sábado, 10 de setembro de 2011

Movimentos de sedição e governos no exílio

O mundo dos seres humanos não está petrificado. Vivam! Não deixa de impressionar o número de "movimentos de sedição" e governos no exílio, espalhados pelo planeta. Em Portugal temos um movimento fundado por Endobelis Ampilua e Maximiliano Herrera. Afinal, além da língua portuguesa, "nós" temos a língua lusitana...

Deixo-vos aqui o sítio com todos os movimentos conhecidos. Timor era um deles, mas já passou para os países oficialmente reconhecidos. Há aqui muita matéria para pensar, mas certamente que neste país muito poucos serão capazes de compreender o que tudo isto quererá dizer.

Lusitânia quer independência

Um texto sem autor, mas para refletir...Extraído do sítio http://www.mherrera.org/articles/17.htm
Aliás, estas nossas gentes já têm uma wikipedia própria, a leukkipedia! Vejam aqui.

LUSITANIA


Preâmbulo


Em Portugal existem muitas regiões étnico-culturais e povos nativos, mas nenhum deles é reconhecido oficialmente pelos governos ao serviço da oligarquia do Estado português. Portugal é hoje em pleno século XXI, o último país medieval e feudalista da Europa e o único país europeu sem regiões ou províncias oficiais no seu território europeu. Para a elite social (a oligarquia) portuguesa só 3% da população de Portugal e 4% do seu território insular (as ilhas) têm direito à autonomia e à liberdade, o resto da população do país são cidadãos de segunda classe sem direitos de facto. Um dos povos e das nações oprimidas de Portugal são os nativos Lusitanos, povo que vive essencialmente no interior da Lusitânia, ou como os portugueses costumam dizer, na região "centro" ou da "Beira". Mas por favor, não confunda o povo Lusitano com o povo português. Nós lusitanos apesar de termos a cidadania portuguesa não somos portugueses, somos apenas nativos lusitanos, e os portugueses não são lusitanos, são um povo mestiço neo-latino de origem romana e goda, e são estes a base das elites sociais e da oligarquia portuguesa. Os portugueses são menos de 5% da população total do país, enquanto nós lusitanos e os outros povos nativos de Portugal somos mais de 90%. Muitos lusitanos vivem dispersos por todo o Portugal e no estrangeiro, mas o berço dos Lusitanos continua a ser a região interior da Lusitânia (a Beira interior). A Lusitânia compreende 3 províncias históricas e 6 distritos. hoje em dia todo o povo Lusitano fala a língua dos conquistadores portuguêses, o português (dialecto beirão), a reconstruída língua lusitana (Leukantu) é apenas falada por menos de 100 pessoas. A Lusitânia embora não seja reconhecida oficialmente pela República Portuguesa, é um povo em busca desse reconhecimento e de autonomia política. Portugal é um país altamente centralizado, que vive numa bipolarização entre dois partidos corruptos que controlam e atrofiam a democracia portuguesa. O governo ultra-centralista de Lisboa não quer dar autonomia política às regiões nem às províncias portuguesas nem quer partilhar o poder regional com os povos nativos porque tem medo de perder os seus privilégios e negócios. Portugal é também o único país da Europa democrática que não permite a legalização de partidos regionais e locais no seu território. Há alguns partidos e grupos mas nenhum está legalizado, porque a oligarquia central portuguesa não o permite. Muitos grupos nascidos do emergente movimento nacionalista lusitano moderno estão à procura de autonomia para a Lusitânia porque o governo central esqueceu a sua região. Alguns grupos querem mesmo a independência total devido à intransigência do governo português.



