sexta-feira, 14 de junho de 2013

Crise da Crítica- texto de Pedro Bacelar de Vasconcelos


Original aqui.

Foram surpreendentes as reações suscitadas pelas críticas contidas no relatório divulgado a semana passada pelo Fundo Monetário Internacional em que este admite ter cometido erros graves no programa de resgate financeiro da Grécia, a começar pelo seu desenho original - de maio de 2010 - e que desfere acusações severas à condução pela União Europeia do combate à crise do euro, que abordei nesta coluna na passada sexta-feira. A Comissão Europeia, disfarçando o embaraço inicial, iria rejeitar com veemência as críticas do FMI ao passo que o Banco Central Europeu optava por ignorá-las.
O Governo grego, menos de uma semana depois de ter manifestado a sua satisfação com o "mea culpa" do FMI - que desaconselhava, mesmo com prejuízo das reformas estruturais, novas medidas de austeridade - anunciou de surpresa o fecho da televisão e da rádio públicas, mandando para o desemprego cerca de 2700 trabalhadores. A decisão anunciada pelo primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, foi logo denunciada pelos partidos da coligação governante e desencadeou uma greve geral, somando generalizados testemunhos de solidariedade por toda a Europa. Ao ponto de a Comissão Europeia se sentir obrigada a esclarecer publicamente que tal medida não constava sequer das recomendações feitas pela troika!
No mesmo dia, o FMI dava por concluída a sétima avaliação do programa de resgate da dívida portuguesa e advertia novamente a Europa quanto à forma como tem gerido a crise, realçava a importância de alargar os prazos de amortização para não comprometer a sustentabilidade da dívida soberana e recomendava também ao Governo português a aceleração das reformas estruturais e da consolidação orçamental, sem esquecer a necessidade de apoiar a criação de emprego e "facilitar a recuperação económica". Enfim, orientações alinhadas com preocupações expressas pelos nossos atuais governantes e pelo Presidente que os suporta. É por isso surpreendente que Aníbal Cavaco Silva, de visita ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, tenha escolhido precisamente esta oportunidade para opinar sobre a conveniência de excluir o FMI da troika: "É tempo de o desenho dos programas de ajustamento, a sua avaliação e acompanhamento serem feitos por membros das instituições europeias". Porque, sustentou, os "objetivos e a visão" do FMI são "diferentes". "O objetivo do FMI está muito voltado para a estabilização financeira, na União, nós temos objetivos de desenvolvimento harmonioso, de coesão e de crescimento económico".
Por seu lado, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de visita à Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, lamentava "que as instituições da troika se coloquem no plano público com divergências tão grandes. Porque isso gera, evidentemente, instabilidade e incerteza nas pessoas, em particular na Grécia, mas também nos mercados de uma maneira geral". "É claro que ajudaria que as instituições da troika evitassem este espetáculo público de estarem a dar motivos que podem suscitar a desconfiança dos mercados". Enjoa tanto "decoro" e subserviência quando uma pequena oportunidade se oferecia para reclamar as mudanças que tardam nos centros de decisão europeus à custa, com "juros de mora", dos periféricos do Sul.
O que haverá de comum entre Antonis Samaras, Pedro Passos Coelho e Aníbal Cavaco Silva? Será uma ideologia? Aquela que hoje define as políticas europeias, que se justifica com a globalização económica e satisfaz os interesses da finança internacional? Provavelmente, não. Dessa ideologia sem rosto nem bandeira terão consciência os altos quadros da "Goldman Sachs International" e alguns "intelectuais" por demais notórios. Serão movidos por alguma afinidade eletiva com o Presidente da Comissão Europeia? Não parece... nem mesmo entre os portugueses. Provavelmente, lá no fundo, encontraremos pouco mais do que a partilha de uma resignação oportunista à

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Padre frade mendicante Vítor Melícias deixou o "trabalho" e reformou-se...

Padre frade mendicante Vítor Melícias  deixou o "trabalho" e reformou-se...
 
É por estas e outras,....que não acredito nas boas palavras!
 
