, que o Ministro das Finanças não continue a fazer de nós parvos, dizendo com ar sonso que não sabe em que mais cortar.

Acabou o recreio e o receio!

Este e-mail vai circular hoje e será lido por centenas de milhares de pessoas. A guerra contra a chulisse, está a começar. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos! Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para mudar o rumo deste abuso.

Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] de Portugal falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar.

Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.

2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.

7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;.

10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.

14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA.

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.

17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.

19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.

20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.

22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).

23. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado.

24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".

25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;

26. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".

27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.

28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.

30. Pôr os Bancos a pagar impostos.


POR TODOS NÓS E PELOS NOSSOS FILHOS.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Nos tempos em que se ensinava a poupar...

[Momento Zen...]

 NÃO TARDA MUITO QUE A HISTÓRIA SE REPITA...


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Salazar...

NOS TEMPOS EM QUE SE ENSINAVA A POUPAR


“Senhor Presidente, hoje não apanhei o eléctrico; vim a correr atrás dele e poupei oito tostões"
– disse o funcionário público, um contínuo, a querer agradar a Oliveira Salazar.

Respondeu Salazar de imediato: "Fez bem, mas se viesse atrás de um táxi teria feito melhor, porque poupava vinte escudos e chegava mais cedo".

      
      

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

João Domingos Bomtempo

Mas que não fiquemos com a ideia errada de que não tivemos os nossos génios da música e temos alguns poucos na actualidade. Autêntico milagre num país onde ainda hoje é interdito pensar e criar..."Interdito", não no sentido de imposto por lei, (na realidade é uma lei escôndita), mas porque quem é autêntico, quem pensa por si, e não enlouquece nesse processo, é severamente esmagado na sociedade portuguesa actual. Julgo que quem vive em Portugal poderá compreender o que digo, quem vive fora do país dificilmente terá alguma percepção deste fenómeno.
Mas gostaria de lembrar aqui João Domingos Bomtempo, um génio que tivemos a felicidade de ter nascido entre nós (embora filho de pai italiano músico). Foi Domingos Bomtempo o autor das primeiras sinfonias lusas (ou portuguesas, se recordarmos o conflito que referi em mensagem anterior). Depois de Giuseppe Verdi, convido os meus leitores a ouvirem este excerto da Sinfonia nº 2 e o excerto da sua obra maior, o Requiem de Camões.
Mas também tivemos Fernando Lopes-Graça (ouçam este excerto da História Trágico-Marítima), ou Joly Braga Santos (Virtue Lusitanae), enfim, tantos outros...
Com este simples convite blogoesférico, permitam-me que aqui recorde um distinto filósofo Inglês, Jacob Bronowsky. Ele chamou à nossa atenção que a distância entre o poder e o povo, entre o conhecimento e o povo, conduz ao fim da civilização. Que todos tenhamos presente nos nossos espíritos que uma civilização é mantida desde que seja assegurado: o auto-conhecimento, a consciência de si próprio, enquanto ser (being); tenhamos acesso à experiências das artes e à explicação das ciências (que apesar de ter aberto a Caixa de Pandora não pode ser responsabilizada pelo mau uso dados por alguns humanos)...

Abrãao Zacuto.

Portal do Licenciamento

Para todos aqueles que querem iniciar algum empreendimento, aconselho vivamente a consultar este portal, o portal do licenciamento. Se precisa de saber se pode servir sopas na sua pastelaria, refeições num café, quais os procedeimentos para abrir um restaurante...Consulte esse portal.

domingo, 18 de setembro de 2011

"Va, pensiero, sull'alli dorate"

[Deixo aqui este texto que circula nas redes sociais. Infelizmente não sei quem é o autor. Va, pensiere, sull'alli dorate, marca o início do coro dos Escravos Hebreus no terceiro acto da ópera Nabucco de Giuseppe Verdi. Esta parte coral transformou-se no hino patriótico para aqueles italianos que se batiam pela unificação da Itália e pela sua libertação do domínio estrangeiro. Leia sobre e ouça o Coro. AZ]
DESEJARIA QUE ESTE MOMENTO ÚNICO QUE RICCARDO MUTTI CONSEGUIU NA ÓPERA DE ROMA NÃO TIVESSE SIDO UM EPISÓDIO LOCAL MAS ALGO MAIS VASTO QUE VIESSE CONFIRMAR A FORÇA AGLUTINADORA DA MÚSICA EM TORNO DE CAUSAS JUSTAS:

A LIBERDADE, A JUSTIÇA, A PAZ, A SOLIDARIEDADE, O TRABALHO E A REMUNERAÇÃO CONDIGNA!
VA PENSIERO apenas para os que defendem e amam a LIBERDADE ...Um momento intenso e de emoção para os apaixonados pela liberdade.

