sábado, 5 de novembro de 2011

A "Ferme Générale" no Antigo Regime em França...

An epoch so conscious of itself as the present is impossible of comprenhsion without creative, antecipating, warning, leading criticism - Oswald Spengler, in Hours of Decision.
Se achas que és demasiado insignificante para fazer a diferença, é porque nunca passaste uma noite com um mosquito. - provérbio africano. 
A chamada "Ferme Générale" foi uma companhia de financeiros constituída em 1726 para cobrança de impostos directos (na altura em França o equivalente ao nosso IRS era chamado de Taille, um imposto injusto que recaía sobre os mais indefesos, estando os mais ricos livres de o pagar...), e os impostos indirectos, como o era o imposto sobre o sal.

O salário era...pago com sal.


O sal naquela altura tinha um papel de relevo na sociedade, pois permitia a manutenção dos alimentos secando o peixe e a carne, servindo de alimento para o gado, e era objeto de monopólio real, dele derivando a palavra salário.

Interior de um celeiro de sal. A corporação da Ferme Générale
cobrava o imposto sobre o sal, em Francês, a "gabelle".
Crédito da imagem: http://www.douane.gouv.fr/page.asp?id=164
O papel desempenhado na altura pela Ferme Générale é equivalente ao que é hoje efetuado pelas instituições privadas a quem o Estado delega essas missões. Na época do Antigo Regime, esta Ferme Générale foi criada quando a monarquia vivia com problemas financeiros crónicos... Para o rei, este organismo apresentava a vantagem de trazer para o seu cofre receitas regulares, sem que ele, o rei, tivesse que se preocupar com a recolha dos impostos. Dava muito aborrecimento!...

Um grande número de homens das finanças de Ferme Générale
foram guilhotinados na Revolução Francesa...

Compreende-se que uma turba de financeiros de origem duvidosa se apropriasse dos direitos que a "ferme" lhes dava, enriquecendo muito rapidamente com fabulosas fortunas. Porém, em finais de do sec. XVIII, a Ferme Générale é o símbolo de uma sociedade desigual, perversa política e socialmente. E, por este motivo, compreende-se que a "Ferme Générale" tenha sido um dos alvos preferenciais da Revolução Francesa. Dos seus fabulosamente ricos tiranos, 28 foram guilhotinados, um deles foi o célebre químico e homem político Antoine Laurent de Lavoisier.

O grande químico Lavoisier também trabalhou para a Ferme Générale. Crédito imagem:

Este grande homem de ciência defendeu-se das acusações severas de corrupção alegando que a sua associação à Ferme Générale era com o propósito de arranjar financiamento para as suas pesquisas. A análise desta instituição finaceira mostra perfeitamente que a raiz dos problemas atuais es´ta longe do séc. XXI e que a compreensão do seu funcionamento e conluio com o poder e a desgraça que trouxe e traz à sociedade, representa o dramático retrocesso civilizacional a que todos nós hoje assistimos.

É perfeitamente claro o que poderemos esperar no futuro, hoje, dia em que a chanceller Angela Merkel avisou que a crise está aí para durar mais uns dez anos, no mínimo. O que ela quis na verdade dizer é que esta crise, é o sistema político pérfido que os "políticos" atuais, sicários da Banca e grandes corporações, nos querem de vez impôr!

Acabou o recreio!

[Mais uma mensagem de alerta que corre nas redes sociais. Há que acabar com este assalto ao cidadão em nome do quê?...AZ]

Cumpri o meu dever de cidadania. Cumpre o teu e envia para todos os teus contactos.



Abraço.

"Ora aqui vai outro importante contributo, para que o Ministro das Finanças não continue a fazer de nós parvos, dizendo com ar sonso que não sabe em que mais cortar.

Acabou o recreio!