  Para quem já "esqueceu" ou não teve conhecimento, aqui fica a informação de que não são só alguns políticos a "embolsar":
 
Mando como recebi... de um católico que acredita no juízo final!..... 
No caso prejuízo afinal
 
Quando Jesus regresse, de certeza que não vai ver com bons olhos os seus representantes na Terra com privilégios e mordomias que Ele nunca teve e nunca permitiu.
 Antes os representantes em Marte ou em Saturno ou ...
AQUELE FRANCISCANO AMOROSO QUE IMPEDIU QUE TODAS AS AGENTES EM GEREATRIA (AJUDANTES DE LAR) DA SANTA CASA DA MISERICORDIA DE SETÚBAL E OUTRAS FOSSEM CONSIDERADAS TÉCNICAS E VIRAM O SEU VENCIMENTO REDUZIDO PARA MENOS DE METADE.
TUDO EM NOME DE DEUS, CLARO...  

Mais um pobrezinho...  


Padre Melícias com pensão de 7450 euros,
O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES),um rendimento anual de pensões de, e só,

104 301 euros .

Em 14 meses, o sacerdote, que prestou um voto de obediência à Ordem dos Franciscanos, voto de pobreza a que a Ordem Franciscana obriga, tem uma pensão mensal de 7450 euros. O valor desta aposentação resulta, segundo disse ao CM Vítor Melícias, da "remuneração acima da média" auferida em vários cargos.

Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente.
'Eu tenho uma pensão aceitável, mas não sou rico', diz o sacerdote.

Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração ligeiramente acima da média", que corresponde a uma responsabilidade na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros.


E eu a julgar que esta gente praticava o " espírito de missão " e o "trabalho de voluntariado"!!!
REPASSEM EM NOME DA MORAL MAIS ELEMENTAR

                           Que nos valha DEUS...!
          oremos-Lhe

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O silva das vacas-texto de Luís Manuel Cunha

O Silva das vacas
Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma.

 E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto:

     "A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. A vaca é um animal cercado de pêlos por todos os lados, ao contrário da península que só não é cercada por um. O rabo da vaca não lhe serve para extrair o leite, mas para enxotar as moscas e espalhar a bosta. Na cabeça, a vaca tem dois cornos pequenos e lá dentro tem mioleira, que o meu pai diz que faz muito bem à inteligência e, por não comer mioleira, é que o padre é burro como um tamanco. Diz o meu pai e eu concordo, porque, na doutrina, me obriga a saber umas merdas de que não percebo nada como as bem-aventuranças. A vaca dá leite por fora e carne por dentro, embora agora as vacas já não façam tanta falta, porque foi descoberto o leite em pó. A vaca é um animal triste todo o ano, excepto no dia em que vai ao boi, disse-me o pai do Valdemar "pauzinho", que é dono do boi onde vão todas as vacas da freguesia. Um dia perguntei ao meu pai o que era isso da vaca ir ao boi e levei logo um estalo no focinho. O meu pai também diz que a mulher do regedor é uma vaca e eu também não entendi. Mas, escarmentado, já nem lhe perguntei se ela também ia ao boi."

     Foi assim. Escusado será dizer que a D.ª Albertina, pouco dada a brincadeiras criativas, afinfou no pobre do Zeca um enxerto de porrada a sério. Mas acabou definitivamente com a vaca como tema de redacção.

Recordei-me desta história da D.ª Albertina e da vaca do Zeca da Maria "gorda", ao ler que Cavaco Silva, presidente da República desta vacaria indígena, em visita oficial ao Açores, saiu-se a certa altura com esta pérola vacum: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Este homem, que se deixou rodear, no governo, pelo que viria a ser a maior corja de gatunos que Portugal politicamente produziu; este homem, inculto e ignorante, cuja cabeça é comparada metaforicamente ao sexo dos anjos; este político manhoso que sentiu necessidade de afirmar publicamente que tem de nascer duas vezes quem seja mais honesto que ele; este "cagarola" que foi humilhado por João Jardim e ficou calado; este homem que, desgraçadamente, foi eleito presidente da República de Portugal, no momento em que a miséria e a fome grassam pelo país, em que o desemprego se torna incontrolável, em que os pobres são miseravelmente espoliados a cada dia que passa, este homem, dizia, não tem mais nada para nos mostrar senão o fascínio pelo “sorriso das vacas", satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Satisfeitíssimas, as vacas?! Logo agora, em tempos de inseminação artificial, em que as desgraçadas já nem sequer
dispõem da felicidade de "ir ao boi", ao menos uma vez cada ano!

