Contribuições para um Portugal com futuro: A nossa abordagem não deve ser lutar contra essas pessoas, porque elas são poderosas, têm exércitos, têm dinheiro, têm tudo. Não podemos lutar contra elas, usando as suas armas: a mentira e a violência. Seríamos destruídos. O caminho mais seguro reside em começarmos a desenvolver silenciosamente a nossa própria consciência, e sobretudo a dos nossos jovens, o que nenhuma força pode impedir. Este blog discorda ortograficamente.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Um rapazola a quem calhou ser primeiro-ministro-por Daniel Oliveira
DANIEL OLIVEIRA: ANTES PELO CONTRÁRIO
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Segunda feira, 14 de maio de 2012
"Estar desempregado não pode ser um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma. Tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade." Pedro Passos Coelho
Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas não se esqueceram de onde vieram e por o que passaram. Sabem o que é o sofrimento e não o querem na vida dos outros. São solidárias. Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas ficaram para sempre endurecidas na sua incapacidade de sofrer pelos outros. São cruéis. Há pessoas que tiveram uma vida mais fácil. Mas, na educação que receberam, não deixaram de conhecer a vida de quem os rodeia e nunca perderam a consciência de que seus privilégios são isso mesmo: privilégios. São bem formadas. E há pessoas que tiveram a felicidade de viver sem problemas económicos e profissionais de maior e a infelicidade de nada aprender com as dificuldades dos outros. São rapazolas.
Não atribuo às infantis declarações de Passos Coelho sobre o desemprego nenhum sentido político ou ideológico. Apenas a prova de que é possível chegar aos 47 anos com a experiência social de um adolescente, a cargos de responsabilidade com o currículo de jotinha, a líder partidário com a inteligência de uma amiba, a primeiro-ministro com a sofisticação intelectual de um cliente habitual do fórum TSF e a governante sem nunca chegar a perceber que não é para receberem sermões idiotas sobre a forma como vivem que os cidadãos participam em eleições. Serei insultuoso no que escrevo? Não chego aos calcanhares de quem fala com esta leviandade das dificuldades da vida de pessoas que nunca conheceram outra coisa que não fosse o "risco".
Sobre a caracterização que Passos Coelho fez, na sua intervenção, dos portugueses, que não merecia, pela sua indigência, um segundo do tempo de ninguém se fosse feita na mesa de um café, escreverei amanhã. Hoje fico-me pelo espanto que diariamente ainda consigo sentir: como é que este rapaz chegou a primeiro-ministro?
In Expresso.pt de 14-05-12.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Pinto Balsemão, Camarate, e a Idade das Trevas que se avizinha
Lendo as 18 páginas escritas por Farinha Simões (leia aqui), confessado responsável pelo "atentado de Camarate", ficamos com uma dor enorme na alma. Até julgamento as pessoas são inocentes, mas perpassa em toda a "confissão" uma veracidade difícil de desfazer. Como este caso não irá a tribunal, a suspeita permanecerá no coração de cada português que ama a sua pátria, ou que ama a terra onde vive. É explícito no texto o envolvimento de personalidade mestras deste flagelado país: Gen. Costa Gomes (!), Major Canto e Castro, ambos do Conselho da Revolução de Abril. O Pinto Balsemão tinha conhecimento do que a CIA, (entenda--se a CIA, não o povo norte-americano, também ele explorado) iria realizar o atentado que assassinaria Amaro da Costa e Sá Carneiro, e não se importou...Dá para ver porquê, a acreditar no documento. Balsemão assim respondeu a um jornalista do jornal i, a 30 de Abril de 2011:
Compreendem? "As pessoas podem ser sacrificadas se for por elas qua as coisas não avançam"...Um aviso à navegação, foi essa a intenção do brutal atentado que assassinou dois portugueses de grande valor, possivelmente os únicos que poderiam dar a volta à história deste país, feita de corrupção e de miséria moral e material. E aí está o nosso país, entrando na Idade das Trevas, anémico, empobrecido, sem meios de informação credíveis e combativos. Há que falar sobre esta realidade "escondida", há que desmascarar e tomar consciência. Se há suspeitas, a Justiça tem que as desfazer a bem da verdade. Talvez um dia, animados por movimentos externos que pugnam pelo respeito pela vida humana, as suspeitas e a impunidade deixem de ser um tormento para todos nós, e estas coisas se invertam.
