sábado, 15 de outubro de 2011

Sobre o Declínio do Estado...- I

Niccoló Machiavelli, pintura de Santi di Tito [Source: Wikipedia]
Este pequeno texto é apenas um convite à reflexão. Nesta Era da Globalização, em que o Estado se assume como o Fazendeiro e querendo fazer do povo o seu Gado Humano, torna-se premente a Sociedade Civil despertar para o momento histórico dramático que a maioria de nós vivemos, procurando pensar alternativas para a criação de um contra-poder que se oponha ao esmagamento das populações e a sua redução à condição de escravos, de gado humano...

Machiavelli introduziu na teoria política a palavra Estado, lo Stato (1), usando-a repetidamente nos seus escritos, particularmente em O Principe [1]. Porém, o homem que inventou a palavra foi Thomas Hobbes. Se não fosse para organizar as "guerras" contra outros estados da mesma natureza, provavelmente as funções do Estado seriam bem mais limitadas, o Estado teria um papel marginal. Mas com a necessidade de organizar as guerras, o estado desenvolveu a burocracia, os impostos, a saúde e a educação (se não tivesse sido essa a razão, estes últimos dois serviçoes teriam sido criados com outros meios).

Foi por esse motivo que o Banco de Inglaterra foi fundado, com base na necessidade de coletar dinheiro para as guerras que a Bretanha mantinha com Louis XIV. No Sec. XIX, foi a guerra que levou os "Estados" à criação dos impostos, do curso legal (em Inglês "Legal Tender"), da moeda fiduciária (em Inglês "Greenback", moeda criada nos USA durante a Guerra Civil Norte-Americana).
Parece igualmente importante para a formação da estrutura do Estado os factores emocionais. Foi a Revolução Francesa que, ao apelar o povo à "levée en masse" (seguido pelo exemplo de outros estados), que consoldou a ideologia nacionalista no Séc. XIX.

Com a invenção das armas nucleares, constrangimentos dantescos se impõem e os Estados compreendem que uma guerra nuclear poderá, na melhor das hipóteses, conduzir a uma vitória de Pirro de um dos adversários. Em resultado dos esforços desenvolvidos no Projecto Manhattan, os Estados Unidos da América tornaram-se na primeira potência mundial a possuir essa arma terível e a usá-la por duas vezes sobre o Japão, em Hiroshima e Nagasaki (cidade fundada pelos Portugueses e onde ainda hoje aí os Japoneses mostram grande afeição por nós). Após o horror que a máquina de guerra mostra em 1945, uma série de obras vêm a lume tentando agitar as consciências adormecidas (uma inércia que ainda hoje sentimos por toda a parte), sendo a obra de Aldous Huxley "Ape and Essence" uma marco importante [3].

Corpo calcinado pelas altas temperaturas do ar após a explosão nuclear, numa posição que mostra toda a agonia da guerra. Ainda hoje se vê em Nagasáki pessoas que têm problemas de pele e outros devido aos efeitos causados ainda hoje pela explosão nuclear.
A imaginação humana é fértil, a consciência fraca (o Estado actual tem armas poderosíssimas para assim nos manter: a TV e os jornais), e o avanço da electrónica e computarização permitiram a produção dos Multiple Reentry Vehicles (MRV) e os multiple independent reentry vehicles (MIRV), veja aqui como eles funcionam... Ao compreendermos o poder de todo este potencial bélico, forçoso é de concluir que o Estado não pode e não deve justificar a sua existência com o pretexto da defesa do Estado contra ameaças externas (guerras).
Nagasáki após a explosão nuclear. Na reconstrução da cidade houve que depositar cerca de 1-2 metros de areia sobre toda a zona para diminuir o efeito da radioactivade residual, sempre activa.
Mudou-se então a visão do papel do Estado, voltando-o para uma ação interna, sobre a sociedade civil, completamente indefesa. Desenvolveu-se a estatística, os impostos, a polícia e o sistema prisional, a educação compulsória, ao mesmo tempo que enfraquece e erradica todas as instituições que diminuam o seu poder (as cooperativas, associações culturais e regionais, a banca do povo, ...), instituições e modos de vida às quais as populações estavam habituadas. Com a Segunda Guerra Mundial houve um aumento brutal da produção à custa da mobilização das populações e o direcionamento de todos os recursos para o esforço militar.
Mulheres trabalhando numa fábrica de bombardeiros durante a Segunda Guerra Mundial.

