quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Horror do Regime Neo-fascista vigente em Portugal


Não posso deixar de vos recordar, caros concidadãos num Estado usurpado por gente reles, pedante, ignorante, mau carácter, sem formação alguma, que há que reflectir, repensar uma alternativa a este modo de vida que nos querem impôr. Um modo de vida em que há os que usurparam o aparelho de Estado, clamando falsamente legimitidade, pois têm ganho as eleições à custa do controlo e manipulação dos "meios de informação" (isto é,  dos meios de propaganda neo-fascista). Há que perdermos a ilusão, vivemos num Estado Neo-Fascista com uma aparência democrática, democrática apenas à superfície das aparências, aparentemente democrático para um emigrante que vem visitar a sua terra depois de longa ausência, ou de um turista, encantado com as belezas do país e da sua história passada (porque a moderna, é uma verdadeira vergonha, leiam a opinião dos Capitães de Abril sobre a situação actual para entenderem o que vos digo). O teste decisivo vem quando nos nos surge algum problema; aí compreendemos o inferno que  este "jardim à beira-mar plantado" é, na realidade. Posso assegurar-vos que, se não fosse o PCP e os movimentos de libertação coloniais, ainda estaríamos vivendo no "Antigamente", pois na verdade, após todos estes anos volvidos, a "ele" voltámos...

Hoje em dia, o controlo dos meios de propaganda do Regime é feita com tal sapiência, que se torna inútil a existência de uma PIDE-DGS. Dava por demais nas vistas. Basta a inoperância da Justiça, a corrupção do Parlamento, o controlo dos impostos, a precariedade do emprego, e mais todas as "torneiras" que os "governantes" têm à frente para fechar. Sim, porque os nossos "governantes", como pouco sabem da vida (confundem-na com cartões de crédito, importância pessoal, carros velozes, e roubar tudo o que podem), e pouco ou nada estão preparados para as "funções" que desempenham (é mais que evidente, lendo as histórias das suas "vidas", desde o "filósofo", ao transviado do mrpp, aos passos perdidos, aos ânjos sem correia, ao marques mentes, etc, porque são em grande número, embora sempre as mesmas figuras com aparência de conhecedores profundos, quando na verdade, são repetidores daquilo que ouvem e lêem lá fora), são suficientemente mentecaptos para não conseguirem imaginar meios de progresso económico, social, cultural, e, sobretudo, mental.

Agora, num sinal de maior falta de noção das dificuldades imensas que se estão adensando para a classe baixa e média (sustento da "democracia", e que hoje decai), prometem cortar os subsídios à população, já por si sobrecarregada e resvalando, dia após dia, para a indigência. Com carinhas de santos, apresentam-se na "comunicação social" como se fossem gente séria, um tal relvas e haja coelho, mas quando querem, traiçoeiramente, lá cortam mais este "benefício", os subsídios, a possibilidade de reforma, etc. Bravo! Compreendo hoje como "singraram na vida". Só historiadores mentecaptos poderão abonar a vosso favor, no futuro, se houver livros de história relatando o horror que foram "mansamente" capazes de perpetrar! Guardiões da morte! Até uma dona-de-casa orientaria melhor o país, pois o seu bom-senso seguramente ditaria que o pão, o leite, a fruta, a carne e o peixe, o arroz, a habitação, a educação e a saúde, enfim as coisas básicas para a sobrevivência humana não poderiam ser tocadas. Ora esta gente não sabe nada da vida! O passos namorou até ao limite da decência, protelando o final do curso o mais que pôde, enfim, o pai médico de província o sustinha; o "filósofo" foi "estudar filosofia", na verdade, está na boa vida em Paris, tirando Ciências Políticas, a "Sciences Po", curso que todos os que procuram abrigo nas esplanadas parisienses sonham em tirar, pois estudo é pouco e conversa é muita, conversa banal sobre política, sobre isto e aquilo, sobre absolutamente coisa nenhuma...Isto é conhecimento básico para quem estudou em Paris, quem conhece o meio, como é aqui o caso.

Na verdade, vivemos um cansaço enorme com esta "gente" (se) governando com o país, mostram e irão mostrar nos anos vindouros tudo aquilo que não deve ser feito a um país, a um povo, a inutilidade e fraude que são. Incapazes de mudar o "estado mental" em que vivem, estado mental provinciano e estado-novista, a actuação desta "gente" continuará a clamar nas nossas consciências (enfim, quem ainda a tem) a necessiade de mudança, de uma mudança na maneira de pensar, na maneira de actuar, compreendendo que é necessário criar no espaço político português, actual e completamente inútil e apodrecido, espaço para movimentos da sociedade civil, movimento(s) formado(s) por indivíduos competentes, honestos, não comprometidos com o Regime. Movimento, ou movimentos sociais, que repensem o país, que criem um país onde é possível e desejável trabalhar, construir uma sociedade solidária, onde valha a pena viver e conviver, onde o "estado mental" das pessoas seja de esperança, positivo, energizado, pois que compreendem qual o caminho a seguir, o caminho da educação e preparação das suas gentes para enfrentarem um futuro. É para isso que foi inventado o "governo" e as leis, para que se organize a harmonia entre pessoas com várias propensões, para que valha a pena viver em sociedade, para que cada um se ache necessário, peça fundamental de um mecanismo destinado a alcançar as estrelas. Que será só negro se continuar nas mão desta gandulagem, desta gente que vive imersa no seu próprio esterco da ganância e do dinheiro (e apenas isso), que vive da perversão moral e espiritual.