No último dia 12 de março a Itália festejava os 150 anos de sua criação, ocasião em que a Ópera de Roma apresentou a ópera Nabuco de Verdi, símbolo da unificação do país, que invocava a escravidão dos Judeus na Babilônia, uma obra não só musical mas também, política à época em que a Itália estava sujeita ao império dos Habsburgos (1840).
Sylvio Berlusconi assistia, pessoalmente, à apresentação, que era dirigida pelo maestro Ricardo Mutti.
Antes da apresentação o prefeito de Roma, Gianni Alemanno - ex-ministro do governo Berlusconi, discursou, protestando contra os cortes nas verbas da cultura, o que contribuiu para politizar o evento.
Como Mutti declararia ao TIME, houve, já de início, uma incomum ovação, clima que se transformou numa verdadeira "noite de revolução" quando sentiu uma atmosfera de tensão ao se iniciar os acordes do coral "Va pensiero" o famoso hino contra a dominação.
Há situações que não se pode descrever, mas apenas sentir; o silêncio absoluto do público, na expectativa do hino; clima que setransforma em fervor aos primeiros acordes do mesmo. A reação visceral do público quando o côro entoa - "Ó minha pátria, tão bela e perdida Ao terminar o hino os aplausos da plateia interrompem a ópera e o público se manifesta com gritos de "bis", "viva Itália", "viva Verdi".
Das galerias são lançados papéis com mensagens políticas.
Não sendo usual dar bis durante uma ópera, e embora Mutti já o tenha feito uma vez em 1986, no teatro La Scala de Milão, o maestro hesitou pois, como ele depois disse: "não cabia um simples bis; havia de ter um propósito particular".
Dado que o público já havia revelado seu sentimento patriótico fez com que o maestro se voltasse no púlpito e encarasse o público, e com ele o próprio Berlusconi.
Fazendo-se silêncio, pronunciou-se da seguinte forma, e reagindo a um grito de "longa vida à Itália" disse RICCARDO MUTTI:
"Sim, longa vida à Itália mas... [aplausos].
Não tenho mais 30 anos e já vivi a minha vida, mas como um italiano que percorreu o mundo, tenho vergonha do que se passa no meu país. Portanto aquieço a vosso pedido de bis para o VaPensiero. Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti em todos, mas porque nesta noite, enquanto eu dirigia o côro que cantava "Ó meu pais, belo e perdido", eu pensava que a continuarmos assim mataremos a cultura sobre a qual assenta a história da Itália. Neste caso, nós, nossa pátria, será verdadeiramente "bela e perdida". [aplausos retumbantes, inclusive dos artistas da peça]
Reina aqui um "clima italiano"; eu, Mutti, me calei por longos anos.
Gostaria agora...nós deveriamos dar sentido a este canto; como estamos em nossa casa, o teatro da capital, e com um côro que cantou magnificamente e que é magnificamente acompanhado, se for de vosso agrado, proponho que todos se juntem a nós para cantarmos juntos."
Foi assim que Mutti convidou o público a cantar o Côro dos Escravos.

Pessoas se levantaram. Toda a ópera de Roma se levantou... O coral também se levantou. Foi um momento magnífico na ópera! Vê-se, também, o pranto dos artistas.
Aquela noite não foi apenas uma apresentação do Nabuco mas, sobretudo, uma declaração do teatro da capital dirigida aos políticos.
AGORA NÃO DEIXEM DE VER E OUVIR PELO LINK ABAIXO
http://www.youtube.com/embed/G_gmtO6JnRs




sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Bravo António Costa! Sabemos que podemos contar contigo!

[Pequenos momentos Zen...]