Nesta fábrica situada a noroeste de Norhhausen, os alemães construiram
cerca de 10000 ! foguetes V-1 e V-2, tendo lançado cerca de 3000 sobre Londres, Norwich e Antuérpia.
Aqui trabalharam de 1943 a 1945 cerca de 60000 prisioneiros em regime de
escravidão. Crédito imagem: forum.ubi.com
A crise actual das nossas sociedades é semelhante à situação problemática que a Ciência enfrentou na tentativa de esclarecer o movimento dos planetas, em determinar qual o papel central do Sol, em simplificar a complexidade excessiva das órbitas planetárias, o absurdo do sistema Ptolemaico apoiado e defendido com ferro e fogo pela Igreja, mas depois abandonado após muito sangue derramado e a extraordinária luta feita por homens como Giordano Bruno (queimado na fogueira da Inquisição), Galileu Galilei,...[4]. Não foi em vão. Por fim a humanidade adquiriu uma nova visão do universo e do lugar do seu planeta Terra, que outros mundos eram possíveis e que o nosso não passa de apenas um entre uma miríade de outros.

Galileu, julgado pela Inquisição.
A dramática semelhança entre a história da Ciência e a evolução das concepções políticas parece-nos notória. Aliás, a primeira vez que a palavra revolução foi pronunciada, foi na noite de 14 de Julho de 1789, em Paris. Foi quando o Duque de La Rochefoucauld Liancourt, avisou o rei Louis XVI da queda da Bastilha e libertação dos seus prisioneiros e a derrota das tropas reais frente aos populares. O diálogo, famoso, que se seguiu, foi este. O rei exclamou, "É uma revolta!". Liancourt retorquiu, "Não, Senhor, é uma revolução". Esta era a palavra usada então para descrever o movimento cíclico dos planetas, a sua rotação em torno do Sol [5a].

Churchill e Roosevelt compreenderam que o esforço exigido às populações durante o período da Segunda Grande Guerra precisava de ser compensado, e assinaram a Carta do Atlântico onde entre oito outros aspectos, se reconhecia o direito das populações à auto-determinação, liberdade para a cooperação económica e o reconhecimento que os trabalhadores trabalhariam para um mundo livre de contrangimentos e medo.

Hoje em dia é notório o carácter corporativista do Estado, apoderado por políticos corruptos e ao serviço das grandes corporações e sórdidos banqueiros. Herdeiros do Estalinismo e do Nazismo, doutrinas e modus operandi que rapidamente compreenderam servir os seus interesses. Os partidos políticos não têm o carácter democrático que são supostos ter e esta característica que desvirtua o funcionamento das ditas sociedades democráticas (como dizia, na realidade, são sociedades corporativistas) resulta das contradições internas que geram [5b]. Robert Michell, um sociologo Alemão, estudou o funcionamento de partidos socialistas(!!) e observou que existe uma lei de ferro das oligarquias. Ao fim de pouco tempo, somente um pequeno número comanda o partido, ditando as suas leis, enquanto a esmagadora maioria não tem qualquer peso. Michel foi aluno do Max Weber e publicou este estudo em 1911.

O que se compreende cada vez mais claramente é que há que cortar com as limitações impostas pelo "Estado" às famílias e indivíduos, recriando novas bases que favoreçam uma aliança criativa e fecunda entre a democracia industrial e a política. Para contrariar essa via, o "Estado" criou as "carreiras profissionais", na dependência do poder do Estado e do governo (que manobra o aparelho de Estado). As pessoas ficam cada vez mais dependenetes do governo e seus tentáculos, perdendo independência, servindo o "Estado" (isto é, a corporação que ocupou o posto de comando do poder total) como escravos (no Brasil, em certas regiões consta que os pobres camponeses acabam por ficar devedores do patrão...)