Só se fala de economia, de finanças, de mercados, como num repente tivessemos todos ficados prisioneiros de uma nova classe, os "gestores", os "novos ditadores", tal loucos Neros numa sociedade que perdeu o rumo, confundida até à completa cegueira. Eles bem sabiam, essa gente sem respeito e sem carácter, que "em terra de cegos quem tem olho é rei". A medida tal é inconstitucional? Aquela "torneira" pode trazer-nos mais dinheiro, embora vá acabar por aumentar o sofrimento das famílias, a criminalidade e a mortalidade? "Who cares?!...basta fechar esta também..." Gandulagem impune, intocável, fazem o que querem de nós. Há que dizer basta! Há que agir, antes que seja tarde demais, e o amor à nossa terra, à nossa história, a tudo aquilo que fomos, somos e poderemos um dia vir a ser, tem que ser respeitado!

As pessoas querem mudança, querem outra vida que não esta onde estamos enredados, como prisioneiros de gente manhosa, rude e falsa, os nossos "governantes". Os anos que se avizinham vão ser maus, com o corte de 30% do salário e o aumento constante dos impostos, preços, combustíveis, electricidade, preços dos produtos básicos que vão além das ricas Alemanha e França. Não sei como iremos sobreviver. Porém, eles próprios e acólitos irão viver na prosperidade, venderão tudo o que puderem, energia, terras, mar, ar, águas, o seu próprio povo, mas, imersos na sua podridão só cheiram a putrefação dos seus corpos e mentes, podres de ganância, petulância, maldade e ignorância. A coisa está muito má, não me admira mesmo que haja revoltas violentas nos tempos mais próximos. Por isso, meus concidadãos, aqui vos recordo, o sonho continua...

Um abraço forte deste vosso,
Abrãao M. Zacuto

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Se estiver em perigo de perder o seu apartamento...

[Corre nas redes sociais e pode ser útil para quem tenha sido apanhado na margem do desgoverno incompetente e fatal que "elegemos democraticamente". AZ]

"Se você estiver em perigo de perder o seu apartamento por não poder pagar a hipoteca, existe uma solução completamente legal: O Aluguer do apartamento a um membro da família (que não conste na hipoteca) por um preço simbólico de 1 ou 5 € por mês por 100 anos e registe o contrato no registo Predial. O banco pode ficar com a casa, mas não pode desalojar o inquilino devido a este contrato e você só vai pagar o aluguer mensal simbólico. É totalmente legal, pois nem os bancos conseguem alterar a legislação, mas é a melhor solução para os embargos injustos estão fazendo.
Quanto mais a maioria das pessoas souberem disso, terá mais efeito terá...
Partilha e divulga entre amigos...;)

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos...

[Corre nas redes sociais.AZ]


Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos
Sim, a culpa da crise é do funcionário público Vítor Constâncio que não
viu, ou não quis ver o buraco do BPN;

Sim, a culpa da crise é do
funcionário público Teixeira dos Santos
que não
viu, ou não quis ver o buraco da
Madeira;

Sim, a culpa da crise é do
funcionário público Alberto João Jardim que
criou "às escondidas para os do continente não cortarem nas tranches" um
buraco de seis mil milhões de euros;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos da Assembleia da
República
que auferiram só em ajudas de custo no ano de 2010 a módica
quantia de três milhões de euros, fora os salários e demais benefícios;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que gerem, continuamente,
em prejuízo as empresas públicas
como a Metro do Porto, CP, ANACOM, REFER,
REN, CARRIS, EDP, PT, Estradas de Portugal, Águas de Portugal, . a lista é
interminável, mas não abdicam das viaturas topo de gama, telemóveis, cartões
de crédito a debitar nas empresas, talões de combustível, enfim a lista é interminável;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos das Juntas de Freguesia e
Câmaras Municipais
que ganham por cada reunião assistida;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos da Assembleia da
República, já reformados
, com as suas subvenções vitalícias por meros 6
anos de "serviço". Reformados alguns com apenas 40 anos de idade!!! Quantos
são desde 1974? Enfim, a lista é interminável.

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que presidem fundações

como a Guimarães 2012 com salários imorais, na ordem dos milhares de euros.
Quantas são? Enfim, a lista é interminável;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que adjudicam pareceres
jurídicos
a empresas de advogados, quando podiam solicitar aos juristas
dos seus quadros de pessoal, pagando apenas os ordenados destes;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que adjudicaram obras

permitindo as famosas "derrapagens financeiras". E quem paga? É o POVO !!!

Etc., etc., etc..

Sim, a culpa da crise
é desses funcionários públicos, e não dos funcionários públicos que trabalham arduamente para alimentar estes pulhas
Carlos Couto, funcionário público,

O pagador de impostos.

quinta-feira, 29 de março de 2012

PORTUGAL A SAQUE E A SALDO

PORTUGAL A SAQUE E SALDO: a luta pela independência nacional, nomeadamente económica, é urgente Pág. 1

Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com

PORTUGAL A SAQUE E A SALDO: Cada vez mais riqueza produzida em Portugal é

apropriada por grupos estrangeiros, ficando menos para os portugueses

RESUMO DESTE ESTUDO

Em Portugal, como consequência quer do investimentos realizado no exterior quer do investimento

estrangeiro em Portugal, está-se a verificar uma profunda descapitalização do país. E contrariamente à

ideia que o governo PSD/CDS e os defensores do pensamento económico neoliberal dominante nos

media pretendem fazer crer à opinião pública, o investimento tanto no exterior de portugueses como no

pais de estrangeiros não é, na sua esmagadora maioria, investimento directo produtivo, que cria

riqueza e emprego, mas sim visando obter juros, mais-valias, etc., ou seja, lucros fáceis e rápidos.

O investimento total no estrangeiro de portugueses ou de entidades com residência em Portugal

atingiu, em 31.12.2011, 291.629,3 milhões €. Apenas uma parcela pequena destes activos no exterior

(entre 15,4% e 18% do total) são investimento directo, ou seja, foram aplicados directamente em

empresas, para criar capacidade produtiva e emprego. Uma parte muito importante (39,6%) são os

chamados “investimentos de carteira”, ou seja, realizado em acções e obrigações de curta e média

duração visando a obtenção de ganhos financeiros rápidos. O mesmo sucede com os “Outros

investimentos no exterior”, que representavam 42,3% dos activos no exterior em 2011.

Situação semelhante verifica-se com o investimento estrangeiro em Portugal. Segundo o Banco de

Portugal, em 31.12.2011, a divida total bruta do país ao estrangeiro, resultante destes investimentos,

atingia 468.826,8 milhões €. Deste total, apenas 18% era investimento directo em Portugal (aquele que

é referido na propaganda oficial sobre investimento estrangeiro), ou seja tendo como objectivo directo

aumentar a capacidade produtiva e o emprego. Tudo o resto, na sua esmagadora maioria, eram

aplicações financeiras que visavam obtenção de juros, mais-valias, etc., ou seja, aplicações que

visavam arrecadar lucros rápidos e elevados. Como consequência, em apenas 6 anos (2006/2011),

foram transferidos para o estrangeiro 111.461 milhões €. de rendimentos gerados em Portugal, sendo

20,3%, ou seja, 22.681 milhões de euros, referentes a dividendos e lucros distribuídos, na sua maioria

de investimentos directos. Os restantes 79,3%, ou seja, 88.780 milhões de euros de rendimentos

resultaram, na sua maioria, de aplicações financeiras, para não dizer mesmo especulativas. Aqueles

111.461 milhões €. de rendimentos, embora gerados em Portugal, não foram investidos internamente

para criar riqueza e emprego, mas sim transferidos directamente para o estrangeiro, a maioria não

pagando quaisquer impostos em Portugal. Isto significa a descapitalização do pais em larga escala que

se agravará no futuro com a politica de privatizações a saldo levada a cabo pelo governo PSD/CDS

com o apoio da “troika estrangeira”.
O caso do BPN, vendido ao grupo bancário BIC, dominado por

angolanos, por 40 milhões € tendo o Estado Português capitalizado antes com mais de 500

milhões € e dado um crédito sem juros de 300 milhões €, o que levou a C.E a intervir, e o caso da

EDP vendida a um grupo chinês que agora, pelo que veio a público, pensa-se que o governo se

comprometeu a manter as “rendas excessivas”, que contribuíram para que a EDP tivesse, em

2011, 1125 milhões € de lucros líquidos (os maiores de sempre), pagas pelos consumidores,

mostra bem a politica de privatizações a saldo que um governo sem sentido nacional, sem

competência técnica e sem experiencia, e cego pelo ideologia neoliberal está a fazer sob o

comando da “troika estrangeira”, entregando a grupos económicos estrangeiros, até porque os

“nacionais” estão sem liquidez para comprar, instrumentos importantes do Estado para promover

o desenvolvimento e fonte de receitas para O.E. que será depois substituída por mais impostos.

O PIB (Produto Interno Bruto) corresponde ao valor da riqueza criada anualmente no país. O RNB

(Rendimento Nacional Bruto) corresponde à riqueza que, em cada ano, fica no país, e que é repartida,

embora de uma forma cada vez mais desigual, em Portugal. Em 1995, o PIB era superior ao RNB em

175,9 milhões €, portanto Portugal recebia mais do estrangeiro do que transferia para o exterior. Em

1996, com a entrada na União Europeia, a situação inverteu-se e Portugal começou a transferir para o

exterior mais do que recebe do exterior, situação que se agravou com a entrada para a Zona do Euro, o

que determinou que, em 2011, Portugal tenha transferido para o exterior mais 6.083,5 milhões € do que

recebeu do estrangeiro, o que provocou que o valor do PIB (o que se produziu nesse ano) tenha

atingido 171.112 milhões €, mas o valor do RNB (o que ficou em Portugal) tenha sido apenas de

165.028,5 milhões €. Em 2011, da riqueza criada por cada português com emprego, 1.251 € foram

transferidos para o estrangeiro apenas para cobrir este saldo negativo. Eis uma outra consequência da

politica que tem sido seguida em Portugal, agravada ainda mais pela terapia de choque imposta pela

“troika estrangeira” e pelo governo PSD/CDS, que tem sido escondida quer por estes “senhores” quer

ainda pelos defensores do pensamento económico neoliberal dominante nos media em Portugal.

No estudo anterior que publicamos, referimos que Robert Reich, ex- secretário de Estado do presidente

Clinton, em “AFTER SHOC – A economia que se segue e o futuro da América”, escreveu que “
Quando

o rendimento está concentrado em relativamente poucas mãos … as poupanças deles (ricos e muito

ricos) são acumuladas, para circularem numa fúria de especulação ou, sobretudo nos nossos tempos,

para serem investidos no estrangeiro
”. Interessa, por isso, conhecer o que está a acontecer em

Portugal nesse campo. Para isso, vamos utilizar dados divulgados recentemente quer pelo Banco de

Portugal quer pelo Instituto Nacional de Estatística. Se analisarmos o “activo” e o “passivo” da

chamada “Posição de Investimento Internacional” do país, cujos dados são trimestralmente divulgados

pelo Banco de Portugal no seu Boletim Estatístico, concluímos que a maior parte dos investimentos no

PORTUGAL A SAQUE E SALDO: a luta pela independência nacional, nomeadamente económica, é urgente Pág. 2

Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com

estrangeiro (Activo), assim como a maioria do investimento em Portugal (Passivo) são de natureza

especulativa, pois não visam nem capacidade produtiva nem emprego, mas sim arrecadar juros

elevados, mais-valias, etc. Os quadros seguintes, construídos com dados constantes do Boletim

Estatístico de Fevereiro de 2012 do Banco de Portugal, mostram com clareza isso.

Quadro 1 – Valor e repartição dos Activos (investimentos) de Portugal no estrangeiro

A primeira conclusão importante que se tira dos dados do Banco de Portugal é que o investimento total

de residentes ou de entidades com residência em Portugal no exterior atingia, em 31.12.2011,

291.629,3 milhões euros, ou seja, era cerca de 1,7 vezes superior ao valor total do PIB de 2011

(riqueza criada no país durante o ano passado). Portanto, riqueza que foi criada em Portugal mas que

não foi investida em Portugal para produzir riqueza e criar emprego. Outra conclusão importante que se

tira dos dados do quadro1, é que apenas uma parcela muito pequena desses activos no exterior (entre

15,4% e 18% do total) são investimento directo, ou seja, foram aplicados directamente em empresas,

para criar capacidade produtiva. Um parte muito importante (39,6%) são os chamados “investimentos

de carteira”, ou seja, em acções e obrigações de curta e média aplicação visando a obtenção de

ganhos financeiros rápidos, o mesmo sucedendo com os “Outros investimentos no exterior”, que

representavam 42,3% dos activos no exterior em 2011. Uma situação muito parecida se verifica em

relação ao “Passivo” da “Posição de Investimento Internacional”, ou seja, aos investimentos de

estrangeiros em Portugal. O quadro 2, mostra com clareza a situação neste campo.

Quadro 2– Valor e repartição da divida (Passivo) de Portugal ao estrangeiro
(investimentos em Portugal)

ANOS

Investimentos

directos do exterior

em Portugal

Milhões euros

Investimentos de

carteira em Portugal

Milhões euros

Outros investimentos do

exterior em Portugal (*)

Milhões euros

Total do

PASSIVO do

País

Milhões €

% dos

Investimentos

directos em

relação Total

2008 71.832,8 180.145,5 178.568,9 449.503,5 16,0%

2009 79.626,3 216.297,1 174.991,6 494.355,1 16,1%

2010 83.584,8 197.107,6 165.658,9 506.322,1 16,5%

2011 84.267,9 145.244,4 178.362,0 468.826,8 18,0%

(*) Na rubrica "Outros investimentos do exterior" retiramos os empréstimos do BCE

FONTE: Boletim Estatístico - Fevereiro de 2012 - Banco de Portugal

Em 31.12.2011, a divida total bruta do país ao estrangeiro atingia 468.826,8 milhões de euros, ou seja,

correspondia 2,7 vezes o valor do PIB de 2011. Deste total, apenas 18% era investimento directo do

exterior em Portugal (aquele que é referido na propaganda oficial sobre investimento estrangeiro), ou

seja, investimento tendo como objectivo directo aumentar a capacidade produtiva de empresas. Tudo o

resto, na sua esmagadora maioria, eram aplicações financeiras que visavam obtenção de juros, maisvalias,

etc., os quais, na sua maioria, não pagavam impostos em Portugal. O quadro seguinte, com

dados do Banco de Portugal, mostra os rendimentos gerados em Portugal transferidos para o

estrangeiro nos últimos anos.

Quadro 3 – Rendimentos transferidos para o estrangeiro – 2006/2011

ANOS

Rendimentos

transferidos para o

exterior TOTAL

Milhões €

Rendimentos transferidos para

o exterior - Dividendos e lucros

distribuídos

Milhões €

% dos dividendos e lucros

distribuídos no Total de

rendimentos transferidos

para o estrangeiro

Rendimentos transferidos

para o exterior que não

tiveram como origem

investimento directo

Milhões €

2006 17.105 2.594 15,20% 14.512

2007 19.414 3.489 18,00% 15.925

2008 20.270 2.422 11,90% 17.848

2009 17.015 4.401 25,90% 12.614

2010 19.551 5.393 27,60% 14.158

2011 18.106 4.383 24,20% 13.723

SOMA 111.461 22.681 20,30% 88.780

FONTE: Boletim Estatístico - 2006-2012 - Banco de Portugal

ANOS

Investimentos directos

de Portugal no exterior

Milhões euros

Investimentos de

carteira no exterior

Milhões euros

Outros

investimentos no

exterior

Milhões euros

Total dos activos

no exterior

Milhões euros

% dos

Investimentos

directos em

relação Total

2006 40.989,9 121.744,4 114.289,6 277.023,9 14,8%

2007 45.994,0 129.469,5 123.487,6 298.951,1 15,4%

2008 45.272,7 126.713,3 112.236,4 284.222,4 15,9%

2009 47.529,8 146.247,4 114.262,5 308.039,7 15,4%

2010 49.941,7 145.796,6 125.434,3 321.172,6 15,5%

2011 52.593,9 115.630,0 123.405,4 291.629,3 18,0%

FONTE: Boletim Estatístico - Fevereiro de 2006 - Fevereiro de 2012 - Banco de Portugal

PORTUGAL A SAQUE E SALDO: a luta pela independência nacional, nomeadamente económica, é urgente Pág. 3

Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com

Em apenas 6 anos (2006/2011), foram transferidos para o estrangeiro 111.461 milhões €,

rendimentos gerados em Portugal, sendo 20,3%, ou seja, 22.681 milhões €, referentes a

dividendos e lucros distribuídos, na sua maioria de investimentos directos. O restante, ou seja,

79,3%, isto é, 88.780 milhões €, são rendimentos resultantes, na sua maioria, de aplicações

financeiras, para não dizer mesmo especulativas. Um aspecto importante que interessa destacar,

é o facto daqueles 111.461 milhões € terem, na sua esmagadora maioria, como origem lucros,

dividendos, juros, mais-valias, etc., gerados em Portugal, que não são investidos internamente

para criar riqueza e emprego, mas sim transferidos directamente para o estrangeiro, e a maioria

não paga quaisquer impostos em Portugal. É uma autêntica descapitalização do pais que tem

lugar todos os anos, mesmo com a crise (18.106 milhões de euros em 2011), o que agrava ainda

mais a situação do país. Esta situação, como é fácil de concluir, será ainda agravada pela politica

de privatizações a saldo em beneficio de estrangeiros levada a cabo pelo governo PSD/CDS com

apoio da “troika estrangeira”. O quadro seguinte completa a análise feita, pois mostra que uma

parte crescente da riqueza produzida anualmente no país (PIB) é transferida para o estrangeiro.

Quadro 4 – PIB e do RNB de Portugal a preços correntes no período 1996-2011

Anos
PIB

Milhões €

Rendimento

Nacional Bruto

(RNB)

Milhões €

% RNB

em

relação

ao PIB

Diferença

RNB-PIB

Milhões

euros

Total de

emprego

Milhares

PIB por

empregado

Euros

RNB por

empregado

Euros

RNB/empregado

(-)

PIB/empregado

- €

1995
87.840,9 88.016,8 100,2% 175,9 4.530,9 19.387 € 19.426 € 39 €

1996
93.216,5 93.213,1 100,0% -3,4 4.606,8 20.235 € 20.234 € -1 €

1997
101.145,9 100.522,9 99,4% -623,0 4.727,5 21.395 € 21.263 € -132 €

1998
110.376,5 109.538,7 99,2% -837,8 4.860,2 22.710 € 22.538 € -172 €

1999
118.661,4 117.489,4 99,0% -1.172,0 4.927,0 24.084 € 23.846 € -238 €

2000
127.316,9 124.681,7 97,9% -2.635,2 5.030,0 25.312 € 24.788 € -524 €

2001
134.471,1 131.036,7 97,4% -3.434,4 5.121,3 26.257 € 25.587 € -671 €

2002
140.566,8 138.320,6 98,4% -2.246,2 5.151,2 27.288 € 26.852 € -436 €

2003
143.471,7 142.089,0 99,0% -1.382,7 5.120,7 28.018 € 27.748 € -270 €

2004
149.312,5 147.723,3 98,9% -1.589,2 5.116,7 29.181 € 28.871 € -311 €

2005
154.268,7 151.980,5 98,5% -2.288,2 5.099,9 30.249 € 29.801 € -449 €

2006
160.855,4 155.999,2 97,0% -4.856,2 5.126,1 31.380 € 30.432 € -947 €

2007
169.319,2 163.945,4 96,8% -5.373,8 5.123,8 33.046 € 31.997 € -1.049 €

2008
171.983,1 165.835,7 96,4% -6.147,4 5.147,2 33.413 € 32.219 € -1.194 €

2009
168.503,6 161.639,2 95,9% -6.864,4 5.014,3 33.605 € 32.236 € -1.369 €

2010
172.669,7 167.047,4 96,7% -5.622,3 4.937,0 34.975 € 33.836 € -1.139 €

2011
171.112,0 165.028,5 96,4% -6.083,5 4.861,2 35.200 € 33.948 € -1.251 €

FONTE: Contas Nacionais Anuais Provisórias - 4º Trim. 2011 - INE

O PIB (Produto Interno Bruto) corresponde ao valor da riqueza criada anualmente no país. O RNB

(Rendimento Nacional Bruto) corresponde à riqueza que, em cada ano, fica no país, e que é

repartida, embora de uma forma cada vez mais desigual, em Portugal. E como revelam os dados

do quadro 4, o valor do RNB é cada vez mais reduzido do que o do PIB. Em 1995, o PIB era

superior ao RNB em 175,9 milhões €, portanto Portugal recebia mais do estrangeiro do que

transferia para o exterior. Em 1996, com a entrada na União Europeia, a situação inverteu-se e

Portugal começou a transferir para o exterior mais do que recebia do exterior, situação que se

agravou com a entrada para a Zona do Euro. Em 2011, segundo o Banco de Portugal, Portugal

transferiu para o exterior mais 6.083,5 milhões € do que recebeu do estrangeiro, o que provocou

que o valor do PIB (o que se produziu nesse ano no país) tenha atingido 171.112 milhões €, mas

o valor do RNB (o que ficou em Portugal) tenha sido apenas de 165.028,5 milhões €. Em 2011, da

riqueza criada por cada por cada português empregado em Portugal, 1.251 € foram transferidos

para o estrangeiro apenas para cobrir este saldo negativo. Produz-se cada vez menos em

Portugal, porque cada vez mais trabalhadores são despedidos e lançados no desemprego, e do

pouco que se produz, uma parte crescente é ainda transferida para o estrangeiro. Eis uma outra

consequência da politica que tem sido seguida em Portugal, agravada ainda mais pela terapia de

choque de austeridade que está a ser imposta pela “troika estrangeira” e pelo governo PSD/CDS,

que tem sido escondida quer por estes “senhores” quer ainda pelos defensores do pensamento

económico neoliberal dominante nos media em Portugal. A criação de um imposto extraordinário

sobre os lucros, mais-valias e juros obtidos em Portugal, mas não investidos no país, é urgente

para combater e reduzir o escândalo desta delapidação de recursos nacionais e descapitalização

do País.

Eugénio Rosa, edr2@netacabo.pt , 22.3.2012 – Dia de Greve Geral

Como será o nosso futuro?

Caros concidadãos,

O futuro está aí, todos dias, ao primeiros raios do alvorecer, quando tomamos o primeiro autocarro a caminho do "trabalho". Nas notícias, todos os dias, esta "conversa mansa" que a nada nos leva, sempre repetida, sempre os mesmos problemas (a corrupção, as dívidas nossas, as ameaças ao nosso "trabalho", o futuro em risco tão duramente conquistado outrora,...), sempre as mesmas respostas escutadas na telefonia ou no "grande écran" (falsas, tal uma sessão de hipnose colectiva).

E lá vamos a caminho do emprego, enquanto o BPN, o BPP, o PSD, o CDS e o PS, lá instilam o seu veneno diário, pois tal "grandes corporações" estão aí para nos "comer", sem dó nem piedade alguma.

O que podemos fazer para reconquistar o nosso país, o que podemos fazer para voltarmos a ser actores da nossa própria história, para afastarmos esta gente falsa e sem moral, esta escumalha que se apoderou do aparelho de Estado e, sem vergonha nenhuma, nos engana, procura iludir-nos de modo a sacar o nosso dinheiro, doentes que estão, porcos imersos na sua lama feita de ganância e podridão? Pois essa é a questão!...Já fizeram uma "revolução de Abril", mais instados pelos movimento de libertação colonial e a luta do PCP, do que propriamente por uma necessidade ética. De ética nunca entenderam uma migalha.

Guindaram-se ao poder, usurpando, enganando, juntando-se a "gangs" de toda a antureza. A maioria que está no poder é de origem modesta, subiram a "pulso", com advogados de renome na calada (por esta razão tanta gente se orientou para o "Direito"...), mas com chico-espertismo. Já não dá para uma nova revolução com armas. Serão os militares, os novos oportunistas e seus acólitos.

Me digam agora: o que fazemos? Como poderemos viver com esta escumalha no futuro?

É mais do que claro que o espaço político português necessita com muita urgência de gente nova, formada com rigor e ética, indivíduos que amam a sua Pátria, a terra onde vivem e crescem! Mas não podemos jogar no "campo de lutas" deles, onde eles são exímios. Temos que nós mesmos impor novas regras, falar noutro discurso, numa luta pacífica certamente, mas esclarecida.

Onde eles estão? O que é isto? O silêncio, ou o erguer das almas?!...
AZ

O Parlamento português é a Fonte da Corrupção neste país abandonado às mãos da escumalha!

Vejam esta entrevista com o presidente da organização Transparência e Integridade. Ele diz-nos, olhos nos olhos, que a fonte da corrupção, em Portugal, está no próprio Parlamento!...Já sabíamos, ou suspeitávamos, e agora, senhores presidentes, senhor presidente da república, o que fazemos? Fazemos nova revolução? A quem podemos recorrer? A verdade é que não temos ninguém! Mas, é claro, nós elegemo-vos, iludidos pelos media ao serviço do grande capital e dos corruptos, e nas próximas eleições iremos eleger o Seguro, outro agente vosso (quer ele esteja consciente ou não). Chama o ladrão! Chama o ladrão!
AZ

http://publication.prod.wcm.impresa.pt:8080/sicnot/pais/article1384793.ece

BPN-A maior fraude de sempre em Portugal!

[Corre nas redes sociais, desconheço a autoria, mas reflecte o nosso "grito" de revolta. quem nos protege, a quem nos podemos dirigir para resolver estas fraudes? Chama o ladrão, chama o ladrão, como canta o Chico Buarque!...AZ]

BPN- A maior fraude de sempre de Portugal!

Torna-se agora cada vez mais evidente que o caso Freeport até pela coincidência temporal ( como depois o caso Face Oculta )sem prejuízo das responsabilidades que houver para apurar, serviu como uma cortina de fumo levantada por certa imprensa (ver os interesses do Balsemão no BPP e BPN p. ex. ) para ajudar a tapar o verdadeiro roubo ás escâncaras que uma certa “clique” ligada ao PSD fez com o banco BPN. Enquanto deitavam poeira para os olhos das pessoas não se falava noutras coisas …

Agora, quem tiver olhos para ver que veja ! …

Percebe-se agora que o “affaire BPN” contém um número demasiado grande para caber nos jornais :

(9.710.600.000,00€) !!!
Além disso, reparem bem, nos nomes dos protagonistas!!!
Tudo gente fina, bem posicionada e intocáveis!!!

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BPN - A MAIOR BURLA DE SEMPRE EM PORTUGAL

Parece anedota, mas é autêntico: dia 11 de Abril do ano passado, um homem armado assaltou a dependência do Banco Português de Negócios, ou simplesmente BPN, na Portela de Sintra, arredores de Lisboa e levou 22 mil euros.


Trata-se de um assalto histórico: foi a primeira vez que o BPN foi assaltado por alguém que não fazia parte da administração do banco.

O BPN tem feito correr rios de tinta e ainda mais rios de dinheiro dos contribuintes.
Foi a maior burla de sempre em Portugal, qualquer coisa como 9.710.539.940,09 euros.

Com esses nove mil e setecentos e dez milhões de euros, li algures, podiam-se comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo), 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid, construir 7 TGV de Lisboa a Gaia, 5 pontes sobre o Tejo ou distribuir 971 euros por cada um dos 10 milhões de portugueses residentes no território nacional (os 5 milhões que vivem no estrangeiro não seriam contemplados).

João Marcelino, diretor do Diário de Notícias, de Lisboa, considera que “é o maior escândalo financeiro da história de Portugal. Nunca antes houve um roubo desta dimensão, “tapado” por uma nacionalização que já custou 2.400 milhões de euros delapidados algures entre gestores de fortunas privadas em Gibraltar, empresas do Brasil, offshores de Porto Rico, um oportuno banco de Cabo Verde e a voracidade de uma parte da classe política portuguesa que se aproveitou desta vergonha criada por figuras importantes daquilo que foi o cavaquismo na sua fase executiva”.

O diretor do DN conclui afirmando que este escândalo “é o exemplo máximo da promiscuidade dos decisores políticos e económicos portugueses nos últimos 20 anos e o emblema maior deste terceiro auxílio financeiro internacional em 35 anos de democracia. Justifica plenamente a pergunta que muitos portugueses fazem: se isto é assim à vista de todos, o que não irá por aí?”

O BPN foi criado em 1993 com a fusão das sociedades financeiras Soserfin e Norcrédito e era pertença da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que compreendia um universo de empresas transparentes e respeitando todos os requisitos legais, e mais de 90 nebulosas sociedades offshores sediadas em distantes paraísos fiscais como o BPN Cayman, que possibilitava fuga aos impostos e negociatas.

O BPN tornou-se conhecido como banco do PSD, proporcionando "colocações" para ex-ministros e secretários de Estado sociais-democratas. O homem forte do banco era José de Oliveira e Costa, que Cavaco Silva foi buscar em 1985 ao Banco de Portugal para ser secretário de Estado dos assuntos Fiscais e assumiu a presidência do BPN em 1998, depois de uma passagem pelo Banco Europeu de Investimentos e pelo Finibanco.

O braço direito de Oliveira e Costa era Manuel Dias Loureiro, ministro dos Assuntos Parlamentares e Administração Interna nos dois últimos governos de Cavaco Silva e que deve ser mesmo bom (até para fazer falcatruas é preciso talento!), entrou na política em 1992 com quarenta contos e agora tem mais de 400 milhões de euros.

Vêm depois os nomes de Daniel Sanches, outro ex-ministro da Administração Interna (no tempo de Santana Lopes) e que foi para o BPN pela mão de Dias Loureiro; de Rui Machete, presidente do Congresso do PSD e dos ex-ministros Amílcar Theias e Arlindo Carvalho.

Apesar desta constelação de bem pagos gestores, o BPN faliu. Em 2008, quando as coisas já cheiravam a esturro, Oliveira e Costa deixou a presidência alegando motivos de saúde, foi substituido por Miguel Cadilhe, ministro das Finanças do XI Governo de Cavaco Silva e que denunciou os crimes financeiros cometidos pelas gestões anteriores.

O resto da história é mais ou menos conhecido e terminou com o colapso do BPN, sua posterior nacionalização e descoberta de um prejuízo de 1,8 mil milhões de euros, que os contribuintes tiveram que suportar.

Que aconteceu ao dinheiro do BPN? Foi aplicado em bons e em maus negócios, multiplicou-se em muitas operações “suspeitas” que geraram lucros e que Oliveira e Costa dividiu generosamente pelos seus homens de confiança em prémios, ordenados, comissões e empréstimos bancários.
Não seria o primeiro nem o último banco a falir, mas o governo de Sócrates decidiu intervir e o BPN passou a fazer parte da Caixa Geral de Depósitos, um banco estatal liderado por Faria de Oliveira, outro ex-ministro de Cavaco e membro da comissão de honra da sua recandidatura presidencial, lado a lado com Norberto Rosa, ex-secretário de estado de Cavaco e também hoje na CGD.

Outro social-democrata com ligações ao banco é Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, que se mantém em prisão preventiva por envolvimento fraudulento com o BPN e também está acusado pela polícia brasileira do assassinato de Rosalina Ribeiro, companheira e uma das herdeiras do milionário Tomé Feteira. Em 2001 comprou a EMKA, uma das offshores do banco por três milhões de euros, tornando-se também accionista do BPN.

Em 31 de Julho, o ministério das Finanças anunciou a venda do BPN, por 40 milhões de euros, ao BIC, banco angolano de Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, que tinha sido o primeiro grande accionista do BPN.
O BIC é dirigido por Mira Amaral, que foi ministro nos três governos liderados por Cavaco Silva e é o mais famoso pensionista de Portugal devido à reforma de 18.156 euros por mês que recebe desde 2004, aos 56 anos, apenas por 18 meses como administrador da CGD.

O Estado português queria inicialmente 180 milhões de euros pelo BPN, mas o BIC acaba por pagar 40 milhões (menos que a cláusula de rescisão de qualquer craque da bola) e os contribuintes portugueses vão meter ainda mais 550 milhões de euros no banco, além dos 2,4 mil milhões que já lá foram enterrados. O governo suportará também os encargos dos despedimentos de mais de metade dos actuais 1.580 trabalhadores (20 milhões de euros).

As relações de Cavaco Silva com antigos dirigentes do BPN foram muito criticadas pelos seus oponentes durante a última campanha das eleições presidenciais. Cavaco Silva defendeu-se dizendo que apenas tinha sido primeiro-ministro de um governo de que faziam parte alguns dos
envolvidos neste escândalo. Mas os responsáveis pela maior fraude de sempre em Portugal não foram apenas colaboradores políticos do presidente, tiveram também negócios com ele.

Cavaco Silva também beneficiou da especulativa e usurária burla que levou o BPN à falência.
Em 2001, ele e a filha compraram (a 1 euro por acção, preço feito por Oliveira e Costa) 255.018 acções da SLN, o grupo detentor do BPN e, em 2003, venderam as acções com um lucro de 140%, mais de 350 mil euros.

Por outro lado, Cavaco Silva possui uma casa de férias na Aldeia da Coelha, Albufeira, onde é vizinho de Oliveira e Costa e alguns dos administradores que afundaram o BPN. O valor patrimonial da vivenda é de apenas 199. 469,69 euros e resultou de uma permuta efectuada em 1999 com uma empresa de construção civil de Fernando Fantasia, accionista do BPN e também seu vizinho no aldeamento.

Para alguns portugueses são muitas coincidências e alguns mais divertidos consideram que Oliveira e Costa deve ser mesmo bom economista(!!!): Num ano fez as acções de Cavaco e da filha quase
triplicarem de valor e, como tal, poderá ser o ministro das Finanças (!!??) certo para salvar Portugal na actual crise económica. Quem sabe, talvez Oliveira e Costa ainda venha a ser condecorado em vez de ir parar à prisão....ah,ah,ah.


O julgamento do caso BPN já começou, mas os jornais pouco têm falado nisso. Há 15 arguidos, acusados dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e fraude fiscal, mas nem sequer se sentam no banco dos réus. Os acusados pediram dispensa de estarem presentes em tribunal e o Ministério Público deferiu os pedidos. Se tivessem roubado 900 euros, o mais certo era estarem atrás das grades, deram descaminho a nove biliões e é um problema político.

Nos EUA, Bernard Madoff, autor de uma fraude de 65 mil milhões de dólares, já está a cumprir 150 anos de prisão, mas os 15 responsáveis pela falência do BPN estão a ser julgados por juízes "condescendentes", vão apanhar talvez pena suspensa e ficam com o produto do roubo, já que puseram todos os bens em nome dos filhos e netos ou pertencentes a empresas sediadas em paraísos fiscais.

Oliveira e Costa colocou as suas propriedades e contas bancárias em nome da mulher, de quem entretanto se divorciou após 42 anos de casamento. Se estivéssemos nos EUA, provavelmente a senhora teria de devolver o dinheiro que o marido ganhou em operações ilegais, mas no Portugal dos brandos costumes talvez isso não aconteça.

Dias Loureiro também não tem bens em seu nome. Tem uma fortuna de 400 milhões de euros e o valor máximo das suas contas bancárias são apenas cinco mil euros.

Não há dúvida que os protagonistas da fraude do BPN foram meticulosos, preveniram eventuais consequências e seguiram a regra de Brecht:


“Melhor do que roubar um banco é fundar um”.