O ex-ministro da Administração Interna António Costa foi quem criou a Empresa de Meios Aéreos em 2007. Alegou ser "[...] instrumento fundamental na execução de uma estratégia de profunda reforma estrutural na política de segurança interna" (bonitas palavras...) Atribuiu à EMA, por decreto-lei, o direito exclusivo em missões públicas no âmbito do Ministério da Administração Interna. António Costa pretendia poupar dinheiro ao Estado e dispor de um instrumento de segurança interna eficaz. O Estado gastou em quatro anos 100 milhões de euros, sendo que apenas algumas missões foram requisitadas...António Costa agora defende-se, argumentando que desde de 2007 não acompanha a EMA, tentou que esse papel fosse desempenhado pela Força Aérea, mas que tal não foi possível...
Agora o governo de Passos Coelho extingue a EMA a atribuiu à Força Aérea essa importante missão.
Bravo António Costa! Lisboa sabe que pode contar contigo... Todos nós...Com tais credenciais, AC seguramente seguramente se tornará no mínimo um importante conselheiro do futuro Presidente da Répública Portuguesa! Estamos todos de parabéns!

-Abrãao Zacuto

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BCE explicado como se fosse às crianças

[Este texto circula nas redes sociais. Desconheço o autor, mas pelo interesse colectivo publico-o aqui.]

        BCE explicado como se fosse às crianças




QUE É O BCE?

- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.



E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?

- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuiram com 30%.


E É MUITO, ESSE DINHEIRO?

- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.


ENTãO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OUOUTRO DOS SEUS ACCIONISTAS.

- Não, não pode.


PORQUÊ?!

- Porquê? Porque... porque, bem.... são as regras.


ENTÃO, A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO?

- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.


AH PERCEBO, ENTãO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.

- Pois.


MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NãO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRECTAMENTE AO BCE?

- Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!


AGORA NãO PERCEBI!!..

- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.


MAS ISSO ASSIM É UM "NEGÓCIO DA CHINA"! SÓ PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO!

- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.


ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO... COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES, NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DENOS TIRAREM PARTE DO 13º MÊS.

As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito "especializada".


MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES?

- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.



ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?

- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6%, a 7 ou mais. De qualquer forma, é verdade que este mecanismo obriga sempre os cidadãos que pagam impostos a um esforço acrescido para pagarem a pornográfica percentagem dos bancos (na realidade é um imposto cobrado pelos bancos). Recorde-se que antes do Euro, os estado para pedirem dinheiro aos seus bancos centrais não tinham de pagar a nenhum outro banco privado, como têm agora no Euro.

MAS O QUE FAZEM OS BANCOS PRIVADOS PARA MERECER TANTO DINHEIRO? SÃO LUCROS DE MAIS DE 600%!!?


- Na realidade limitam-se a preencher uns papeis e a receber o dinheiro do BCE para o entregarem ao país que o solicitou seja Portugal, a Alemanha, ou outro.

ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!...

- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.


MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?

- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.


MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?

- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século para cá.

Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Como os governos se comprometeram a salvar os bancos e lhes permitem negociar muito mais dinheiro do que efectivamente lhes pertence, os bancos não arriscam nada. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.


E ONDE O FORAM BUSCAR?

- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...


MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?

- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's,uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.


E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?

- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Que políticas vergonhosas! Quando conseguiremos parar?!

Aqui, como na sofrida Argentina, a estratégia política é a mesma, sendo o povo anestesiado pelos media (TV, rádio, jornais). Vejam e meditem sobre o que se passou na Argentina e na semelhança dessas políticas com aquelas com que nos indignam os nossos governantes (sejam PS ou PSD). Vejam aqui.

Um pouco de arte por favor: Le Cirque Invisible

A vida enriquece com a fruição estética. Deliciem-se com o Le cirque Invisible, um circo contemporânoe fundado por Jean-Baptiste Thiérré e Victoria Chaplin, a filha de Charles Chaplin.
Convido-vos a ler esta revista e a deliciarem-se com este pequeno momento do circo.

domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre a Exploração Mineira em Portugal

Está provado que, quando certas condições são verificadas, a exploração mineira provê uma contribuição crucial para o desenvolvimento e enriquecimento de um país. No passado, foram essas condições que favoreceram o desenvolvimento das maiores economias do mundo, entre elas os Estados Unidos da América, o Canada e a Australia. A exploração mineira na região de Antofagasta, reduziu a pobreza nesta região do Chile em mais de 60%, no período entre 1990 e 2003. Em países pobres como o Gana e o Peru, a exploração mineira providenciou uma aceleração rápida para o crescimento.