Se todos vocês reencaminharem como eu faço, ao fim do dia seremos centenas de milhar de "olhos mais bem abertos".Orçamento do Estado
Todos os ''governantes'' [a saber: os que se governam...] de Portugal falam em cortes das despesas, mas não dizem quais, e aumentos de impostos, a pagar pela malta
Não ouvi foi nenhum governante falar em:
. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três Presidentes da República retirados.
. Redução dos deputados da Assembleia da República e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode
. Acabar com os Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e têm funcionários e administradores com 2º ou 3º emprego.
. Acabar com o pagamento de 200 € por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 € nas Juntas de Freguesia
. Acabar com o Financiamento aos Partidos. Que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem para conseguirem verbas para as suas actividades
. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País.
. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e família. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.
. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos às escolas, ir ao mercado a compras, etc. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis...
. Acabar com os "subsídios" de habitação e deslocação a deputados eleitos por circulos fora de Lisboa... que sempre residiram na Capital e nunca tiveram qualquer habitação nos circulos eleitorais a que concorreram!
. Controlar os altos quadros "colocados" na Função Pública (pagos por nós...) que quase nunca estão no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total: HÁ QUADROS QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO OS DA COISA PÚBLICA...
. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder...
. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos e outros, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.
. Acabar com as várias reformas, acumuladas, por pessoa, de entre o pessoal do Estado e de entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.
. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP, com os juros devidos!
. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e quejandos, onde quer que estejam e recuperar essas quantias para os cofres do Estado.
. E por aí fora... Recuperaremos depressa a nossa posição, sobretudo a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado .
. Quem pode explicar porque é que o Presidente da Assembleia da República tem, ao seu dispor, dois automóveis de serviço? Deve ser um para a "pasta" e outro para a "lancheira"!...?
Nas suas deslocações o Presidente da Republica não precisa de levar tanta gente. Ainda agora na deslocação aos Açores, segundo a SIC, até mordomo levou. Isto é uma vergonha! Ainda hoje, dia 05/10, disse que o exemplo deve ser dado pelos altos cargos públicos. Então, como é que é?
AQUI JÁ VÃO MUITAS IDEIAS PARA O MINISTRO DAS FINANÇAS
SABER ONDE CORTAR. NÃO CORTE À TOA NA SAÚDE E EDUCAÇÃO.
Envie-a, pelo menos, 12 pessoas. Isto não pode parar. Nós contribuintes pagamos tudo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Arcebispo da Cantuária apoia a taxa do "Robin dos Bosques" à Banca!


É óbvio que se não nos opusermos à situação hodierna da ditadura dos mercados e da Banca a situação no mundo só poderá agravar-se.
Orson Welles contou esta velha história africana no seu filme O senhor de Arkadin.

Um escorpião, que desejava atravessar um rio, dirigiu-se a uma rã:
 -Leva-me às tuas costas.
-Queres que te leve às tuas costas! - responde a rã. - Nem penses! Se te levar às minhas costas, tu vais-me picar e matas-me.
-Não sejas estúpida-diz-lhe então o escorpião.-Não vês que, se te picar, tu vais ao fundo e eu, que não sei nadar, afogo-me?
Os dois animias estiveram assim a discutir durante algum tempo e o escorpião mostrou-se tão persuasivo que a rã aceitou levá-lo a atravessar o rio. Carregou-o no seu dorso escorregadio, ele segurou-se e começam a travessia.
Chegados ao meio do grande rio, onse se cavam os remoinhos, de súbito, o escorpião picou a rã. Esta sentiu o veneno fatal espalhar-se pelo seu corpo e, ao afundar-se, arrastando consigo o escorpião, disse-lhe:
-Vês? Bem te disse! Olha o que fizeste!
-Que queres?- respondeu o escoprião antes de desaparecer nas águas glaucas.-É a minha natureza.
-in Tertúlia de Mentirosos, de Jean-Claude Carrière.
Veja o trailer do filme de Orson Welles.


Arcebispo da Cantuária.

Felizmente a consciência e discernimento começam a desenvolver-se sobre todo o planeta e pessoas de carácter começam a opor-se a estas práticas criminosas aplicadas pelos governos corruptos claramente ao serviço das grandes corporações (banca e grande capital). Este retrocesso civilizacional deverá constar no futuro nos livros de história, devidamente explicado e onde devem constar os nomes dos seus muitos cúmplices.



Atente-se na postura do Arcebispo da Cantuária neste artigo que surge no Jornal Público.

Leia-se aqui.