AZ
"Tem de ser um governo amplamente maioritário, de modo que possa haver acordo, se possível para duas legislaturas", afirma Balsemão, primeiro-ministro do governo da Aliança Democrática (coligação formada por PSD, CDS e PPM) de 1981 a 1983. Pinto Balsemão considera "possível" um governo PS/PSD/CDS-PP, mas, quando questionado sobre se será viável com José Sócrates, afirma que "antes de se discutirem pessoas devemos discutir os objectivos". "As pessoas podem ser sacrificadas se for por elas que as coisas não avançam. Dou prioridade aos objectivos sobre as pessoas", acrescenta.
Compreendem? "As pessoas podem ser sacrificadas se for por elas qua as coisas não avançam"...Um aviso à navegação, foi essa a intenção do brutal atentado que assassinou dois portugueses de grande valor, possivelmente os únicos que poderiam dar a volta à história deste país, feita de corrupção e de miséria moral e material. E aí está o nosso país, entrando na Idade das Trevas, anémico, empobrecido, sem meios de informação credíveis e combativos. Há que falar sobre esta realidade "escondida", há que desmascarar e tomar consciência. Se há suspeitas, a Justiça tem que as desfazer a bem da verdade. Talvez um dia, animados por movimentos externos que pugnam pelo respeito pela vida humana, as suspeitas e a impunidade deixem de ser um tormento para todos nós, e estas coisas se invertam.AZ
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Clara Ferreira Alves e o clube de Bilderberg...
Acreditei até certo momento que a Clara Ferreira Alves teria alguma coisa a defender com valor para a sociedade, para o país. Mas está na lista dos que frequentam o clube de Bilderberg, aquele clube dos mais ricos e poderosos do planeta, que se reúnem em confidencialidade. E para quê? Para decidirem o destino do mundo, de todos nós, os escravos, vendidos ao poder do dinheiro e da vaidade...Com qual outro fito se reuniriam? Jogar às cartas? Já assiti a um ou outro programa do "eixo do mal", e concluí que não nos leva a lugar algum, a não ser à percepção da vaidade dos seus actores. Agora até o título do programa arrepia: "eixo do mal"... Só pode mesmo ser uma correia de transmissão dos "Illuminatti" ou o diabo que os carregue...Bravo!, Clara Ferreira Alves. Além de futura directora de alguma empresa, instituto, ministério ou governo, já compreendemos que também lá bem no fundo do seu cerebrozinho, tem a sua "agenda", mas infelizmente não é ao serviço do país, ao serviço de todos nós...
AZ
AZ
A jogada do Pingo doce
[Corre nas redes sociais. AZ]
A jogada Pingo Doce
O Pingo Doce deve ter arrecadado à volta de 90 milhões de euros em poucas horas em capitalização de produtos armazenados.
De onde saiu o dinheiro: algum do bolso, mas grande parte saiu das contas bancárias por intermédio de cartões. Logo, os bancos vão acusar a saída de tanto dinheiro em tão pouco espaço de tempo, no principio do mês, em que os bancos contam com esse dinheiro nas contas, para se organizarem com ele. Mas, ainda ganham algum porque alguns compraram a crédito.
Ora, se o Pingo Doce pedisse esse dinheiro à Banca iria pagar, digamos a 5%, em 5 anos, 25% da quantia. Assim não paga nada. O povo deu-lhe boa parte do seu ordenado a troco de géneros. Alguns vão ver-se à rasca porque com arroz não se paga a electricidade.
O resto, 75% da quantia aparentemente "oferecida", distribuiu-se assim:
1 - Uma parte dos produtos (talvez 20 a 25%) devem estar a chegar ao fim do prazo de validade. Teriam de ser amortizados como perdas e lançados ao lixo. Enquanto não fosse lixo seria material que entraria como existência, logo considerado como ganho e sujeito a impostos. Assim poupam-se impostos, despesas de armazenamento (logística, energia, pessoal) e o povinho acarretou o lixo futuro.
2 - Outra parte (10 -15%) seria vendida com os habituais descontos de ocasião e as promoções diárias. Uma parte foi ainda vendida com lucro, apesar do "desconto".
3 - O Pingo Doce prescinde ainda de 30 a 40 % do que seria lucro por motivos de estratégia empresarial a saber:
4 - Descartar-se da concorrência das pequenas empresas. Quem comprou para dois meses, não vai às compras nesse mesmo tempo.
5 - Aumentar a clientela que agora simpatiza com a cadeia "benfeitora".