Graças à denominada Facha Piritosa Ibérica, Portugal cobre uma das áreas mais ricas em minerais na Europa Ocidental. Já foi o maior produtor de cobre da União Europeia, berílio, ligas de ferro, estanho e tungsténio. As minas da Panasqueira foi o maior produtor de tungsténio do mundo. A indústria metalo-mecânica, refinarias e produtos químicos encontravam-se em 2002 entre as maiores indústrias do país.
Tungsténio, estanho e conglomerados de ferros,situam-se no norte, pirites de cobre no sul, antracite e linhite no centro do país.
     
As minas de Neves-Corvo (51% do capital é detido pelo governo, consta) tem a capacidade de 500,000 toneladas anuais de cobre e 5,000 toneladas anuais de estanho para os próximos 20 anos. s per year of tin, and a mine life of 20 years. Portugal produziu arsénico branco, manganesio, prata, uranio, "anhydrite, hydraulic cement, refractory clays, diatomite, feldspar, gypsum, kaolin, hydrated lime, quicklime, lepidolite (a lithium mineral), nitrogen, pyrite and pyrrhotite (including cuprous), rock salt, sand, soda ash, sodium sulfate, stone (basalt, dolomite, diorite, gabbro, granite, both crushed and ornamental, graywacke, calcite marl limestone, marble, ophite, quartz, quartzite, schist, slate, and syenite), sulfur, and talc" [cito este documento]. Na região de Évora temos mármore de grande valor, e novas e recentes descobertas mineralógicas prometem enriquecer a nossa produção.
Actividades de exploração de ouro continuam nas Minas de Jales.

A distribuição das minas pode ser vista no sítio do Laboratório Nacional de Energia e Geologia e na página Web da Avrupa Mining, que tem 7 explorações em Portugal. 

Tudo isto é muito promissor para o nosso futuro e a minha pergunta para os nossos governantes é esta: em que é que toda esta exploração reverte para o nosso desenvolvimento. Porque nada se fala destas actividades? Porque se empobrece a discussão sobre estes temas?

Abrão Zacuto.


       

sábado, 10 de setembro de 2011

Movimentos de sedição e governos no exílio

O mundo dos seres humanos não está petrificado. Vivam! Não deixa de impressionar o número de "movimentos de sedição" e governos no exílio, espalhados pelo planeta. Em Portugal temos um movimento fundado por Endobelis Ampilua e Maximiliano Herrera. Afinal, além da língua portuguesa, "nós" temos a língua lusitana...

Deixo-vos aqui o sítio com todos os movimentos conhecidos. Timor era um deles, mas já passou para os países oficialmente reconhecidos. Há aqui muita matéria para pensar, mas certamente que neste país muito poucos serão capazes de compreender o que tudo isto quererá dizer.

Lusitânia quer independência

Um texto sem autor, mas para refletir...Extraído do sítio http://www.mherrera.org/articles/17.htm
Aliás, estas nossas gentes já têm uma wikipedia própria, a leukkipedia! Vejam aqui.

LUSITANIA


Preâmbulo


Em Portugal existem muitas regiões étnico-culturais e povos nativos, mas nenhum deles é reconhecido oficialmente pelos governos ao serviço da oligarquia do Estado português. Portugal é hoje em pleno século XXI, o último país medieval e feudalista da Europa e o único país europeu sem regiões ou províncias oficiais no seu território europeu. Para a elite social (a oligarquia) portuguesa só 3% da população de Portugal e 4% do seu território insular (as ilhas) têm direito à autonomia e à liberdade, o resto da população do país são cidadãos de segunda classe sem direitos de facto. Um dos povos e das nações oprimidas de Portugal são os nativos Lusitanos, povo que vive essencialmente no interior da Lusitânia, ou como os portugueses costumam dizer, na região "centro" ou da "Beira". Mas por favor, não confunda o povo Lusitano com o povo português. Nós lusitanos apesar de termos a cidadania portuguesa não somos portugueses, somos apenas nativos lusitanos, e os portugueses não são lusitanos, são um povo mestiço neo-latino de origem romana e goda, e são estes a base das elites sociais e da oligarquia portuguesa. Os portugueses são menos de 5% da população total do país, enquanto nós lusitanos e os outros povos nativos de Portugal somos mais de 90%. Muitos lusitanos vivem dispersos por todo o Portugal e no estrangeiro, mas o berço dos Lusitanos continua a ser a região interior da Lusitânia (a Beira interior). A Lusitânia compreende 3 províncias históricas e 6 distritos. hoje em dia todo o povo Lusitano fala a língua dos conquistadores portuguêses, o português (dialecto beirão), a reconstruída língua lusitana (Leukantu) é apenas falada por menos de 100 pessoas. A Lusitânia embora não seja reconhecida oficialmente pela República Portuguesa, é um povo em busca desse reconhecimento e de autonomia política. Portugal é um país altamente centralizado, que vive numa bipolarização entre dois partidos corruptos que controlam e atrofiam a democracia portuguesa. O governo ultra-centralista de Lisboa não quer dar autonomia política às regiões nem às províncias portuguesas nem quer partilhar o poder regional com os povos nativos porque tem medo de perder os seus privilégios e negócios. Portugal é também o único país da Europa democrática que não permite a legalização de partidos regionais e locais no seu território. Há alguns partidos e grupos mas nenhum está legalizado, porque a oligarquia central portuguesa não o permite. Muitos grupos nascidos do emergente movimento nacionalista lusitano moderno estão à procura de autonomia para a Lusitânia porque o governo central esqueceu a sua região. Alguns grupos querem mesmo a independência total devido à intransigência do governo português.