Contruir uma alternativa à Banca Corrupta

[Tradução do Inglês do texto da wikipedia sobre o JAK Bank, uma cooperativa bancária que deveria ser estudada pela Sociedade Civil (vs. Corporações Corruptas) de modo a construir-se alternativas à opressora postura da banca internacional corrupta e gananciosa...AZ]

A JAK Bank, ou JAK Medlemsbank, é uma cooperativa, instituição cujos proprietários são os associados, com sede em Skövde, na Suécia. [1] [2] [3] JAK é um acrônimo para Jord Arbete Kapital, em Sueco " Terra Trabalho Capital". O número de associados é de aproximadamente 38 mil (a partir de novembro 2011) que ditam a política do banco e a sua direção. O Conselho de Administração é eleito anualmente pelos membros, sendo que cada um apenas pode possuir uma ação do banco. Os membros da JAK Bank não cobram ou pagam juros sobre seus empréstimos, um princípio que ele compartilha com o sistema bancário islâmico. Todas as atividades do banco ocorrem fora do mercado de capitais pois que os empréstimos são financiados unicamente pelos seus membros. A partir de 2008 os membros economizaram 97.000.000 Euros, dos quais 86 milhões são dados como empréstimos aos seus membros. Custos administrativos e de desenvolvimento são pagos por taxas de adesão e empréstimo.
***


JAK bancário é possível graças a economia de sistema de pontos: membros acumular pontos de poupança durante os períodos de poupança, que utilizam pontos de poupança pedir um empréstimo. A idéia principal é que é permitido tomar um empréstimo para si na mesma medida que ele permite que outras pessoas têm empréstimos, economizando em sua conta. Por este motivo (pedir um empréstimo), ganhou a gravação dos pontos deve ser igual ao gasto pontos de poupança para garantir a sustentabilidade. Se um membro está pedindo mais pontos de poupança do que ele tem, ele é obrigado a continuar acumulando os chamados "aftersavings" durante o período de reembolso. "Aftersavings" são uma quota fixa de dinheiro que se deve salvar depois que seu financiamento foi dado, para que eles possam continuar ganhando pontos poupança. Desta forma, no final do período de reembolso, ganhou a gravação dos pontos será igual ao gasto pontos de poupança, e naquele tempo ele será capaz de ter de volta todos os seus aftersavings.



Conteúdo
[Esconder] 1 História
2 Filosofia
3 Membership
4 Ver também
5 Referências
6 Ligações externas
[Editar] História
A sociedade cooperativa Jord Arbejde Kapital foi fundada na Dinamarca durante a Grande Depressão em 1931. A sociedade emitiu uma moeda popular local, que foi posteriormente proibida pelo governo dinamarquês em 1933. Em 1934 ele fundou uma poupança sem juros e um sistema de empréstimo e um sistema de comércio local Exchange. Embora ambos os sistemas foram forçadas a fechar, a economia eo sistema de empréstimo ressurgiu em 1944. Os experimentos com JAK bancário na Dinamarca inspirou um grupo na Suécia para desenvolver um sem fins lucrativos chamada Jord Arbete Kapital - Riksförening för Ekonomisk Frigörelse (Associação Nacional de Emancipação Económica) em 1965. Este grupo de pioneiros desenvolveram o sistema matemático baseado em pontos de poupança, chamado "sistema de poupança equilibrada". A associação cresceu lentamente no início e só recebeu uma licença bancária da Autoridade Sueca de Supervisão Financeira, no final de 1997.
[Editar] Filosofia
De acordo com a filosofia JAK, a instabilidade econômica é um resultado da cobrança de juros.
JAK opera sob as seguintes premissas:
A cobrança de juros é inimiga para uma economia estável
Causas de interesse do desemprego, inflação e destruição ambiental
Interesse move o dinheiro dos pobres para os ricos
Juros favorece projetos que tendem a render grandes lucros a curto prazo
O objetivo final do JAK é abolir de juros como instrumento econômico e substituí-la com instrumentos que estão no melhor interesse das pessoas. Primeiro objetivo do banco é oferecer um instrumento viável financeira aos seus membros, sustentável para o meio ambiente e servir a economia local.
[Editar] Membership
Marketing para JAK é feito principalmente por voluntários e boca a boca-de publicidade. Cerca de 550 membros organizados em 28 ramos de trabalho local, sem pagar espalhando a idéia JAK e buscando novos membros. Depósitos são aceitos e os empréstimos são dados na Coroa Sueca (SEK). Hipotecas ou garantias pessoais só pode ser dada se a propriedade ou o garante é o sueco. É obrigatório ser residente na Suécia a aplicar para um empréstimo com JAK. As economias dos membros são cobertos pela garantia dos depósitos do sistema bancário sueco.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Vingança do Anarquista- texto de Rui Tavares