Para contrariar esta tendência, estudada e entretida ao milímetro pelos cientistas políticos ao serviço da "Corporação", a Sociedade Civil tem que se opor, começando a construir alternativas que, na verdade já existiram no passado, mas que têm vindo a ser demolidas metodicamente. Desde a Idade Média que cada unidade familiar é uma pequena indústria, que provia o sustento familiar e cuja profissão era passada de pais para filhos. Tal esquema permitia que a vida dessa família se tornasse relativamente independente, podendo-se localizar onde melhor fosse para a indústria e o comércio. Hoje tudo isso é impossível. Os indivíduos são controlados até ao milímetro via progresso tecnológico que na verdade está voltado sobretudo para o domínio do homem. A burocracia exerce o seu poder com uma mão de ferro e informática e os computadores têm que ser mais potentes, passa-se à computação quântica que não virá para aliviar a fome e a dor do homem. Virá para controlar mais rapidamentoe o IRS e a localização do ladrão. "Chama o ladrão, chama o ladrão", esta é a canção do Chico Buarque. Quando se tem a "polícia do Estado" à porta, quem chamamos? Chamo o ladrão. A Internet é algo de extrarodinário, assim como a tecnologia, concerteza. Mas hoje em dia não se compra uma câmara digital só porque precisa-se, compra-se para alimentar uma indústria. Compra-se para alimentar a Sociedade Consumista em que nos tornámos, como se este fosse o Fim da História...

As cooperativas têm um papel fundamental na sociedade civil, pois elas permitem enfrentar em comum problemas de sobrevivência [5]. As cooperativas não devem ser confundidas com o Estado Corporativista, tal como o nosso é, desde o período Salazarista [6].

A estátua de Giordano Bruno erguida
no local onde ele foi executado,
Campo de' Fiori, em Roma.

Bibliografia-
[1] - Ler aqui em Português.
[3] - Aldous Huxley, Ape and Essence (o recente filme the rise of the Planet of the Apes parece-me ser inspirado nesta obra, veja aqui o trailer do filme)
[4] - Este video mostra uma analogia interessante entre o entendimento confuso das gentes medievais e o nosso entendimento actual do papel do Estado. Para reflectir.
[5a] p.38, Hannah Arendt, On Revolution (Penguin Classics)
[5] - Para quem quer fundar uma cooperativa, sugiro a leitura destes livros: Reitse Koopmans, "Iniciar uma cooperativa: iniciativas económicas geridas por agricultores "; Helnom de Oliveira Crúzio, Como organizar e Administrar uma Cooperativa".
[5a] -
[5b] - Robert Michels, Political Parties (descarregue aqui)
[6] - Leia-se, por exemplo, este texto de Thayer Watkins.



Abrãao Zacuto

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

APELO À POPULAÇÃO A BEM DA DIGNIDADE NACIONAL


REPASSO

sem comentar


POR FAVOR LEIAM E VAMOS TODOS COLABORAR A BEM DA DIGNIDADE NACIONAL

(passem a toda a gente)
Como é do conhecimento geral, tem-se agora tornado público as ciclópicas dívidas à Banca Financeira, de certas (quase todas) Empresas Públicas como, p.ex., REFER, TAP, METRO, CARRIS, etç., e isto porque não conseguem mais financiamento.
Estas grandes dívidas estavam no segredo dos deuses. Agora já não podem mais ser escondidas.
Acontece que ao longo dos anos, os Administradores (grandes cérebros) foram recebendo anualmente repugnantes Prémios Milionários pelos 'excelentes desempenhos'.
Está na hora! ... Vai ser agora !
O 'Movimento Geração à Rasca' deverá organizar uma Petição ao Governo para que sejam devolvidos todos os fraudulentos prémios recebidos pelos administradores das Empresas Públicas que acumularam prejuízos ao longo da sua existência, ou pelo menos desde 2000.
TODOS PELA DEVOLUÇÃO DOS PRÉMIOS !!!
Tal como o Teixeira fez à maioria dos pobres Portugueses, mais ou menos incautos (penhorando impiedosamente os seus parcos recursos e lares) agora é a hora de exigir aos Sacadores do Estado a devolução (com ou sem penhora) dos valores sacados.
Caso o Governo não satisfaça esta Petição, deverá ser organizada uma Manifestação Nacional, junto da Assembleia da Republica em dia a determinar.
(passem a toda a gente)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

LIVRO NEGRO DA CLASSE POLÍTICA PORTUGUESA

Caro Pedro Passos Coelho,

Ouvi hoje a 13 de Outubro de 2011 o seu discurso justificando o orçamento mais terrível dos últimos tempos nacionais. Nada que me espantasse. Nós, o "povo", já compreendemos quais são os vossos métodos e procedimentos para sacar o que temos. Colocam uma torneira num ponto do circuito económico e depois é só abrir para vocês e vossos acólitos corporativistas (empresários incompetentes e políticos inúteis que nunca na vida conheceram o trabalho real, nem estudaram em universidades e escolas com rigor e exigência) e fechar para todos os outros, os que trabalham e têm família para sustentar (filhos, pais reformados, dependentes).

