quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Brasil, acorda!...

O Carnaval no Brasil, visto por este corajosa e lúcida jornalista brasileira. Um país rico, é certo, mas com assimetrias tais que, à menor greve das forças policias, é  posto a saque. Mas os "indicadores económicos" estão aí, para fazer o jogo da ilusão. Esta jornalista mostra-nos também o alto nível intelectual a que chegaram muitos no nosso país irmão. Brasil, já não é só Carnaval.
AZ
[Sigo a anterior ortografia]

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Governo prepara encurtamento da Páscoa...

[Momento Zen...]

Governo prepara encurtamento da Páscoa:
Jesus Cristo morre crucificado e ressuscita no mesmo dia.
Depois de ter acabado com o Corpo de Deus, 15 de Agosto, 5 de Outubro, 1 de
Dezembro e de não ter dado tolerância de ponto aos funcionários públicos
no Carnaval, Passos Coelho prepara uma pequena alteração ao ano litúrgico,
nomeadamente a Semana Santa, de forma a obter uma versão da Páscoa mais
adaptada a um país que quer ser mais competitivo. "A Última Ceia a uma
quinta-feira é coisa de garoto mimado e irresponsável que chula os pais e o
Estado. Acabou-se a Sexta-Feira Santa e a Última Ceia passa a lanche
ajantarado no sábado até às 23 horas, no máximo. Domingo de Páscoa passa
a ser o dia do julgamento, paixão, crucificação, morte, sepultura e
ressurreição. Também Jesus Cristo tem de deixar de ser piegas!", revelou
Passos Coelho.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Manifesto pelo Fim do "Regime Finançocorrupto"

Manifesto pelo Fim do Regime Finançocorrupto instalado no pós-25 de Abril

Ao fim destes últimos trinta anos, o denominador comum que salta à vista, é um país que teve um momento aúreo no pós-25 de Abril, como era inevitável com a chegada de uma enorme força de trabalho das ex-colónias e com os financiamentos laudos proporcionados pela Comunidade Europeia.

Atualmente, o que salta à vista é um Estado presente em todas as actividades das nossas vidas, sobretudo para sacar dinheiro a quem trabalha com impostos sobre impostos sobre impostos, com regulamentos de toda a ordem (agora nem da Asae se ouve falar, imersa que está em escândalos de corrupção), com penalidades de toda a ordem, mas com uma justiça que não funciona (como convém num Estado altamente flagelado pela corrupção, como é o nosso).

Ouve-se falar do Estado a toda a hora, ouve-se e vêem-se nos écrans ou no papel, notícia tal sobre ministro tal, ou secretário de estado tal, ou vem à liça o que disse o secretátio-geral do Ps ou do PSD, ou do CDS, ou do BE, num corropio estonteante, cada um alvitrando uma medida mais assustadora do que o outro, cada um procurando no fundo mais escuro da sua alma doente, uma medida, um decreto, que possa "legitimar" o acto de sacar mais dinheiro ao contribuinte, ao pequeno e médio empresário, ao artista, ao criador, ao trabalhador precário ou sem um tosto no bolso, ou ao idoso que já nem forças tem para se mexer (e que tudo deu enquanto foi força activa da sociedade, e acreditou), tudo aquilo que ainda se vê, que é material, que está do "outro lado" e não nos "cofres", ou melhor, "bolsos" do governo.

Onde estão os honestos teóricos de menos Estado, melhor Estado? Eu sou a favor de menos Estado, muito menos Estado. Eu não quero ouvir falar do Estado e seus "agentes" quando por algum motivo abro a TV, ou a rádio, ou pego num jornal ou revista. Estou francamente saturado, e sei que não o único a olhar o céu...
Exigo menos deputados, menor ministérios, a liberalização da rádio, jornais, e canais de televisão. Dêem a voz a quem discorda e pensa, a quem tem alternativas e sabe criticar o que mal está. Dêem a voz a quem não é ouvido, porque incómodo. Parem de difundir notícias lúgubres até à exaustão. Falem do futuro, do que se pode fazer, do que temos de bom e de mau. E escolham escorraçar o mal desta sociedade doente. O novo Regime deverá criar um novo homem português, autêntico, livre, com mentes preparadas, desejando o progresso. O novo Regime deve aplicar as suas forças na Educação, na Saúde, deve deixar livre o cidadão para trabalhar, para pensar, para criar e construir. É claro que assim o Estado deixará de ter a "importância" que tem nas nossas vidas, pois na verdade não é um Estado na acepção primeira que a história lhe conferiu. O Estado é um cão de guarda da Banca e Corporações multi-bilionárias. É um cão tinhoso que não nos larga as pernas, que nos persegue por todos os cantos, raivoso e perseguidor. É este o Estado que tem que acabar.

É de mais, há que criar alternativas que ponham um ponto final a este "Regime", a esta vilanagem com características nacionais, mas que corroem o que de melhor Portugal cria, produz. Alternativas com gente capaz, competente, com mentes que não sejam nos "moldes" do que vemos por todo o lado. A minha dúvida é esta: haverá gente para tal?
Enquanto trabalhador e contribuinte depauperado, eu quero menos Estado!
AZ

O Bloco de Esquerda fascizou-se...

Alguém, porventura, tem dado atenção às intervenções do Bloco de Esquerda? Parece-me que a maioria de nós, povo, não o tem feito, porque a nossa intuição sobre o fenómeno político agudizou-se com as dificuldades e os perigos.