Lusitânia

A Lusitânia literalmente significa a terra dos lusos, e é uma nação não independente ou sem o seu próprio Estado, sendo actualmente uma região de facto integrada na República Portuguesa, embora não seja reconhecida oficialmente como tal pelo Estado português que hoje domina, governa e ocupa o seu território. Muito embora os limites fronteiriços da região não estejam na actualidade rigorosamente estabelecidos e aceites pelo Estado português, principalmente as terras lusas do norte a sul do rio Douro e as terras lusas do sul a norte do rio Tejo (província do Ribatejo), a Lusitânia sempre conservou o seu núcleo central (Beira interior) mais ou menos homogéneo, que sempre conservou a base da sua raíz étnica, racial e cultural ao longo de milénios até aos nossos dias. À semelhança de outras nações europeias sem Estado mas reconhecidas oficialmente como regiões ou províncias pelo Estado dos respectivos países, o caso da Lusitânia é o mais grave e mesmo único dentro do panorama europeu. A Lusitânia é uma nação não reconhecida oficialmente como região de facto pelo último Estado feudalista e medieval da Europa, ela só tem equivalência com outros casos fora do continente europeu, que se registam particularmente em países sem tradição democrática, como é o Curdistão por exemplo que é uma nação e um povo não reconhecido pelo Estado turco e pelos governos militaristas da Turquia que dividiram a nação curda por várias províncias e denominam os curdos por turcos das montanhas, ou como o caso do Tibete por exemplo, uma nação hoje sem autonomia ocupada pela China e dividida em várias regiões chinesas e onde o uso do nome Tibete é proíbido pelas autoridades militares, ou também o caso da Cabília na Argélia, uma nação bérbere não reconhecida e dividida pelos militares argelinos em vários departamentos, casos destes não se registam na Europa civilizada à excepção de Portugal, onde a Nação Lusitana também é vítima da mesma política por parte do governo centralista português, mas uma parte da comunidade nativa lusitana consciente da sua verdadeira identidade étnica começou recentemente na Lusitânia a despertar o seu nacionalismo étnico-cultural, de forma a conseguir o seu reconhecimento oficial como nação e povo distinto por parte do país que ocupa hoje o seu território, Portugal.

A Lusitânia é uma da nações sem Estado da Europa, que compreende as províncias históricas da Beira Baixa, da Beira Alta e da Beira Litoral, hoje ela está dividida pelos distritos portugueses de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Ao diassistema étnico-cultural do lusitano também podem ser incluídos algumas terras, populações e territórios vizinhos, que no passado também faziam parte das Terras Lusas ou da Grande Lusitânia, mas que hoje desenvolveram uma identidade própria como é o caso do norte da região portuguesa do Alentejo, do norte da província portuguesa do Ribatejo, das Terras a norte do rio Douro, e do território ocidental da região espanhola da Extremadura.

A Lusitânia é a nação viva mais antiga da Europa, mais antiga mesmo que o país que ocupa o núcleo central do seu território, Portugal. Apesar de a Nação Lusitana não ter tido uma existência contínua, de ter perdido a sua independência há muito tempo e de não ser reconhecida oficialmente como uma região ou entidade administrativa própria pelo Estado que ocupa hoje o seu território, as suas fronteiras permaneceram sempre definidas e o seu povo foi sempre o único a habitar maioritariamente o seu território ao longo de milénios até hoje. Podemos afirmar com toda a segurança que a Nação Lusitana é mesmo uma das mais antigas da Europa e do Mundo, mesmo mais antiga que o País Basco ou Gales, mais antiga do que a Grécia, embora esta última como nação só se tenha afirmado nos tempos modernos porque na antiguidade estava dividida em cidades independentes.