Sem vergonha alguma (porque não sabem o que isso é) vêm arengar o velho discurso, "chegámos assim por governações anteriores danosas e todos saiem impunes, mas aí estão vocês para pagar, trabalhadores." Mas como se justifica que haja só déficite nas empresas e no Estado, que não haja lucros em empresa alguma, e que esses lucros não venham contribuir para o alívio do esforço da população que acreditou em vós? Mas vocês não vêm (eu sei que não, falo para os meus leitores...) que a função de um gestor (profissão tão na moda numa época de colapso financeiro, que paradoxo!) deveria ser justamente trazer o pão e o vinho quando apenas há pó e, quando muito, água?...

Se este esforço desmedido se destinase a reequilibrar a economia na sequência de uma catástrofe natural (terramoto, tsunami,...) todos nós compreenderíamos. O seu discurso de 13 de Outubto faria pleno sentido. Mas o que nos pedem é que tiremos o pão da boca dos nossos filhos para cobrir o roubo de uma vil gente que se apoderou do aparelho de Estado. O Pedro Passos Coelho e  Cavaco Silva têm os tribunais, a polícia, o exército e tudo o mais que vos dá o poder do Estado Soberano. Porque não perseguem então implacavelmente quem prevaricou, quem roubou e rouba (sob os vossos e nossos olhos), porque não extinguem de forma dura o que está a mais nas mãos de gente fraudulenta, fundações e institutos vazadores do erário público? Porque não trabalham para esclarecer os casos de polícia que se arrastam sem fim à vista?...Não, o que nos pedem fica para lá de qualquer noção de decência. E outra questão que se coloca é: o que faremos em 2013 quanto a economia portuguesa estiver claramente tísica? O povo português terá que pensar seriamente no futuro, porque vocês e acólitos irão continuar a roubar descaradamente, está-vos no sangue. Se tivesse havido mais Educação neste país, certamente a população teria tido o DISCERNIMENTO para correr convosco (e por isso mesmo preferem desprezar a Educação...)
TODOS NÓS DEVEMOS DIZER NÃO, NÃO DEVEM SER AS FAMÍLIAS TRABALHADORAS A PAGAR UMA CRISE CAUSADA POR UMA ELITE CORRUPTA!

Mas é preciso que nós Sociedade civil não aceitemos mais este discurso narcótico, que mata o pensamento, que nos reduz à mais mísera criatura, incapaz de se conhecer a si própria e de compreeder o mundo. O que é preciso dizer é que estamos assim por causa dos roubos sucessivos e sistemática gestão danosa do bem-público.

A Sociedade Civil naturalmente deveria agir, mas estou em crer que os que pensam assim não são em número suficiente para se aplicarem numa luta que poderia ter por inspiração parcial e inicial a nossa corajosa Islândia.

Como disse o Medina Carreira e muito bem, agora que só nos resta sobreviver à fome e à doença, estando a salvo os políticos, gobernantes e guardiões do regime e acólitos, devíamos lutar para, nos Tribunais, responsabilizarmos quem nos levou a este colapso do nosso país.

Por todos estes motivos e outros que omito por esforço de concisão, caros Pedro Passos Coelho e Cavaco Silva, o esforço que faz anos nos pedem é claramente IMORAL, as justificações que dão são uma mentira sem-vergonha, e todo este complot contra a população deveria ser desmascarado publicamente! Não queremos pagar pelo assalto perpetrado ao aparelho de Estado que ocorre a todo o momento com a vosso assentimento tácito. O vosso papel não é o de deuses do Olimpo, é servir a população que erradamente em vós votou!