Já compreendemos que, à medida que este regime caminha para o seu fim - não sem antes destruir o resto de bom que ainda temos - dele ou de gente ligado a ele, (com ideias inovadoras, indivíduos com estatura moral e ética, competências apuradas e visão global do mundo hodierno), nada de bom poderemos esperar.

É certo que os Regimes caiem, há pouco mais de 30 anos caíu o Regime Salazarista, agora aproxima-se a inevitabilidade da queda deste regime. Para bem de todos nós e deste maltratado país.

Ora, o bloco de Esquerda, esperança vã (mais uma!), com os seus meninos/as "queques" já deu o que tinha a dar. E este facto, triste, empobrece ainda mais o Regime...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Aborto Ortográfico...


E enquanto em Portugal tanto iluminado quer mandar prender o Graça Moura, no Brasil há quem ponha os pontos nos iis no negócio do Acordo
Tantas Páginas: O que acha do acordo ortográfico? Acha mesmo que, como dizem os editores portugueses (e muitos intelectuais), o acordo foi uma gigantesca maquinação brasileira para permitir que os livros brasileiros entrem livremente no mercado português e no africano, acabando com a indústria portuguesa do livro?
Paulo Franchetti: O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado.
Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal.
O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa.
Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal.
Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos.
No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos.
Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo.
O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didáticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia.
E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboraram o texto e os termos do acordo.
Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas.
De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo.
Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos) do acordo.
(do editorial de 09 de Fevereiro do Jornal de Angola, um dos países que não subscreveu o AO):
«O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras.»


Paulo Franchetti é professor titular do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
É mestre em Teoria Literária pela Unicamp (1981), doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (1992) e Livre-Docente pela Unicamp (1999). Desde 2004 é Professor Titular.
Atua na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, Literatura Brasileira dos séculos XIX e XX e Literatura Portuguesa do século XIX.
Desde 2002, dirige a Editora da Unicamp, cujo Conselho Editorial preside.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A história recente da Grécia repete-se...

[Corre nas redes sociais.AZ]

por Ferreira Fernandes

A agência de rating Moody's baixa a nota da Grécia; as taxas de juro explodem; o país declara falência; a população revolta-se; o exército toma o poder, declara-se o estado de urgência e um general é entronizado ditador; a Moody's, arrependida pelas consequências, pede desculpa... "Alto!", grita-me um leitor, que prossegue: "Então, você começa por dizer que vai recapitular e, depois de duas patacoadas que todos conhecemos, lança-se para um futuro de ficção científica?!" Perdão, volto a escrever: então, recapitulemos. Só estou a falar de passado e vou repetir-me, agora com pormenores. A Moody's, fundada em 1909, não viu chegar a crise bolsista de 1929. Admoestada pelo Tesouro americano por essa falta de atenção, decidiu mostrar serviço e deu nota negativa à Grécia, em 1931. A moeda nacional (dracma) desfez-se, os capitais fugiram, as taxas de juros subiram em flecha, o povo, com a corda na garganta, saiu à rua, o Governo de Elefthérios Venizelos (nada a ver com o Venizelos, atual ministro das Finanças) caiu, a República, também, o país tornou-se ingovernável e, em 1936, o general Metaxas fechou o Parlamento e declarou um Estado fascista. Perante a sua linda obra, a Moody's declarou, nesse ano, que ia deixar de dar nota às dívidas públicas. Mais tarde voltou a dar, mas eu hoje só vim aqui para dizer que nem sempre as tragédias se repetem em farsa, como dizia o outro. Às vezes, repetem-se simplesmente.


Ex-directores bancários foram detidos na Islândia...que continua a dar exemplos...

Dois ex-directores do banco islandês Kaupthing, nacionalizado de urgência em 2008, foram detidos, anteontem, informou, através de comunicado, o procurador que chefia o inquérito sobre a implosão do sistema bancário da Islândia.

Hreidar Mar Sigurdsson, ex-director do Kaupthing, e Magnus Gudmunsson, ex-director da sucursal do Banco no Luxemburgo, foram, ontem, colocados em prisão preventiva durante sete e 12 dias, respectivamente, anunciou à rádio pública islandesa RUV o procurador encarregado do caso, Olafur Hauksson. A decisão foi tomada ao fim da manhã de ontem por um juiz do Tribunal de Reykjavik.
Em Outubro de 2008, o sistema bancário islandês, cujos activos representavam o equivalente a 10 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do país, implodiu, provocando a desvalorização acentuada da moeda e uma crise económica inédita.
Os proprietários dos três bancos islandeses - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir -, nacionalizados de urgência para evitar uma falência generalizada do país, são acusados, num relatório parlamentar, de terem abusado das suas posições, ao assumirem empréstimos "desapropriados". Sigurdsson e Gudmundsson são os primeiros dirigentes de um dos três bancos a serem detidos.
O procurador investiga entre outros "factos de criminalidade económica, infracção de leis sobre a segurança social, incluindo abusos de mercado, e violações à lei sobre as sociedades".
Sigurdsson, nascido em 1970, dirigiu o Kaupthing de 2003 até à sua implosão e nacionalização, em Outubro de 2008. Com outros responsáveis do Kaupthing, foi acusado de ter emprestado demasiado dinheiro aos principais accionistas do banco, bem como aos seus dirigentes.
Sigurdsson e vivem actualmente no Luxemburgo, onde trabalham como consultores de uma sociedade, a Consolium, que criaram com antigos colegas do Kaupthing.
A casa de Sigurdsson em Reiquiavique foi atacada com tinta vermelha por várias vezes.