Lusitânia

A Lusitânia literalmente significa a terra dos lusos, e é uma nação não independente ou sem o seu próprio Estado, sendo actualmente uma região de facto integrada na República Portuguesa, embora não seja reconhecida oficialmente como tal pelo Estado português que hoje domina, governa e ocupa o seu território. Muito embora os limites fronteiriços da região não estejam na actualidade rigorosamente estabelecidos e aceites pelo Estado português, principalmente as terras lusas do norte a sul do rio Douro e as terras lusas do sul a norte do rio Tejo (província do Ribatejo), a Lusitânia sempre conservou o seu núcleo central (Beira interior) mais ou menos homogéneo, que sempre conservou a base da sua raíz étnica, racial e cultural ao longo de milénios até aos nossos dias. À semelhança de outras nações europeias sem Estado mas reconhecidas oficialmente como regiões ou províncias pelo Estado dos respectivos países, o caso da Lusitânia é o mais grave e mesmo único dentro do panorama europeu. A Lusitânia é uma nação não reconhecida oficialmente como região de facto pelo último Estado feudalista e medieval da Europa, ela só tem equivalência com outros casos fora do continente europeu, que se registam particularmente em países sem tradição democrática, como é o Curdistão por exemplo que é uma nação e um povo não reconhecido pelo Estado turco e pelos governos militaristas da Turquia que dividiram a nação curda por várias províncias e denominam os curdos por turcos das montanhas, ou como o caso do Tibete por exemplo, uma nação hoje sem autonomia ocupada pela China e dividida em várias regiões chinesas e onde o uso do nome Tibete é proíbido pelas autoridades militares, ou também o caso da Cabília na Argélia, uma nação bérbere não reconhecida e dividida pelos militares argelinos em vários departamentos, casos destes não se registam na Europa civilizada à excepção de Portugal, onde a Nação Lusitana também é vítima da mesma política por parte do governo centralista português, mas uma parte da comunidade nativa lusitana consciente da sua verdadeira identidade étnica começou recentemente na Lusitânia a despertar o seu nacionalismo étnico-cultural, de forma a conseguir o seu reconhecimento oficial como nação e povo distinto por parte do país que ocupa hoje o seu território, Portugal.

A Lusitânia é uma da nações sem Estado da Europa, que compreende as províncias históricas da Beira Baixa, da Beira Alta e da Beira Litoral, hoje ela está dividida pelos distritos portugueses de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Ao diassistema étnico-cultural do lusitano também podem ser incluídos algumas terras, populações e territórios vizinhos, que no passado também faziam parte das Terras Lusas ou da Grande Lusitânia, mas que hoje desenvolveram uma identidade própria como é o caso do norte da região portuguesa do Alentejo, do norte da província portuguesa do Ribatejo, das Terras a norte do rio Douro, e do território ocidental da região espanhola da Extremadura.

A Lusitânia é a nação viva mais antiga da Europa, mais antiga mesmo que o país que ocupa o núcleo central do seu território, Portugal. Apesar de a Nação Lusitana não ter tido uma existência contínua, de ter perdido a sua independência há muito tempo e de não ser reconhecida oficialmente como uma região ou entidade administrativa própria pelo Estado que ocupa hoje o seu território, as suas fronteiras permaneceram sempre definidas e o seu povo foi sempre o único a habitar maioritariamente o seu território ao longo de milénios até hoje. Podemos afirmar com toda a segurança que a Nação Lusitana é mesmo uma das mais antigas da Europa e do Mundo, mesmo mais antiga que o País Basco ou Gales, mais antiga do que a Grécia, embora esta última como nação só se tenha afirmado nos tempos modernos porque na antiguidade estava dividida em cidades independentes.