A Lusitânia foi anexada por Portugal ao seu território no século XII, como então pretendia o primeiro rei português, a aristocracia calaico-portucalense e a Igreja de Roma. Depois de 400 anos sob domínio do Império romano, de 300 anos de repressão bárbaro-visigótica e de 300 anos sob dominação semito-muçulmana. Embora neste último período tivesse um certo grau de autonomia limitada, a Lusitânia perdeu de facto a sua independência no I século antes de Cristo após cerca de duzentos anos de lutas e guerras contra as legiões de mercenários romanos. Mas só no ano 16 antes de Cristo, e após a total pacificação e submissão da Lusitânia foi criada oficialmente a Província Romana da Lusitânia, que diga-se de passagem, cujo território não correspondia exactamente ao da Lusitânia étnica de então.
A Lusitânia é uma região com uma área mínima central de 27.000 km² dividida por seis distritos portugueses e uma população de cerca de 2.500.000 habitantes, muitos mais lusitanos vivem distribuídos em sua maior parte por outras regiões de Portugal. Seu nome provém do povo que habita a região, ou seja, os lusitanos, que são hoje a segunda mais numerosa etnia sem Estado da Europa. Os lusitanos são o povo nativo da região e não os portugueses, os lusitanos, um dos povos mais antigos da Europa, não são étnicos portugueses são sim étnicos nativos lusitanos, embora sejam obrigados a ter a cidadania portuguesa, só o povo mestiço neolatino português é étnico lusitano e portanto não nativo lusitano. São 2.500.000 lusitanos a viverem na região e mais 4 milhões de pessoas a viverem noutras regiões de Portugal e no estrangeiro, hoje na sua maioria os lusitanos são cristãos católicos que vivem em pequenos núcleos populacionais da nação lusitana, e falam na quase totalidade o idioma oficial português. Embora hoje haja um crescente interesse por parte do povo nativo Lusitano em aprender a antiga língua Lusitana reconstruída e em conhecer os cultos da antiga religião nativa. A capital histórica é Oxthrakai (Vila Velha de Ródão). Suas maiores cidades são Verurio (Viseu), Aeminio (Coimbra), Lankiobriga (Guarda), Leukastru (Castelo Branco), Alavario (Aveiro), Collipo (Leiria) e Tritio (Covilhã).
A Lusitânia geograficamente ocupa todo o centro de Portugal, costuma-se dizer que a Lusitânia é a coluna vertebral de Portugal. O seu limite a norte tem como fronteira natural o rio Douro e a histórica região da Calécia, nãção também não reconhecida pelo Estado português, a oeste tem o oceano Atlântico, a leste tem os antigos territórios da Lusitânia hoje integrados na região espanhola da Extremadura e a sul tem por fronteira natural o rio Tejo e politicamente a região do Alentejo, do ribatejo e da Estremadura. A Lusitânia possui um relevo acidentado, com o máximo nas montanhas da Beira interior, seu núcleo central, onde está a Serra da Estrela (Haraminia) com 2000 metros de altitude, na fronteira com a parte litoral que é mais suave cheia de rios e bosques. Há muitos vales no interior e planícies na parte sul.
O nome nativo da Lusitânia em língua lusitânica (ou leukantu) é Leukitanea, e significa "comunidade livre ou terra da luz". O nome em língua lusitânica (ou no idioma moderno lusitano) para Terras Lusas é Luirokitanea, que significa a "terra do homem livre", esta última designação refere-se principalmente aos territórios livres da Grande Lusitânia ou da Confederação dos Povos Lusitanos no passado histórico. Como a Lusitânia não é reconhecida oficialmente como uma região autonómica ou como uma entidade administrativa oficial pelo Governo centralista e pelo Estado português, alguns membros nacionalistas da comunidade nativa lusitana preferem o termo Nação Lusitana, ou Treba Leukuir em língua lusitânica, para designar as suas terras da região das Beiras, e em oposição à nação portuguesa.

Portugal visto do céu

Portugal, é um país pequeno e mal gerido desde tempos centenários. Dominado por uma vergonhosa oligarquia política que se auto-reproduz. Mas o território português tem grande beleza e luz (daí os romanos designarem esta região do seu império por Lusitânia). Vejam este pequeno Portugal de helicóptero. Aqui, nesta ligação.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A solução islandesa - Aprendamos com ela!...