[Este é um texto do deputado ao Parlamento Europeu, Rui Tavares. Vale a pena ler, confirmando aquilo sempre temos aqui sustentado, que os governos atuais são apenas serviçais das corporações e prejudicam a sociedade e destroem a civilização. que há que lutar contra eles. AZ]

Se as pessoas sentem que dão — trabalho, estudo, impostos — e não recebem nada em troca, o governo está a trabalhar para a sua deslegitimação.
Aqui há tempos havia um enigma. Como podiam os mercados deixar a Bélgica em paz quando este país tinha um défice considerável, uma dívida pública maior do que a portuguesa e, ainda por cima, estava sem governo? Entretanto os mercados abocanharam a Irlanda e Portugal, deixaram a Itália em apuros, ameaçaram a Espanha e mostram-se capazes de rebaixar a França. E continuaram a não incomodar a Bélgica. Porquê? Bem, — como explica John Lanchester num artigo da última London Review of Books — a economia belga é das que mais cresceu na zona euro nos últimos tempos, sete vezes mais do que a economia alemã. E isto apesar de estar há dezasseis meses sem governo.
Ou melhor, corrijam essa frase. Não é “apesar” de estar sem governo. É graças — note-se, graças — a estar sem governo. Sem governo, nos tempos que correm, significa sem austeridade. Não há ninguém para implementar cortes na Bélgica, pois o governo de gestão não o pode fazer. Logo, o orçamento de há dois anos continua a aplicar-se automaticamente, o que dá uma almofada de ar à economia belga. Sem o choque contracionário que tem atacado as nossas economias da austeridade, a economia belga cresce de forma mais saudável, e ajudará a diminuir o défice e a pagar a dívida.
A Bélgica tornou-se assim num inesperado caso de estudo para a teoria anarquista. Começou por provar que era possível um país desenvolvido sobreviver sem governo. Agora sugere que é possível viver melhor sem ele.
Isto é mais do que uma curiosidade.
Vejamos a coisa sob outro prisma. Há quanto tempo não se ouve um governo ocidental — europeu ou norte-americano — dar uma boa notícia? Se olharmos para os últimos dez anos, os governos têm servido essencialmente para duas coisas: dizer-nos que devemos ter medo do terrorismo, na primeira metade da década; e, na segunda, dizer-nos que vão cortar nos apoios sociais.
Isto não foi sempre assim. A seguir à IIa. Guerra Mundial o governo dos EUA abriu as portas da Universidade a centenas de milhares de soldados — além de ter feito o Plano Marshall na Europa onde, nos anos 60, os governos inventaram o modelo social europeu. Até os governos portugueses, a seguir ao 25 de abril, levaram a cabo um processo de expansão social e inclusão política inédita no país.
No nosso século XXI isto acabou. Enquanto o Brasil fez os programas “Bolsa-Família” e “Fome Zero”, e a China investe em ciência e nas universidades mais do que todo o orçamento da UE, os nossos governos competem para ver quem é mais austero, e nem sequer pensam em ter uma visão mobilizadora para oferecer às suas populações.
Ora, os governos não “oferecem” desenvolvimento às pessoas; os governos, no seu melhor, reorganizam e devolvem às pessoas a força que a sociedade já tem. Se as pessoas sentem que dão — trabalho, estudo, impostos — e não recebem nada em troca, o governo está a trabalhar para a sua deslegitimação.
No fim do século XIX, isto foi também assim. As pessoas viam que o governo só tinha para lhes dar repressão ou austeridade. E olhavam para a indústria, e viam que os seus patrões só tinham para lhes dar austeridade e repressão. Os patrões e o governo tinham para lhes dar a mesma coisa, pois eram basicamente as mesmas pessoas. Não por acaso, foi a época áurea do anarquismo, um movimento que era socialista (contra os patrões) e libertário (contra o governo).
Estamos hoje numa situação semelhante. Nenhum boa ideia sai dos nossos governos. E as pessoas começam a perguntar-se para que servem eles.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Imaginem - texto de Mário Crespo

Enviem aos vossos amigos pode ser que se crie uma corrente de indignação e desencadeie uma petição à AR!!!