6 - Criar uma situação de monopólio ao fazer pressão sobre os preços dos produtores (que estão à rasca e muitos são espanhóis) para repor os novos stocks em grande quantidade.
7 - Transpor já para euros parte do capital parado em armazém e levá-lo do país uma vez que a Sede da Empresa está na Holanda. Não vá o diabo tecê-las e isto voltar ao escudo nos próximos tempos o que levou já J. Martins a passar a empresa para a Holanda.
8 - Diminuir com isto o investimento em Portugal, encurtar a oferta de produtos, desfazer-se de algum armazém central e com isso despedir alguns funcionários. O consumo vai diminuir no futuro e o Estado quer "imposto de higiene" pago ao metro quadrado.
O Pingo Doce deve ter arrecadado à volta de 90 milhões de euros em poucas horas em capitalização de produtos armazenados.
De onde saiu o dinheiro: algum do bolso, mas grande parte saiu das contas bancárias por intermédio de cartões. Logo, os bancos vão acusar a saída de tanto dinheiro em tão pouco espaço de tempo, no principio do mês, em que os bancos contam com esse dinheiro nas contas, para se organizarem com ele. Mas, ainda ganham algum porque alguns compraram a crédito.
Ora, se o Pingo Doce pedisse esse dinheiro à Banca iria pagar, digamos a 5%, em 5 anos, 25% da quantia. Assim não paga nada. O povo deu-lhe boa parte do seu ordenado a troco de géneros. Alguns vão ver-se à rasca porque com arroz não se paga a electricidade.
O resto, 75% da quantia aparentemente "oferecida", distribuiu-se assim:
1 - Uma parte dos produtos (talvez 20 a 25%) devem estar a chegar ao fim do prazo de validade. Teriam de ser amortizados como perdas e lançados ao lixo. Enquanto não fosse lixo seria material que entraria como existência, logo considerado como ganho e sujeito a impostos. Assim poupam-se impostos, despesas de armazenamento (logística, energia, pessoal) e o povinho acarretou o lixo futuro.
2 - Outra parte (10 -15%) seria vendida com os habituais descontos de ocasião e as promoções diárias. Uma parte foi ainda vendida com lucro, apesar do "desconto".
3 - O Pingo Doce prescinde ainda de 30 a 40 % do que seria lucro por motivos de estratégia empresarial a saber:
4 - Descartar-se da concorrência das pequenas empresas. Quem comprou para dois meses, não vai às compras nesse mesmo tempo.
5 - Aumentar a clientela que agora simpatiza com a cadeia "benfeitora".
6 - Criar uma situação de monopólio ao fazer pressão sobre os preços dos produtores (que estão à rasca e muitos são espanhóis) para repor os novos stocks em grande quantidade.
7 - Transpor já para euros parte do capital parado em armazém e levá-lo do país uma vez que a Sede da Empresa está na Holanda. Não vá o diabo tecê-las e isto voltar ao escudo nos próximos tempos o que levou já J. Martins a passar a empresa para a Holanda.
8 - Diminuir com isto o investimento em Portugal, encurtar a oferta de produtos, desfazer-se de algum armazém central e com isso despedir alguns funcionários. O consumo vai diminuir no futuro e o Estado quer "imposto de higiene" pago ao metro quadrado.
9 - Poupança em todo o sistema administrativo e em publicidade. A comunicação social trabalhou para eles.
Mesmo que tudo fosse ilegal, a multa máxima para Dumping é de 15 a 30.000 Euros, para o resto não há medidas jurídicas. Verdadeiramente isto são "Peanuts" em sacos de Pingo Doce, empresa do homem mais rico de Portugal. A ASAE irá só apresentar serviço.
domingo, 6 de maio de 2012
Seres Decentes-Crónica de Fernando Dacosta
O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado
com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que
viesse a receber.
Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a
qual descontara durante toda a carreira. O desconforto de tamanha injustiça levou-o,
mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze
anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.
Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era
pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.
Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância,
Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.
As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de
ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.
Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever
um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de
Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não,
não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.
Mas pedi-la, não. Nunca!»
O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria,pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e
primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta,
de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos. “A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.
Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade,
foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta
- acrescentando os outros. “Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará,
“fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e
probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa
das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida,
pervertida ética. Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar- -nos, a acreditar-nos - condição imprescindível
ao futuro dos que persistem em ser decentes.
Fernando Dacosta
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