segunda-feira, 1 de outubro de 2012

António Borges acumula Jerónimo Martins e equipa governamental

[A nação...como está!?...irreconhecível...AZ]

António Borges acumula Jerónimo Martins e equipa governamental
Hugo Neutel
TSF
O economista garante que só aceita o cargo na Jerónimo Martins se o governo considerar que não há conflito de interesses. O governo não comenta.
A proposta foi comunicada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários pela dona da Jerónimo Martins, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos, que no ano passado mudou a sede fiscal para a Holanda.
O ex-homem forte do FMI para a Europa, ex-Goldman Sachs, ex-vice-governador do banco de Portugal, passou também por bancos internacionais, como o Citybank, e o BNP Paribas. Para além disso António Borges já desempenhou cargos na Petrogal, Sonae, Cimpor, Vista Alegre, e pela Jerónimo Martins, para onde deverá agora regressar.
Se a proposta do acionista da Jerónimo Martins for aprovada na Assembleia Geral de 30 de Março - e não há motivos para acreditar que não seja - António Borges vai acumular o cargo de administrador não executivo da empresa dona do Pingo Doce com a de líder da equipa governamental que vai acompanhar os processos de privatizações e renegociações das Parcerias Público-Privadas, um dossier que era da competência do Ministro da Economia Álvaro Santos Pereira.
O convite foi feito pelo primeiro-ministro e anunciado por passos coelho há pouco mais de um mês.
Contactado pela TSF, António Borges, que preferiu não gravar declarações, assegurou que só aceita o cargo na JM se o governo considerar que não há conflito de interesses.
O gabinete do Primeiro-Ministro, também contactado pela TSF, não comenta a notícia.

"Sr. Primeiro-Ministro termine as minhas frases", por Nilton

[Momento Zen. AZ]

domingo, 30 de setembro de 2012

Portugal visto por Lobo Antunes

Portugal visto por Lobo Antunes

Um escritor, um retrato demolidor da " Nação valente e imortal".

Façam o favor de ler.
 (crónica satírica de António Lobo Antunes, in Visão Abril 2012)



Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida.

Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda
compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.

Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos,
culpamos logo os governos.

Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para
nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos,
protestamos.


Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico
silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias
Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não
esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos,
que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não
estendem a mão à caridade.

O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto
da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam
honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns
sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.

O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O
senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por
pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda
piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a
meter os beneméritos em tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá
decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o
estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo

que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa
interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos,
gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e
demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores
escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os
patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos
obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos
banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.


As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem,
penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de
enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas,
ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas
passaremos semdificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam,
por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste
acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à
sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão
feia. Para a Batalha.


Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de
pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja
sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha
de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca
vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão
presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor
Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.

Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no
Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.

Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás,
era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do
Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos
Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por
favor deixem de pecar.

Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E
tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este
solzinho.

Agradeçam a Linha Branca.

Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a
aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar
aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a
alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não
comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo

e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha,
e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.

Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e,
enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade,
a Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os
ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?

O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem,
não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que
ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma
que os processos importantes em tribunal a indignação há-de,
fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de
litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos,
como é nossa obrigação, felizes.


(crónica satírica de António Lobo Antunes, in Visão Abril 2012)
               
 

sábado, 29 de setembro de 2012

O Grande Combate do Portugal de Hoje!

Aproxima-se o dia do grande combate que a nossa história exige. Uma história elaborada, com contributos cruciais para a civilização e em particular para a história da Europa. Não há outra solução, julgo eu. Tavez, digo talvez, se possa evitar o tal "combate" de rua (a que sempre me opus) ,formando uma espécie de "Estados Gerais" ou um governo de salvação nacional. É preciso escolher indivíduos de raras qualidades e altruísmo e um sentido singular do momento histórico trágico que todos vivemos.
Este governo, e a alternância tipo "xeque-nmate" ao qual o "regime" sempre nos encostou: ou PSD e coligação PS, CDS; ou PS (e coligação PSD e CDS). Todos eles sempre lutaram pelos seus esquemas, e a nação, a pátria, está hoje claramente em rota para a "bangladeshização", para a conversão desta grande nação no novo recanto pobre de serviços de baixo valor, com baixos salários, embrutecimento forçado com programas tipo "casa dos segredos".
Esta gente devia ser julgada, e para isso falta-nos os tribunais. Ninguém tem ideias inovadoras para acionar a economia e o progresso, porque de facto só gente de muito baixo valor se oferece para oprimir o seu povo, para a "bagladeshização" da pátria.

Concidadãos: há que lutar contra esta gentinha!
AZ

 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Mouseland: O grande dilema da política actual...

Aqui está comicamente ilustrado a dramática realidade do quadro político actual,  num sistema político que oferece sempre o mesmo, embora com a aparência de haver alternância e opções sérias de modo a garantir o progresso económico e social do nosso povo.
 

Uma deputada que sabe o que diz

Finalmente vamos encontrando uma nova geração de gente dedicada à resolução dos nossos aflitivos problemas: Veja o discurso desta deputada do PCP...e aprendamos com ela...

http://videos.sapo.pt/ydZiz8Y52Y84uo0FJZy8

quarta-feira, 26 de setembro de 2012