Noticiava há dias o Expresso que, há mais ou menos um ano e aquando de uma visita a uma exploração agrícola no âmbito do Roteiro da Juventude, Cavaco se confessou "surpreendidíssimo por ver que as vacas, umas atrás das outras, se encostavam ao robô e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante seis ou sete minutos, realizava a ordenha"! Como se fosse possível alguma vaca poder sentir-se deliciada ao passar seis ou sete minutos com um robô a espremer-lhe as tetas!!
Não sei se o fascínio de Cavaco por vacas terá ou não uma explicação freudiana. É possível. Porque este homem deve julgar-se o capataz de uma imensa vacaria, metáfora de um país chamado Portugal, onde há meia-dúzia de "vacas sagradas", essas sim com direito a atendimento personalizado pelo "boi", enquanto as outras são inexoravelmente "ordenhadas"! Sugadas sem piedade, até que das tetas não escorra mais nada e delas não reste senão peles penduradas, mirradas e sem proveito.

A este "Américo Tomás do século XXI" chamou um dia João Jardim, o "sr. Silva". Depreciativamente, conforme entendimento generalizado. Creio
que não. Porque este homem deveria ser simplesmente "o Silva". O Silva das vacas. Presidente da República de Portugal. Desgraçadamente.


Luís Manuel Cunha in «Jornal de Barcelos», 5 de Outubro, 2011.
 

Um PSD evoca Brecht

[Este texto circula nas redes sociais e desconheço a autoria. Se alguém souber, por favor, informe-me.AZ]

Os silêncios...
Um PSD evoca Brecht
Um dia bateram-me à porta e anunciaram-me que o governo tinha decidido cortar-me meio subsidio de Natal. Apesar de inconstitucional, compreendi o sacrifício que o Governo me pedia.
Noutro dia bateram à porta do meu pai e anunciaram-lhe que iam cortar meia pensão do Natal. Apesar de considerar que era um roubo, ainda admiti, porque o pais estava em estado de emergência.
Depois bateram-me à porta e anunciaram que me iam tirar dois meses de salário e dois meses de pensão ao meu pai. Depois da estupefacção resignação.
A 7 de Setembro, bateram-me à porta para me anunciar que tiravam 7% do salário para dar 5,75% ao patrão e ficavam com os trocos, em principio para os cofres da Segurança Social.
Desta vez fiquei indignado. Achei que estava a ser roubado e que estavam a transformar os patrões em receptadores do dinheiro roubado. Em reacção, corri para a rua para protestar.
Bateram-me mais uma vez à porta e informaram-me de que o ministro das finanças ia reescalonar as taxas de IRS, de modo a torna-lo mais progressivo.
Imaginando que iam poupar os rendimentos mais baixos e taxar fortemente os mais altos, pensei que o Governo, finalmente, voltava ao trilho da lei.
Mas para surpresa minha, voltaram a bater-me à porta para me ameaçarem com aumentos brutais no IMI. A minha indignação transformou-se em ira e juntei-me ao movimento nacional de resistentes ao pagamento do IMI.
Ainda mal refeito do choque do IMI, bateram-me novamente à porta para me mostrarem nos jornais, em grandes parangonas e cinco colunas, os novos escalões de IRS. Afinal aumentaram as taxas dos rendimentos mais baixos, menos os dos mais altos e não criaram nenhum escalão para os mais ricos. E a progressividade do rei dos impostos diminuiu. A minha raiva subiu de tom e resolvi não mais votar a votar no PSD e estou preparado para qualquer acção revolucionária que apareça. Ao fim e ao cabo eu o meu pai e a minha família já não temos nada a perder.
J. Nunes de Almeida, Ericeira
 ---
Pese embora a possibilidade de alguns poderem relevar algumas imprecisões do escrito, pesa muito mais a publica tomada de posição.
E na oportunidade poderá interessar recordar um dos motivos porque Brecht é citado em titulo; mas não apenas ele
- Maiakovski, poeta russo escreveu, no início  do século XX :
Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

       Maiakovski (1893-1930)
- Depois Bertold Brecht escreveu:
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

       Bertold Brecht (1898-1956)
- Em 1933 Martin Niemöller criou o seguinte poema:
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei ..
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…

       Martin Niemöller,(1892-1984)– símbolo da resistência aos nazistas.
- Em 2007 Cláudio Humberto presenteou-nos assim:
Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…

       Cláudio Humberto, em 09 Fevereiro de 2007
- Também Martin Luther King (1929.1968):
O que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética… o que mais me preocupa é o silêncio dos bons!.