A solução islandesa

por Eduardo Lucita [*]
Manifestação pelo referendo. A crise económica global, que se desenvolve desde meados de 2008, continua o seu curso inexorável. Nas últimas semanas assistimos a uma situação sem precedentes, não só pelo facto de os EUA estarem à beira do incumprimento, mas pela combinação desta situação com uma escalada sem precedentes da crise da dívida na zona euro. Jogando no limite das suas possibilidades os líderes europeu e os dos EUA chegaram a acordos preliminares que parece só terem conseguido exacerbar a crise. Uma nova recessão global está sendo anunciada, enquanto a única certeza é que os trabalhadores e os povos continuam a pagar as consequências.

Paralelamente, na Islândia, uma sucessão de acontecimentos políticos desde 2008, impulsionados por fortes mobilizações sociais forçaram a renúncia em bloco do governo e eleições antecipadas, a convocação de dois referendos populares que levaram à votação maciça pelo não pagamento da dívida, e pela ida a tribunal e a prisão temporária de banqueiros e funcionários e a possibilidade de vir a haver uma nova Constituição. No entanto, apenas nas redes alternativas (entre elas Rebelión) e alguns sites (como o CADTM) tem circulado esta informação que, na sua maioria tem sido ignorada pela comunicação tradicional.

Localizada no norte da Europa boreal, a Islândia é uma pequena ilha, rodeada por ilhas e ilhotas ainda menores. Em conjunto, atingem uma área de aproximadamente 103 mil km2 e abrigam 320 mil pessoas. A sua economia dispõe de importantes fontes de energia hidráulica e geotérmica, mas depende muito da indústria de pesca, que corresponde a 40 por cento das suas receitas e emprega sete por cento da força de trabalho.

Na década de 80 o governo – sob pressão da onda thatcherista – lançou a privatização da pesca: impôs quotas para as capturas e fez milionários alguns pescadores. Em paralelo, juntou-se à política da "oferta", típica da "Reaganomics", baixando impostos e desregulamentando mercados, ao mesmo tempo que começou a difundir a política de privatizações. Como se algo estivesse faltando, Milton Friedman visitou repetidamente Reykjavik, a capital.

Apesar deste avanço neoliberal, o país continuou a apresentar indicadores significativos. O estado garantia – sob um regime de bem-estar – cuidados de saúde universais e ensino superior gratuito aos seus habitantes. A esperança de vida estava entre as mais altas do mundo e a taxa de desemprego era insignificante, não chegando a dois por cento. O governo investiu em energia verde e em novas tecnologias, e em 2007 foi o primeiro no Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Nações Unidas), bem à frente de países como os Estados Unidos, França e Reino Unido. Em 2009 foi descrito pela Organização das Nações Unidas como o terceiro país mais desenvolvido do mundo, sendo colocado o seu PIB per capita entre os dez melhores.

Primeira expressão da crise

No entanto, a partir de 2003, o ano em que se concretiza a privatização de três dos principais bancos (Kaupthing, Glitnir e, especialmente, Ice-save), o país entra plenamente nos fluxos financeiros internacionais. Tanto a banca como os banqueiros começaram uma corrida desenfreada para expandir as suas actividades dentro e fora do país. Foi impulsionada uma política de endividamento e começou a incubar-se uma crise que explodiu em 2008. Esta crise é considerada a primeira expressão da crise global que hoje desestabiliza os centros económicos e financeiros do mundo.

Tudo começou quando, após a privatização dos bancos, o governo promoveu uma política de "casa própria", que os bancos apoiaram com empréstimos hipotecários de fácil acesso e cujas taxas estavam ligadas à evolução dos preços, mas não aos salários. Ao mesmo tempo, o consumo foi incentivado com empréstimos de curto prazo. Quando em 2008 o défice comercial forçou à desvalorização da moeda nacional em 50 por cento, a inflação disparou e as taxas (hipotecárias ou de créditos comuns) ficaram impagáveis.

Para financiar todo esse festival creditício os bancos foram adquirindo fundos do mercado mundial, especialmente na Grã-Bretanha e Holanda. No momento da explosão, a dívida da banca superava em mais de dez vezes o PIB nacional. Resultado: mais de um terço da população agora está sobre-endividada; 13 mil casas foram confiscadas e dezenas de milhares de famílias entraram na pobreza.