Imaginem 00h30m
Imaginem que todos os gestores públicos das 77 empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.

Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas.
Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público.
Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar.
Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência.
Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas.
Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam.
Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares.
Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde.
Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros.
Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada.
Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido.
Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.

Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.
Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.
Imaginem que país seremos se não o fizermos.

domingo, 30 de outubro de 2011

Imunidade e Impunidade na Elite Norte-Americana


[Apresento aqui um texto do jornalista norte-americano Glen Greenwald que explica a revolta do povo norte-americano FACE À CRISE ECONÓMICA-FINANCEIRA. Lá como em Portugal, os problemas têm a mesma raíz...AZ]
The game of capitalism breeds dishonest men-James Dela Vega

Como os intensos protestos gerados pelo movimento Ocupar Wall Street continuam a crescer, vale a pena perguntar: Por que agora? A resposta não é óbvia. Afinal, a renda dispare e desigualdade de riqueza há muito atormentam os Estados Unidos. Na verdade, poderia-se alegar que esta forma de desigualdade é parte do projeto da fundação norte-americana - na verdade, parte integrante do mesmo.
A desigualdade de renda piorou ao longo dos últimos anos e está no seu nível mais alto desde a Grande Depressão. Este não é, no entanto, uma nova tendência. Desigualdade de renda tem crescido a taxas rápidas desde há três décadas. Como o jornalista Tim descreve em the Noah:
"Durante o final de 1980 e final de 1990, os Estados Unidos experimentaram dois períodos de tempo sem precedentes de crescimento econômico sustentado - '. Longa lança" ou "sete anos de fartura e os No entanto, no período1980-2005, mais de 80% do aumento total da renda dos norte-americanos foi para os 1% mais ricos. O crescimento económico foi mais lento sem dúvida, mas a década viu aumentar a produtividade em cerca de 20%. No entanto, nenhum praticamente do aumento traduziu-se no crescimento dos salários em média e baixa renda, um resultado que deixou muitos economistas coçando suas cabeças. "
A crise financeira de 2008 exacerbou a tendência, mas não radicalmente: o topo dos 1% dos que ganham na América têm vindo a serem alimentados cada vez mais avidamente desde há décadas.
Além disso, a desigualdade de riqueza substancial está tão incorporada na cultura política norte-americana que, de pé sozinho, não seria suficiente para desencadear a raiva do tipo de cidadão estamos finalmente testemunhar. Os Fundadores americanos viram claramente que a desigualdade de riqueza, poder e prestígio era não apenas inevitável, mas desejável e, para alguns, mesmo divinamente ordenada. Jefferson elogiou a "aristocracia natural" como "o dom mais precioso da natureza", e John Adams concordou com o "governo da sociedade.": "Ele já aparece, de que deve haver em todas as sociedades dos homens superiores e inferiores, porque Deus colocou no curso da natureza ... o fundamento da distinção. "
Não só a esmagadora maioria dos norte-americanos sempre concordou com a renda e as disparidades de riqueza imensa, mas alguns dos mais oprimidos por esses resultados aplaudiram ruidosamente. Os americanos têm sido inculcados para não só aceitar, mas para reverenciar aqueles que são os maiores beneficiários dessa desigualdade.
Na década de 1980, este paradoxo - onde mesmo os mais espezinhados vêm para alegrar os responsáveis ​​por seu estado - tornou-se mais firmemente entrincheirado. Isso porque ele encontrou uma face, folksy amigável, Ronald Reagan, adepto da alimentação da população com uma série de clichés orwellianos defendendo os interesses dos mais ricos. "A maré alta", como o presidente Reagan disse, "levanta todos os barcos." Em suma, a sua sabedoria pretendia dizer: é do seu interesse quando os ricos ficam mais ricos.
Implícita neste quadro foi a alegação de que a desigualdade foi justificada e legítima. A premissa central de propaganda era de que os ricos eram ricos porque o mereciam ser. Eles inovaram na indústria, inventado tecnologias, descobriram curas, criaram empregos, assumiram riscos, e corajosamente encontraram maneiras de melhorar as nossas vidas. Em outras palavras, eles mereciam ter enriquecido. Na verdade, foi do nosso interesse comum, que lhes permitam voar o mais alto possível, porque isso aumentou a sua motivação para produzir mais, conferindo-nos cada vez mais melhor qualidade de vida.
O pensamento foi, não devemos invejar o multimilionário que vive por trás de suas paredes de 15 pés , devemos admirá-lo. Os donos de empresa não mereciam o nosso ressentimento, mas a nossa gratidão. é do nosso próprio interesse não exigir mais impostos sobre os ricos, mas menos, porque arriscaríamos a que tal se repercutisse negativamente sobre nós.
Esta é a mentalidade que permitiu o crescimento maciço na desigualdade de renda e riqueza ao longo das últimas décadas, sem muita coisa na maneira de protesto dos cidadãos. E, no entanto algo de fato mudou. Não é que os americanos de repente tenham acordado um dia e decididido que a renda substancial e a desigualdade de riqueza são eles próprios desleais ou intoleráveis. O que mudou foi a percepção de como essa riqueza foi obtida e, portanto da desigualdade que se seguiu como legítima.
Muitos americanos que alguma vez tenham aceite, ou mesmo aplaudido essa desigualdade vêm  agora os ganhos dos mais ricos como ilícitos, como imerecidos, como trapaça. Acima de tudo, o sistema legal que uma vez serviu como âncora para legitimar a desigualdade de resultados, o Estado de Direito - o mais básico dos ideais americanos, que um conjunto comum de regras são igualmente aplicados a todos - tornou-se irremediavelmente corrompido e é visto como tal.
Enquanto os fundadores aceitaram a desigualdade de resultados, eles enfatizaram - mais e mais - que a sua legitimidade dependia de submeter todos os mandatos da lei em igualdade de condições. Jefferson escreveu que a essência da América seria que "o mais pobre trabalhador estava em solo de igualdade com os mais ricos milionários, e geralmente deveriam mesmo ser mais favorecidos sempre que um dos seus direitos pareciam estar em risco." Benjamin Franklin advertiu que a criação de uma classe privilegiada legal produziria " separação total de afetos, interesses, obrigações políticas, e todos os tipos de conexões "entre governantes e aqueles que governaram. Tom Paine repetidamente protestou contra "nobres falsificados", aqueles cujos superiores estado não foi fundamentada no mérito, mas em privilégio legal a apropriar.
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Afinal, uma das suas queixas principais contra o rei britânico era o seu poder de isentar seus companheiros de obrigações legais. Quase todos os Fundador repetidamente alertou que uma falha de aplicar a lei igualmente para o politicamente poderosos e os ricos garantiria uma sociedade deformada e injusta. De muitas maneiras, que era a sua definição de tirania.
Os americanos entendem isso implicitamente. Se você assistir a uma competição entre os sprinters, você pode aceitar que quem cruza a linha de chegada em primeiro lugar é o corredor superior. Mas somente se todos os concorrentes são obrigados pelas mesmas regras: todos começa na mesma linha de partida, é penalizado por invadir a pista de um outro corredor, está impedido de fazer contato físico ou usando substâncias que melhoram o desempenho, e assim por diante.
Se alguns dos corredores começam à frente dos outros e têm relações com os juízes que lhes permitam receber dispensa por violar as regras que quiserem, em seguida, os espectadores compreendem que o resultado não pode mais ser considerado legítimo. Uma vez que o processo é visto como injusto, mas não só totalmente corrompido, uma vez que é óbvio que um conjunto comum de regras já não se liga todos os concorrentes, o vencedor será ressentido, não anunciada.
Que captura o clima da América em 2011. Não pode explicar o movimento Ocupar parede Street, mas ajuda a explicar por que ele se espalhou como fogo e por que tantos americanos parecem instantaneamente a aceitar e apoiá-lo. Como não era verdade, nas últimas décadas, a relação americana com desigualdade de riqueza está em um estado de rápida transformação.
É agora claro que, ao invés de aplicar a lei igualmente para todos, magnatas de Wall Street se envolveram na criminalidade flagrante - atos que destruiu a segurança econômica de milhões de pessoas ao redor do mundo - sem experimentar a menor repercussão legal. Gigantes instituições financeiras foram pego em handedengaging em fraude maciça e sistemática para encerrar em casas das pessoas e da reação da classe política, liderada pela administração Obama, foi para protegê-los das conseqüências significativas. Ao invés de apresentar em condições de igualdade com as regras, através de uma oligarquia, controle-democracia subverter o processo político, que agora controlam o processo de escrever as regras e como elas são aplicadas.
Hoje, é muito óbvio para uma ampla gama de americanos que a riqueza do 1% do topo é o subproduto não de comportamentos de risco empresarial, mas de controle corrompido de nossos sistemas jurídico e político. Graças a esse controle, eles podem escrever leis que não têm nenhum propósito de abolir os limites poucos que ainda restringem-los, como aconteceu durante a orgia desregulamentação de Wall Street dos anos 1990. Eles podem se imunizar retroativamente por crimes que cometeram deliberadamente para o lucro, como aconteceu quando o Congresso 2008 blindado gigantes da nação telecom pelo seu papel no programa de espionagem doméstica de Bush sem mandado.
É igualmente óbvio que eles estão usando esse poder para não levantar os barcos dos americanos comuns, mas para afundá-los. Em suma, os americanos estão agora bem cientes do que o democrata segundo mais alto escalão no Senado, Dick Durbin de Illinois, deixou escapar em 2009 a respeito do corpo em que ele serve: ". Franqueza própria lugar a" dos bancos
Se você tivesse que avaliar o estado da união em 2011, você pode resumir da seguinte forma: ao invés de ser submetida à regra da lei, oligarcas mais poderosos da nação controle da lei e são tão isentos dela, e um número crescente de Os americanos entendem isso e estão indignados. Exatamente o mesmo tempo que as elites do país gozam de imunidade legal, mesmo para crimes hediondos, os americanos comuns estão sendo submetidos a maiores do mundo e um dos mais duros seus estados penal, em que eles são incapazes de garantir assessoria jurídica competente, são duramente punidos com longas penas de prisão, mesmo para infrações trivial.
Em vez de o Estado de direito - a aplicação de regras iguais para todos - o que temos agora é um sistema de justiça em dois níveis em que os poderosos estão imunizadas, enquanto os mais fracos são punidos com inclemência crescente. Como garante de resultados, a lei tem, até agora, foi tão completamente pervertida que é uma arma potente para a desigualdade incomparavelmente entrenching ainda, controlar o poder, e garantindo resultados corrompido.
A maré que era para levantar todos os navios, de fato, deixou números surpreendentes de norte-americanos debaixo d'água. No processo, perdemos qualquer sentido que um conjunto comum de regras se aplica a todos, e assim não há mais uma âncora para legitimar a renda e as desigualdades vasta riqueza que afligem a nação.
Isso é o que mudou, e um crescente reconhecimento do que significa está alimentando a raiva cidadão subindo e protesto. A desigualdade em que tantos sofrem não só é vasto, mas ilegítimo, enraizada como está em ilegalidade e da corrupção. Obscurecer esse fato tem sido o pivô para induzir os americanos a aceitar as desigualdades vasto e crescente. Esse fato é agora demasiado gritante para ocultar por mais tempo.
Glenn Greenwald é um ex-constitucional e civil litigante direitos e um escritor atual de contribuição em Salon.com. Ele é o autor de dois livros best-seller New York Times em poder da administração Bush executivo e abusos de política externa. Seu livro recém-lançado, com liberdade e justiça para alguns: Como a Lei é usado para destruir a Igualdade e Proteger a Poderosa (Metropolitan Books), é uma acusação contundente do sistema dos Estados Unidos de duas camadas de justiça. Ele é o destinatário da I.F. primeiro anual Prêmio de pedra de Jornalismo Independente.
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Fonte: TomDispatch
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