Coloco só aqui embaixo elementos suficientes para se compreender que o esforço dantesco que nos é de novo pedido, aqueles que sempre se esforçaram para "ganhar a vida" heoricamente, pois é preciso não olvidar que faz anos que andamos nestes sacrifícios, ao contrários dos outros países em dificuldade, a Grécia, a Espanha e a Itália, por sinal países do sul, frágeis perante o fenómeo da corrupção, TEM COMO RESPONSÁVEIS OS NOSSOS CORRUPTOS GOVERNANTES!

PARA QUE A MEMÓRIA NÃO ESQUEÇA DEIXO AQUI ESTE PEQUENO

MEMORIAL

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Casos não investigados com graves consequências no erário público e ainda não resolvidos:

FREEPORT:
Concessões rodoviárias com ganhos da corporação Mota-Engil: Paulo Campos envolvido.

A A Inspecção Geral de Finanças detectou casos como:

- Entidades de supervisão do sistema financeiro pagaram seguros de saúde a 569 familiares de trabalhadores
- "Graves deficiências" na contratação de consultoras e outros serviços por empresas do Estado
- Ausência de controlo nos negócios de sucatas por empresas do Estado
- Ministério da Justiça não sabe o que paga nem a quem paga
- Auditoria das Finanças detecta pagamento de subsídio de compensação a magistrados já falecidos

Os juízes do Tribunal de Contas queixam-se de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros. A denúncia consta de um relatório de auditoria às parcerias público-privadas rodoviárias, que vai ser aprovado na próxima semana. Um documento que a TVI revela em primeira mão. Leia aqui um texto de um bloguista da Tailândia e o documentário da TVI sobre este escândalo, ainda impune, como é de esperar...
Tomada da Bastilha pelo povo amotinado. Estarão próximos estes tempos?



Rendimento anual bruto de 15 políticos portugueses antes e depois de passarem pelo governo português [FONTE: O jornalista António Sérgio Azenha investigou e analisou os rendimentos de 15 políticos antes e depois de passarem pelo Governo português. O resultado está no livro 'Como os políticos enriquecem em Portugal', da editora Lua de Papel.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/veja-os-rendimentos-de-15-politicos-portugueses-antes-e-depois-de-passarem-pelo-governo-grafico-animado=f680329#ixzz1ahGSkfGb]

Joaquim Pina Moura (antes=22814 euros; depois=697338 euros)
Jorge Coelho (Antes=41223; depois=702758)
Armando Vara (antes=59486; depois=822193)
Manuel Dias Loureiro (Antes=65010; depois=861366)
Fernando Faria de Oliveira (antes=65010; depois=700874)
Fernando Gomes (antes=47901; depois 515000)
António Vitorino (antes=36089; depois=383153)
Luis Parreirão (antes=52212; depois 463434)
José Penedos (antes=112947; depois=728635)
Luis Mira Amaral (antes=64968;depois=414294)
António Mexia (antes=680360;depois=3103448)
António Castro Guerra (antes=43658; depois 210828)
Joaquim Ferreira do Amaral (antes=64968; depois=278258)
Filipe Baptista(antes=74254;depois=192282)
Ascenso Simões (antes=70285; depois=122102)

Para começar,poderíamos calcular o que aqui se desviou do erário público. Concluiríamos que

O QUE NOS É A TODOS PEDIDO É UM ESFORÇO IMORAL, QUE A SOCIEDADE CIVIL DEVIA COMBATER POR TODOS OS MEIOS LEGÍTIMOS !!!

AZ

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É uma tragédia "à" portuguesa, concerteza...

Olhando à minha volta, nos poucos momentos em que, exasperado, olho e escuto os nossos canais de televisão na vã expectativa de algo que valha a pena, vejo um deserto que nem um "Mário Lino" teve a perspicácia de prever. De quando em quando, alguém diz algo que faz sentido, mas... Por exemplo, ainda ontem na TVI ouviu-se o marido da Bárbara Guimarães (nunca me recordo o nome) tocar no ponto fulcral, a da grande negociata histórica da Banca, que, de uma vez por todas, merecia ficar nos Anais da História (e a própria História que se encontra em suspenso...poderá um dia continuar ou ser terminada?) por tanta vileza ser capaz.
Terramoto de Lisboa, este uma tragédia natural. Image credit: http://resobscura.blogspot.com/
Neste deserto moral e espiritual que é o Portugal hodierno, não há movimentos organizados (pacíficos, claros, enquanto a fome não dominar...), não há filósofos iluminados (talvez o José Gil, cujas ideias dizem ter tido impacto em França e nasceu em Muecate, e só por isso respeito), nem políticos verdadeiramente dedicados à causa pública (há quem diga que o Mário Soares foi um deles, mas se levarmos a sério aquilo que se escreveu sobre ele por pessoas que o conheceram sobejamente e se nos determos no que assistimos ao longo das nossas vida...), nem escritores (o Eça não parava de dizer mal da pátria, e com razão; o Fernando Pessoa escreveu um texto sobre o caso mental português mas em vão, o português não tem mesmo juízo; e o Saramago zarpou para o Lanzarote enquanto foi tempo e com isso ganhou o Nobel); nem cientistas autênticos e originais (os que são publicitados pelo Regime, a maioria fez algum trabalho notório, de facto, trabalhando diligentemente mas sob a direção de algum cientista estrangeiro, e depois quando voltam à pátria é notório ao fim de um dado tempo que afinal nada têm na cabeça),...Enfim, poderia continuar a lista, cada um de nós poderia juntar um parágrafo, um livro negro sobre o portugal hodierno. Esquecendo a fase brilhante de Portugal desde o Infante D. Henrique até ao tempo de Colombo, porventura tivemos depois um Van Gogh, um Galois, um Einstein, um Spinoza (fugiram de Portugal e duvido que ele tivesse tido aqui condições para pensar tão alto)?...E não é por Portugal ser pequeno, a Hungria que tem a nossa dimensão teve 18 Prémios Nobeis!!!

Quem me leu até aqui peço encarecidamente que me perdoe, que os meus filhos e meus pais me perdoem, mas a verdade nua e crua é esta:
ESTE PAÍS ESMAGA OS TALENTOS QUE TEM, MATA A CRIATIVIDADE DOS SEUS CIDADÃOS, ESFOLA O DINHEIRO DE QUEM TRABALHA, INCAPACITA OS SEUS CIDADÃOS A PENSAR E ANDAR NESTE MUNDO COM NOBREZA E AUTO-ESTIMA...E A CLASSE VIL QUE TRABALHA PARA DELAPIDAR TODOS OS VALORES DESTA NAÇÃO SAIEM IMPUNES DOS SEUS ACTOS CRIMINOSOS.
Agora apenas temos as directivas da Troica, nem economistas de jeito temos que tivessem tido a capacidade de prever a tragédia económica e social que vivemos. O que se desenha actualmente (e pouco me importa o que se passa na Grécia, pois discutimos aqui o nosso futuro) é semelhante à obsessão dos nossos empreiteiros iletrados cujo idela de modernidade consiste em abater as árvores e ocultar tudo o que lembra a natureza, para construir tudo à volta com betão.

Alguém me sabe dizer se algum dia esta situação trágica se inverterá? Se há ou haverá num futuro próximo espíritos criativos e livres neste Portugal que consigam mudar o curso da "história"? Ou será que esta é uma tragédia "à" portuguesa, concerteza?... AZ

A história das coisas

Annie Leonard é conhecida por ter realizado um filme de animação sobre o ciclo de vida dos bens materiais que sofregamente consumimos. Se não fosse o arrastamento a que nos sujeita esta "sociedade de consumo", melhor estariamos hoje, livres da escravatura que as grandes corporações nos impõem, pondo em causa a própria História...pois já não somos nós, a população deste planeta, que somos os seus autores, apenas material para consumo das gentes mais vis que alguma vez andaram na superfície deste pequeno planeta. Com eles, essa gente vil que nos amordaça e escraviza, fica ditado o FIM DA HISTÓRIA! BRAVO!
AZ

domingo, 9 de outubro de 2011

A Sala nº 6

A novela escrita por Anton Pavlovitch Tchekov e publicada em 1892, a Sala nº 6, (leia aqui em Francês ou aqui em Português, e o trailer do filme) constitui uma reviravolta na sua obra. Tchekov formou-se na faculdade de medicina de Moscovo e esta sua actividade profissional inspirou a sua obra de novelista e dramaturgo, tornando-se Tchekov num exímio analista dos males da sua época e dos seus contemporâneos. Ao longos dos anos, Tchekov foi burilando uma nova estética imbuída de realismo e simbolismo (movimento que procurava ver a vida sem ilusões, focando-se nos seus aspectos sórdidos e deprimentes, tendo Charles Baudelaire como seu máximo representante), movimentos estes que se mostraram muito activos em França com a sua longa tradição cultural. O diálogo entre o Dr. Raguine e Gromov, o doente mental, tem como fim mostrar o mau funcionamento da sociedade (do seu tempo, mas os seus males subsistem, helas!), do seu fracasso e consequente desilusão de um futuro risonho.

Anton Tchekov (esquerda) e Maximo Gorki. Crédito imagem: larouss.fr


Leiam este excerto [tradução minha do texto Francês. AZ]

Gromov- Porque me retém você aqui?
Dr. Raguine - Porque você está doente.
-Sim, estou doente. Mas dezenas, centenas de loucos se passeiam em liberdade porque a sua ignorância é incapaz de os distinguir dos sãos. Porque esses infelizes e eu devemos aqui permanecer fechados em lugar de todos os outros, como bodes expiatórios? Você, o enfermeiro, o gestor, e toda a restante escumalha do hospital, todos vós sois, sob o ponto de vista moral, incomensuravelmente mais vis que qualquer um de nós. Porque somos nós, nós, e não vós? Onde está a lógica?
- Os pontos de vista moral e lógico nada têm a ver aqui. Tudo depende do acaso. Aquele que nós aprisionamos, fica retido, e aquele que não retivemos, passeia-se, é tudo. No fato de que eu sou o médico e você o doente mental, não há nem moral, nem lógica, mas um simples acaso.
[...]
Vincent Van-Gogh, Starry Night over the Rhône.

Nos tempos que correm, este texto faz pleno sentido.
AZ

A Revolução na Islândia continua...- I

Irei aqui periodicamente popularizando o progredir dos fenómenos sociais na Islândia, para que nós outros, os da Língua Portuguesa, não esqueçamos que outros caminhos são possíveis e possamos compreender que, um dia, poderemos conquistar de novo os nossos países, se formos suficientemente esclarecidos.
A revolução da Islândia, que levou o povo a deter o primeiro-ministro responsável pela bancarrota do seu país, é praticamente "esquecida" pelos meios de comunicação social, guardiões dos regimes brutais vigentes.

Começa a surgir, pouco a pouco, uma imprensa independente, novo fenómeno este que representa a capacidade atávica da humanidade para se libertar do jugo da escravidão. Se quiser ter uma pequena ideia do que é a escravidão nos então chamados Estados Confederados da América, veja este pequeno filme. A música era um escape para os negros. Recordo-me de uma frase de Nietzsche: "A Arte, resta-nos a Arte para não morrermos com a verdade." (tradução minha).

A "News-Letter" UTNE é uma iniciativa interessante, o leitor pode subscrever-se se estiver interessado numa visão desalienada da nossa realidade.

Free Press, reform media, transform democracy.

Deixo aqui um texto publicado no jornal online "In These Times, Liberty and Justice for All" (mais uma imprensa livre norte-americana...)
[Perdoem-me os erros que aqui estão, fiz apenas "copy and paste" do Google Translator. AZ]

Free Press Haven
Islândia poderá em breve tornar-se utopia para os jornalistas e editores.POR Samuel Knight