Para o senso comum tudo isto só foi possível graças à conspiração fraudulenta de banqueiros, empresários e políticos. Para alguns analistas, isto processou-se através de um grupo de não mais de trinta pessoas. No entanto, mesmo que este grupo tenha sido o instrumento de uma determinada política não pode esconder que o que aconteceu na Islândia é parte da crise mundial, que como sempre nas grandes conjunturas explode pelo lado financeiro, mas as suas raízes estão na economia produtiva.

No entanto, a resistência da população deste pequeno país rompeu com a política do "possível" e tem feito progressos significativos. A sequência destes eventos é bastante significativa:

– Em 2009, protestos e manifestações de rua, incluindo "panelaços", rejeitaram o plano de ajustamento do FMI, provocaram a demissão do governo e obrigaram a convocar eleições antecipadas. O novo governo tentou impor por lei uma reestruturação da dívida, que totaliza 3.500 milhões de euros, o que significa que cada família iria pagar 100 euros por mês durante 15 anos.

– Em 2010, a população, de novo nas ruas, recusou esta lei; o então presidente decide não ratificá-la e convoca um referendo popular. Noventa e três por cento dos eleitores disse "não ao pagamento da dívida ". Em paralelo desenrola-se uma investigação sobre as responsabilidades na crise, que conclui com vários banqueiros e funcionários processados e presos, embora libertados de imediato, enquanto outros fugiram do país. Um dos banqueiros está ainda sendo procurado pela Interpol.

– Em 2011, um novo referendo ratificou o "não pagamento", por 60 por cento dos votos.

Reforma constitucional

Em numerosas ocasiões, a sociedade islandesa propoz-se substituir a Constituição em vigor desde 1944, uma cópia da dinamarquesa, que apenas mudou "rei" para "presidente". A actual crise financeira estimulou esta necessidade e abriu o debate político, pelo que o Parlamento decidiu criar a Assembleia Constituinte, para a qual foram eleitos por voto popular 25 representantes (10 mulheres e 15 homens), entre os 522 com mais de 18 anos que se apresentaram. No entanto, antes de começarem as deliberações, a eleição foi invalidada pelo Supremo Tribunal por vícios processuais. A Assembleia foi, então, transformada em Conselho Constitucional, composto pelas mesmas pessoas antes eleitas, que começaram a realizar reuniões no início de Abril em três grupos, e que deviam apresentar as suas propostas nos fins de Julho passado (até ao momento não se dispõe de nenhuma informação sobre se isto se concretizou).

As reuniões têm sido públicas – todas as quintas-feiras o Conselho reúne-se e discute, numa transmissão ao vivo na web. Os islandeses podem consultar e propor semanalmente novos artigos e alterações para inclusão na Constituição, e dar opinião sobre os mesmos. Desempenham aqui um papel decisivo as redes sociais (Facebook, Twitter e Flickr), enquanto que no Youtube são publicadas regularmente entrevistas com cada um dos 25 membros do Conselho, no que a cultura popular tem chamado de "Democracia 2.0 ".

O sistema de aprovação final não está claramente determinado. Supõe-se que o grupo de redacção levará ao Conselho o projecto consensual da nova Constituição e se ele aprovar, passa finalmente ao Parlamento. No entanto, esse processo ainda não está claro e esta indefinição tem levado a surgirem vozes de alerta, prevendo que "... os políticos vão querer revê-la antes do referendo", pelo que clamam para que "... as pessoas possam votar o que escreveram , antes que os políticos metam a mão, considerando que daqui vai sair um novo sistema com o qual queremos, entre outras coisas, erradicar a corrupção".

Para além do resultado final deste confronto, a Islândia mostra que é possível pensar em soluções alternativas, que não é necessário salvar os bancos como um passo para quaisquer outras medidas. Que é possível romper com o "possibilismo" que o cerco neoliberal impõe e fazer com que não sejam os do costume a pagar os custos. Que há um outro caminho que envolve decisões não só económicas, mas fundamentalmente políticas e democrática. A Islândia é uma excepção, uma singularidade, uma raridade, não só por deixar falir os seus bancos, perseguir os seus banqueiros e funcionários ou decidir emendar a Constituição, mas pela forma democrática e participativa com que essas realizações se tornam possíveis
[*] Membro do grupo EDI (Economistas de Izquierda)

O original encontra-se em www.diarioreddigital.cl/... . Tradução de Guilherme Coelho.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .