quinta-feira, 29 de março de 2012

BPN-A maior fraude de sempre em Portugal!

[Corre nas redes sociais, desconheço a autoria, mas reflecte o nosso "grito" de revolta. quem nos protege, a quem nos podemos dirigir para resolver estas fraudes? Chama o ladrão, chama o ladrão, como canta o Chico Buarque!...AZ]

BPN- A maior fraude de sempre de Portugal!

Torna-se agora cada vez mais evidente que o caso Freeport até pela coincidência temporal ( como depois o caso Face Oculta )sem prejuízo das responsabilidades que houver para apurar, serviu como uma cortina de fumo levantada por certa imprensa (ver os interesses do Balsemão no BPP e BPN p. ex. ) para ajudar a tapar o verdadeiro roubo ás escâncaras que uma certa “clique” ligada ao PSD fez com o banco BPN. Enquanto deitavam poeira para os olhos das pessoas não se falava noutras coisas …

Agora, quem tiver olhos para ver que veja ! …

Percebe-se agora que o “affaire BPN” contém um número demasiado grande para caber nos jornais :

(9.710.600.000,00€) !!!
Além disso, reparem bem, nos nomes dos protagonistas!!!
Tudo gente fina, bem posicionada e intocáveis!!!

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BPN - A MAIOR BURLA DE SEMPRE EM PORTUGAL

Parece anedota, mas é autêntico: dia 11 de Abril do ano passado, um homem armado assaltou a dependência do Banco Português de Negócios, ou simplesmente BPN, na Portela de Sintra, arredores de Lisboa e levou 22 mil euros.


Trata-se de um assalto histórico: foi a primeira vez que o BPN foi assaltado por alguém que não fazia parte da administração do banco.

O BPN tem feito correr rios de tinta e ainda mais rios de dinheiro dos contribuintes.
Foi a maior burla de sempre em Portugal, qualquer coisa como 9.710.539.940,09 euros.

Com esses nove mil e setecentos e dez milhões de euros, li algures, podiam-se comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo), 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid, construir 7 TGV de Lisboa a Gaia, 5 pontes sobre o Tejo ou distribuir 971 euros por cada um dos 10 milhões de portugueses residentes no território nacional (os 5 milhões que vivem no estrangeiro não seriam contemplados).

João Marcelino, diretor do Diário de Notícias, de Lisboa, considera que “é o maior escândalo financeiro da história de Portugal. Nunca antes houve um roubo desta dimensão, “tapado” por uma nacionalização que já custou 2.400 milhões de euros delapidados algures entre gestores de fortunas privadas em Gibraltar, empresas do Brasil, offshores de Porto Rico, um oportuno banco de Cabo Verde e a voracidade de uma parte da classe política portuguesa que se aproveitou desta vergonha criada por figuras importantes daquilo que foi o cavaquismo na sua fase executiva”.

O diretor do DN conclui afirmando que este escândalo “é o exemplo máximo da promiscuidade dos decisores políticos e económicos portugueses nos últimos 20 anos e o emblema maior deste terceiro auxílio financeiro internacional em 35 anos de democracia. Justifica plenamente a pergunta que muitos portugueses fazem: se isto é assim à vista de todos, o que não irá por aí?”

O BPN foi criado em 1993 com a fusão das sociedades financeiras Soserfin e Norcrédito e era pertença da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que compreendia um universo de empresas transparentes e respeitando todos os requisitos legais, e mais de 90 nebulosas sociedades offshores sediadas em distantes paraísos fiscais como o BPN Cayman, que possibilitava fuga aos impostos e negociatas.

O BPN tornou-se conhecido como banco do PSD, proporcionando "colocações" para ex-ministros e secretários de Estado sociais-democratas. O homem forte do banco era José de Oliveira e Costa, que Cavaco Silva foi buscar em 1985 ao Banco de Portugal para ser secretário de Estado dos assuntos Fiscais e assumiu a presidência do BPN em 1998, depois de uma passagem pelo Banco Europeu de Investimentos e pelo Finibanco.