Membros do parlamento islandês ter planos para transformar sua nação em crise do Atlântico Norte em um santuário para as editoras, produtoras e empresas de tecnologia da informação de todo o mundo.
"Seria a imprensa livre do medo", diz Thor Saari, um dos membros do parlamento à frente da proposta, que é conhecido como o islandês Moderna de mídia Initiative (IMMI). Parlamento da Islândia, o Althingi, é esperada para apoiar o esforço.
Para elaborar suas contas, membros do Parlamento (MPs) baseou-se em leis existentes nos Estados Unidos e países europeus. "Nós tentamos encontrar o melhor [leis] em cada país e fundir tudo em uma proposta que o governo vai aprovar a legislação", diz Saari. Um projecto da iniciativa propõe reforço da protecção de denunciantes, garantindo o anonimato das fontes dos jornalistas, liberalizando a liberdade do país de regulamentos, informações e criar primeiro prêmio internacional da Islândia, que honra a liberdade de expressão.
A energia por trás IMMI vem das três MPs que pertencem a um partido de protesto chamado de Movimento e de membros do dirigente social-democrata / Esquerda-Verde coalizão. Eles receberam a ajuda de Julian Assange e Schmitt Daniel, os fundadores do site Wikileaks. Assange e Schmitt se tornaram heróis na Islândia depois de publicar detalhes de empréstimos corporativos emitidos pela Kaupthing, uma falha banco islandês. A televisão estatal foi proibido por uma ordem judicial para revelar a informação devido a leis de sigilo bancário. Ela apareceu em vez disso, Wikileaks.
A oportunidade de propor as mudanças surgiu quando os legisladores islandês decidiu recentemente para trazer as leis do país de mídia até a velocidade com a nova tecnologia. Com um tipo de clima frio para servidores de computador e abundante, a energia de queima limpa geotérmica, a Islândia já é considerado um hospedeiro ideal para data centers de todo o mundo. "'A Suíça de Bits" é o que eles estão chamando nós ", diz Saari.
Os organizadores esperam que IMMI dará jornalistas do mundo inteiro a confiança jurídica necessária para publicar investigações sem ser ameaçado por advogados e políticos. "Os jornais em lugares como a África e países da antiga União Soviética, onde você tem medo de governos opressores, pode apenas mudar as operações para a Islândia, onde não podia ser tocado", diz Saari. "Nós apenas temos que ser mais específico sobre o que constitui o discurso de ódio e difamação."
Mas não é só do Zimbabué e jornalistas bielorrussos que estão sofrendo. Grã-Bretanha é notório por sua provisão de "turismo de difamação." Praticamente nada publicado on-line por qualquer pessoa pode ser contestada em um tribunal britânico, e da ameaça de um processo caro, por si só é suficiente para convencer os jornalistas a cessar e desistir.
Lei de difamação britânica também permite que os juízes de impor ordens secretas da mordaça na mídia, impedindo que os detalhes de uma investigação de ser discutido publicamente. Recentemente, no talk show do proeminente jornalista islandês Egil Helgason, Assange disse que havia 200-300 chamado "superinjunctions" no Reino Unido a partir de finais de Novembro. Um exemplo recente envolveu executivos da British empresa de comércio de petróleo Trafigura, que cobriu-up a eliminação de resíduos tóxicos Abidhan perto, a antiga capital da Costa do Marfim. The Guardian foi criado para publicar provas incontestáveis ​​da conspiração, mas um juiz proibiu de fazê-lo. O superinjunction foi levantada, eventualmente, e Trafigura foi condenada a compensar as vítimas sobreviventes.
Os jornalistas britânicos, diz Saari, tomaram um grande interesse em IMMI. "A BBC enviou dois correspondentes aqui para acompanhar o que estamos fazendo."
Os islandeses não precisa de procurar mais do que o lar de conhecimento dos perigos de negligenciar o jornalismo investigativo. Durante os anos de boom, os banqueiros do país e os investidores envolvidos em shady práticas financeiras que precipitaram a crise atual. Um repórter poderia ter exposto o subterfúgio que permitiu que os bancos para emprestar 10 vezes o PIB do país para financiar aquisições corporativas no exterior, mas jornalistas da imprensa convencional na Islândia foram desinteressado. Eles tinham - e ainda tem - laços estreitos com as elites políticas e financeiras do país.
"O que há para fazer quando o aparelho de mídia inteira não consegue desempenhar as suas tarefas?", Pergunta Saari. "É uma situação bizarra, e os únicos jornalistas que estão tentando fazer alguma coisa são as pessoas que trabalham para a emissora estatal. Mas eles estão sendo demitidos esquerda e direita. "
Saari não está apostando que IMMI - assumindo que é aprovado pelo Althingi - vai se transformar em Reykjavik uma meca de publicação. Em vez disso, ele espera - e acredita - que irá estimular um renascimento do jornalismo. "Se a Islândia foi a promulgar a legislação, ... provavelmente outros países seriam forçados a seguir o exemplo. Se isso dá certo, por que não o público em outros países exigi-lo? "

Sobre este autor
Samuel Knight vive em Washington, DC, onde ele é o editor de eventos para OhMyGov.com