O braço direito de Oliveira e Costa era Manuel Dias Loureiro, ministro dos Assuntos Parlamentares e Administração Interna nos dois últimos governos de Cavaco Silva e que deve ser mesmo bom (até para fazer falcatruas é preciso talento!), entrou na política em 1992 com quarenta contos e agora tem mais de 400 milhões de euros.

Vêm depois os nomes de Daniel Sanches, outro ex-ministro da Administração Interna (no tempo de Santana Lopes) e que foi para o BPN pela mão de Dias Loureiro; de Rui Machete, presidente do Congresso do PSD e dos ex-ministros Amílcar Theias e Arlindo Carvalho.

Apesar desta constelação de bem pagos gestores, o BPN faliu. Em 2008, quando as coisas já cheiravam a esturro, Oliveira e Costa deixou a presidência alegando motivos de saúde, foi substituido por Miguel Cadilhe, ministro das Finanças do XI Governo de Cavaco Silva e que denunciou os crimes financeiros cometidos pelas gestões anteriores.

O resto da história é mais ou menos conhecido e terminou com o colapso do BPN, sua posterior nacionalização e descoberta de um prejuízo de 1,8 mil milhões de euros, que os contribuintes tiveram que suportar.

Que aconteceu ao dinheiro do BPN? Foi aplicado em bons e em maus negócios, multiplicou-se em muitas operações “suspeitas” que geraram lucros e que Oliveira e Costa dividiu generosamente pelos seus homens de confiança em prémios, ordenados, comissões e empréstimos bancários.
Não seria o primeiro nem o último banco a falir, mas o governo de Sócrates decidiu intervir e o BPN passou a fazer parte da Caixa Geral de Depósitos, um banco estatal liderado por Faria de Oliveira, outro ex-ministro de Cavaco e membro da comissão de honra da sua recandidatura presidencial, lado a lado com Norberto Rosa, ex-secretário de estado de Cavaco e também hoje na CGD.

Outro social-democrata com ligações ao banco é Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, que se mantém em prisão preventiva por envolvimento fraudulento com o BPN e também está acusado pela polícia brasileira do assassinato de Rosalina Ribeiro, companheira e uma das herdeiras do milionário Tomé Feteira. Em 2001 comprou a EMKA, uma das offshores do banco por três milhões de euros, tornando-se também accionista do BPN.

Em 31 de Julho, o ministério das Finanças anunciou a venda do BPN, por 40 milhões de euros, ao BIC, banco angolano de Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, que tinha sido o primeiro grande accionista do BPN.
O BIC é dirigido por Mira Amaral, que foi ministro nos três governos liderados por Cavaco Silva e é o mais famoso pensionista de Portugal devido à reforma de 18.156 euros por mês que recebe desde 2004, aos 56 anos, apenas por 18 meses como administrador da CGD.

O Estado português queria inicialmente 180 milhões de euros pelo BPN, mas o BIC acaba por pagar 40 milhões (menos que a cláusula de rescisão de qualquer craque da bola) e os contribuintes portugueses vão meter ainda mais 550 milhões de euros no banco, além dos 2,4 mil milhões que já lá foram enterrados. O governo suportará também os encargos dos despedimentos de mais de metade dos actuais 1.580 trabalhadores (20 milhões de euros).

As relações de Cavaco Silva com antigos dirigentes do BPN foram muito criticadas pelos seus oponentes durante a última campanha das eleições presidenciais. Cavaco Silva defendeu-se dizendo que apenas tinha sido primeiro-ministro de um governo de que faziam parte alguns dos
envolvidos neste escândalo. Mas os responsáveis pela maior fraude de sempre em Portugal não foram apenas colaboradores políticos do presidente, tiveram também negócios com ele.

Cavaco Silva também beneficiou da especulativa e usurária burla que levou o BPN à falência.
Em 2001, ele e a filha compraram (a 1 euro por acção, preço feito por Oliveira e Costa) 255.018 acções da SLN, o grupo detentor do BPN e, em 2003, venderam as acções com um lucro de 140%, mais de 350 mil euros.

Por outro lado, Cavaco Silva possui uma casa de férias na Aldeia da Coelha, Albufeira, onde é vizinho de Oliveira e Costa e alguns dos administradores que afundaram o BPN. O valor patrimonial da vivenda é de apenas 199. 469,69 euros e resultou de uma permuta efectuada em 1999 com uma empresa de construção civil de Fernando Fantasia, accionista do BPN e também seu vizinho no aldeamento.

Para alguns portugueses são muitas coincidências e alguns mais divertidos consideram que Oliveira e Costa deve ser mesmo bom economista(!!!): Num ano fez as acções de Cavaco e da filha quase
triplicarem de valor e, como tal, poderá ser o ministro das Finanças (!!??) certo para salvar Portugal na actual crise económica. Quem sabe, talvez Oliveira e Costa ainda venha a ser condecorado em vez de ir parar à prisão....ah,ah,ah.


O julgamento do caso BPN já começou, mas os jornais pouco têm falado nisso. Há 15 arguidos, acusados dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e fraude fiscal, mas nem sequer se sentam no banco dos réus. Os acusados pediram dispensa de estarem presentes em tribunal e o Ministério Público deferiu os pedidos. Se tivessem roubado 900 euros, o mais certo era estarem atrás das grades, deram descaminho a nove biliões e é um problema político.

Nos EUA, Bernard Madoff, autor de uma fraude de 65 mil milhões de dólares, já está a cumprir 150 anos de prisão, mas os 15 responsáveis pela falência do BPN estão a ser julgados por juízes "condescendentes", vão apanhar talvez pena suspensa e ficam com o produto do roubo, já que puseram todos os bens em nome dos filhos e netos ou pertencentes a empresas sediadas em paraísos fiscais.

Oliveira e Costa colocou as suas propriedades e contas bancárias em nome da mulher, de quem entretanto se divorciou após 42 anos de casamento. Se estivéssemos nos EUA, provavelmente a senhora teria de devolver o dinheiro que o marido ganhou em operações ilegais, mas no Portugal dos brandos costumes talvez isso não aconteça.

Dias Loureiro também não tem bens em seu nome. Tem uma fortuna de 400 milhões de euros e o valor máximo das suas contas bancárias são apenas cinco mil euros.

Não há dúvida que os protagonistas da fraude do BPN foram meticulosos, preveniram eventuais consequências e seguiram a regra de Brecht:


“Melhor do que roubar um banco é fundar um”.

quarta-feira, 28 de março de 2012

OCDE e a qualidade de vida dos Portugueses

Portugal has made significant progress over the last few years in modernising its economy and improving the living standards of its citizens, however the global financial crisis has surely weakened its growth. Portugal performs moderately well in overall measures of well-being, and ranks lower or close to the average in a large number of topics in the Better Life Index.
Money, while it cannot buy happiness, is an important means to achieving higher living standards. In Portugal, the average household earned 18 540 USD in 2008, less than the OECD average .
In terms of employment, nearly 66% of people aged 15 to 64 in Portugal have a paid job. People in Portugal work 1719 hours a year, close to the OECD average. 67% of mothers are employed after their children begin school, suggesting that women are able to successfully balance family and career.
Having a good education is an important requisite to finding a job. In Portugal, only 28% of adults aged 25 to 64 have earned the equivalent of a high-school diploma, the lowest rate in the OECD which stands at 72%. As to the quality of its educational system, the average student scored 489 out of 600 in reading ability according to the latest PISA student-assessment programme, lower than the OECD average.
In terms of health, life expectancy at birth in Portugal is 79.3 years, close to the OECD average. The level of atmospheric PM10 – tiny air pollutant particles small enough to enter and cause damage to the lungs – is 21 micrograms per cubic meter, and is close to levels found in most OECD countries.
Concerning the public sphere, there is a moderate sense of community and civic participation in Portugal. 83% of people believe that they know someone they could rely on in a time of need, lower than the OECD average of 91%. Voter turnout, a measure of public trust in government and of citizens' participation in the political process, was 64% during recent elections; this figure is also lower than the OECD average of 72%. In regards to crime, 6% of people reported falling victim to assault over the previous 12 months.
When asked, 36% of people in Portugal said they were satisfied with their life, well below the OECD average of 59%.
These findings are based on data from 2008 or later.

[Veja aqui e compare com outros países
]

Professores Portugueses reconhecidos pelo seu trabalho

PISA: relatório revela reconhecimento do trabalho




dos professores pelos seus alunos


TELEVISÃO NÃO NOTICIOU...(Porquê? Quem sabe...)
Nem o Miguelito Sousa Tavares. Porque será???
Ora, aqui está algo para animar a malta!
Divulguem bastante, mesmo aos
não professores. Sobretudo a esses!

Jornal de Cascais [distribuído por correio electrónico]
Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Uma Ovelha Negra Não Estraga o Rebanho

No meio da crise sócio/económica e do cinzentismo emocional instalado no
país há vários meses, eis que o relatório PISA trouxe algumas boas
evidências para Portugal.

E a melhor de todas, a que considero verdadeiramente paradigmática, foi
omitida pela maioria dos órgãos de comunicação social: Mais de 90% dos
alunos portugueses afirmaram ter uma imagem positiva dos seus professores!

O relatório conclui que os professores portugueses são os que têm a imagem
mais positiva de entre os docentes dos 33 países da OCDE, tendo em 2006
aumentado 10 pontos percentuais.

O mesmo relatório conclui que os professores portugueses estão sempre
disponíveis para as ajudas extras aos alunos e que mantêm com eles um
excelente relacionamento.
Estas evidências são altamente abonatórias para os professores portugueses e
deveriam ter sido amplamente divulgadas pelos órgãos de comunicação social
(e pelos habituais "fazedores de opinião" luxuosamente remunerados que
escrevem para os jornais ou são comentadores na rádio e na televisão)
que ostensivamente consideram os professores do ensino básico e secundário
uma classe pouco profissional, com imensos privilégios e luxuosas
remunerações...

Uma classe profissional que deveria ser acarinhada e apoiada por todos, que
deveria ter direito às melhores condições de trabalho (salas de aula,
equipamento, formação, etc.) e que tem sido maltratada pelo poder político e
por todos aqueles que tinham o dever de estar suficientemente informados
para poder produzir uma opinião isenta para os demais membros da comunidade.

Ao conjunto destas evidências acresce outra, onde o papel do professor é
determinante: a inclusão.

O relatório revela-nos que Portugal é o sexto pais da OCDE cujo sistema
educativo melhor compensa as assimetrias sócio/económicas!

E ainda refere que o nosso país tem a maior percentagem de alunos
carenciados com excelentes níveis de desempenho em leitura.

Nada acontece por acaso! Os professores portugueses são excelentes
profissionais, pessoas que se dedicam de corpo e alma aos seus alunos,
mesmo quando são vilipendiados e ofendidos por membros de classes
profissionais tão corporativistas (ou mais!) que a dos professores!

Como diz a quase totalidade dos alunos, os professores são excelentes
pessoas que estão sempre disponíveis para ajudar os seus alunos. Esta é que
é a realidade dos professores das escolas do ensino básico e secundário!
Obviamente que, como em todas as demais classes profissionais, haverá
exceções à regra, aqueles que não cumprem, não assumem as suas
responsabilidades, não justificam o ordenado que recebem.
Mas, assim como uma andorinha não faz a primavera, também uma ovelha negra
não estraga um rebanho.
Pergunto: porque se escondem os arautos da desgraça, detentores da verdade absoluta, que estão sempre na linha da frente para achincalhar os professores do ensino básico e secundário. Estranha-se o silêncio.
Margarida Rufino in Jornal de Cascais [distribuído por correio electrónico]

sábado, 24 de março de 2012

Quando começaremos todos a falar a uma só voz?!

Vejam este político a falar como todos um dia (esperemos para muito breve) deveremos começar a falar, a uma só voz! A falar a alta voz para os políticos estúpidos e incompetentes que nos governam!...

http://sorisomail.com/email/238743/o-politico-que-representa-realmente-a-populacao.html

quinta-feira, 22 de março de 2012

Felicidade no trabalho

Gente com lucidez, honestidade, em resumo, gente com carácter, pode criar condições favoráveis para quem trabalha, numa relação construtiva, benéfica para trabalhador e patronato. Tudo é uma questão de visão global, de sensibilidade, de competência e querer, de facto, gerar riqueza.
Vejam este exemplo de uma empresa de Palmela, e entenderão o que quero dizer. E o impacto que tem no mundo, o controle do aparelho de Estado pelos "barões da droga"...

domingo, 18 de março de 2012

Como iniciar uma Revolução?...e ser bem sucedido.


Desde o Mahatma Gandi, passando por Albert Einstein e outros pensadores e homens de acção, houve várias propostas elaboradas individualmente no sentido de determinar as condições necessárias para que os cidadãos oprimidos iniciem uma revolução não-violenta. Gene Sharp escreveu um livro, que distribuíu gratuitamente, e onde reuniu estratégias fundamentais (aparentemente baseadas em ideias de Einstein) para a libertação da ditadura e tirania, que vivemos hoje de forma tão dramática pelo mundo fora. E também nós, portugueses, bem sentimos o drama, reconhecendo nos últimos "governos", dominados por "barões" da máfia, apenas instrumentos de manipulação rudes e brutais, a favor da banca, alta-finança e grandes corporações. Sharp chegou mesmo a fundar um "Albert Einstein Institution".
Mahatma Gandi, um herói da revolução não violenta...

A importância das ideias e propostas de Gene Sharp já são bem conhecidas em países onde menos se esperaria, como o próprio Estados Unidos da América, ao fim e ao cabo, um dos países onde Karl Marx esperaria que começasse uma verdadeira revolução...Fez-se um trailer sobre como iniciar uma revolução não-violenta, veja aqui embaixo.



Recolha aqui o seu exemplar e mostre que os portugueses, no mínimo, são pessoas pacíficas, mas não são ignorantes e passivos, que a nossa cabeça não é ôca, como "eles" bem gostariam que fosse...


A necessidade de mudança torna-se urgente, o último episódio da demissão do secretário da energia mostra claramente como o "governo" está nas mãos dos "barões" do crime. Veja esta análise de José Gomes Ferreira, o único economista honesto, competentíssimo, e como uma lucidez que vejo muitíssimo raramente neste país.
AZ

quinta-feira, 15 de março de 2012

Obrigado, Sr. ministro-texto de João César das Neves

Obrigado, Sr. ministro!



por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha

generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o

favor de entregar uma carta ao senhor ministro. Perguntei-lhe qual

ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao

ministro que o andava a ajudar. O texto é este:



"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa

de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei

toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma.

Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.

Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma

coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a

marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados

como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu

gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me

que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam

devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves

problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe

se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou

por dizer que seguia ordens.

Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa

noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários

e alimentares graves.

Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e

noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na

rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os

inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos

marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia

Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando

destruíram tudo.

Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo

certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social.

Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha

menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a

bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios

laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e

portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema

qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.

Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de

banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente

inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o

posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma

coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e

tinha de fechar.

Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca

onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações

sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que

fico mesmo a dormir na rua.

Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o

senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha

lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel

de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei

ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro. Afinal, se

fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele

respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez

tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não

tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e

contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe

aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.

Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto

por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências

melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações

conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se

preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."



Triste País que procede assim com os pobres....