A Lusitânia foi anexada por Portugal ao seu território no século XII, como então pretendia o primeiro rei português, a aristocracia calaico-portucalense e a Igreja de Roma. Depois de 400 anos sob domínio do Império romano, de 300 anos de repressão bárbaro-visigótica e de 300 anos sob dominação semito-muçulmana. Embora neste último período tivesse um certo grau de autonomia limitada, a Lusitânia perdeu de facto a sua independência no I século antes de Cristo após cerca de duzentos anos de lutas e guerras contra as legiões de mercenários romanos. Mas só no ano 16 antes de Cristo, e após a total pacificação e submissão da Lusitânia foi criada oficialmente a Província Romana da Lusitânia, que diga-se de passagem, cujo território não correspondia exactamente ao da Lusitânia étnica de então.
A Lusitânia é uma região com uma área mínima central de 27.000 km² dividida por seis distritos portugueses e uma população de cerca de 2.500.000 habitantes, muitos mais lusitanos vivem distribuídos em sua maior parte por outras regiões de Portugal. Seu nome provém do povo que habita a região, ou seja, os lusitanos, que são hoje a segunda mais numerosa etnia sem Estado da Europa. Os lusitanos são o povo nativo da região e não os portugueses, os lusitanos, um dos povos mais antigos da Europa, não são étnicos portugueses são sim étnicos nativos lusitanos, embora sejam obrigados a ter a cidadania portuguesa, só o povo mestiço neolatino português é étnico lusitano e portanto não nativo lusitano. São 2.500.000 lusitanos a viverem na região e mais 4 milhões de pessoas a viverem noutras regiões de Portugal e no estrangeiro, hoje na sua maioria os lusitanos são cristãos católicos que vivem em pequenos núcleos populacionais da nação lusitana, e falam na quase totalidade o idioma oficial português. Embora hoje haja um crescente interesse por parte do povo nativo Lusitano em aprender a antiga língua Lusitana reconstruída e em conhecer os cultos da antiga religião nativa. A capital histórica é Oxthrakai (Vila Velha de Ródão). Suas maiores cidades são Verurio (Viseu), Aeminio (Coimbra), Lankiobriga (Guarda), Leukastru (Castelo Branco), Alavario (Aveiro), Collipo (Leiria) e Tritio (Covilhã).
A Lusitânia geograficamente ocupa todo o centro de Portugal, costuma-se dizer que a Lusitânia é a coluna vertebral de Portugal. O seu limite a norte tem como fronteira natural o rio Douro e a histórica região da Calécia, nãção também não reconhecida pelo Estado português, a oeste tem o oceano Atlântico, a leste tem os antigos territórios da Lusitânia hoje integrados na região espanhola da Extremadura e a sul tem por fronteira natural o rio Tejo e politicamente a região do Alentejo, do ribatejo e da Estremadura. A Lusitânia possui um relevo acidentado, com o máximo nas montanhas da Beira interior, seu núcleo central, onde está a Serra da Estrela (Haraminia) com 2000 metros de altitude, na fronteira com a parte litoral que é mais suave cheia de rios e bosques. Há muitos vales no interior e planícies na parte sul.
O nome nativo da Lusitânia em língua lusitânica (ou leukantu) é Leukitanea, e significa "comunidade livre ou terra da luz". O nome em língua lusitânica (ou no idioma moderno lusitano) para Terras Lusas é Luirokitanea, que significa a "terra do homem livre", esta última designação refere-se principalmente aos territórios livres da Grande Lusitânia ou da Confederação dos Povos Lusitanos no passado histórico. Como a Lusitânia não é reconhecida oficialmente como uma região autonómica ou como uma entidade administrativa oficial pelo Governo centralista e pelo Estado português, alguns membros nacionalistas da comunidade nativa lusitana preferem o termo Nação Lusitana, ou Treba Leukuir em língua lusitânica, para designar as suas terras da região das Beiras, e em oposição à nação portuguesa.

Portugal visto do céu

Portugal, é um país pequeno e mal gerido desde tempos centenários. Dominado por uma vergonhosa oligarquia política que se auto-reproduz. Mas o território português tem grande beleza e luz (daí os romanos designarem esta região do seu império por Lusitânia). Vejam este pequeno Portugal de helicóptero. Aqui, nesta ligação.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A solução islandesa - Aprendamos com ela!...

A solução islandesa

por Eduardo Lucita [*]
Manifestação pelo referendo. A crise económica global, que se desenvolve desde meados de 2008, continua o seu curso inexorável. Nas últimas semanas assistimos a uma situação sem precedentes, não só pelo facto de os EUA estarem à beira do incumprimento, mas pela combinação desta situação com uma escalada sem precedentes da crise da dívida na zona euro. Jogando no limite das suas possibilidades os líderes europeu e os dos EUA chegaram a acordos preliminares que parece só terem conseguido exacerbar a crise. Uma nova recessão global está sendo anunciada, enquanto a única certeza é que os trabalhadores e os povos continuam a pagar as consequências.

Paralelamente, na Islândia, uma sucessão de acontecimentos políticos desde 2008, impulsionados por fortes mobilizações sociais forçaram a renúncia em bloco do governo e eleições antecipadas, a convocação de dois referendos populares que levaram à votação maciça pelo não pagamento da dívida, e pela ida a tribunal e a prisão temporária de banqueiros e funcionários e a possibilidade de vir a haver uma nova Constituição. No entanto, apenas nas redes alternativas (entre elas Rebelión) e alguns sites (como o CADTM) tem circulado esta informação que, na sua maioria tem sido ignorada pela comunicação tradicional.

Localizada no norte da Europa boreal, a Islândia é uma pequena ilha, rodeada por ilhas e ilhotas ainda menores. Em conjunto, atingem uma área de aproximadamente 103 mil km2 e abrigam 320 mil pessoas. A sua economia dispõe de importantes fontes de energia hidráulica e geotérmica, mas depende muito da indústria de pesca, que corresponde a 40 por cento das suas receitas e emprega sete por cento da força de trabalho.

Na década de 80 o governo – sob pressão da onda thatcherista – lançou a privatização da pesca: impôs quotas para as capturas e fez milionários alguns pescadores. Em paralelo, juntou-se à política da "oferta", típica da "Reaganomics", baixando impostos e desregulamentando mercados, ao mesmo tempo que começou a difundir a política de privatizações. Como se algo estivesse faltando, Milton Friedman visitou repetidamente Reykjavik, a capital.

Apesar deste avanço neoliberal, o país continuou a apresentar indicadores significativos. O estado garantia – sob um regime de bem-estar – cuidados de saúde universais e ensino superior gratuito aos seus habitantes. A esperança de vida estava entre as mais altas do mundo e a taxa de desemprego era insignificante, não chegando a dois por cento. O governo investiu em energia verde e em novas tecnologias, e em 2007 foi o primeiro no Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Nações Unidas), bem à frente de países como os Estados Unidos, França e Reino Unido. Em 2009 foi descrito pela Organização das Nações Unidas como o terceiro país mais desenvolvido do mundo, sendo colocado o seu PIB per capita entre os dez melhores.

Primeira expressão da crise

No entanto, a partir de 2003, o ano em que se concretiza a privatização de três dos principais bancos (Kaupthing, Glitnir e, especialmente, Ice-save), o país entra plenamente nos fluxos financeiros internacionais. Tanto a banca como os banqueiros começaram uma corrida desenfreada para expandir as suas actividades dentro e fora do país. Foi impulsionada uma política de endividamento e começou a incubar-se uma crise que explodiu em 2008. Esta crise é considerada a primeira expressão da crise global que hoje desestabiliza os centros económicos e financeiros do mundo.

Tudo começou quando, após a privatização dos bancos, o governo promoveu uma política de "casa própria", que os bancos apoiaram com empréstimos hipotecários de fácil acesso e cujas taxas estavam ligadas à evolução dos preços, mas não aos salários. Ao mesmo tempo, o consumo foi incentivado com empréstimos de curto prazo. Quando em 2008 o défice comercial forçou à desvalorização da moeda nacional em 50 por cento, a inflação disparou e as taxas (hipotecárias ou de créditos comuns) ficaram impagáveis.

Para financiar todo esse festival creditício os bancos foram adquirindo fundos do mercado mundial, especialmente na Grã-Bretanha e Holanda. No momento da explosão, a dívida da banca superava em mais de dez vezes o PIB nacional. Resultado: mais de um terço da população agora está sobre-endividada; 13 mil casas foram confiscadas e dezenas de milhares de famílias entraram na pobreza.

Para o senso comum tudo isto só foi possível graças à conspiração fraudulenta de banqueiros, empresários e políticos. Para alguns analistas, isto processou-se através de um grupo de não mais de trinta pessoas. No entanto, mesmo que este grupo tenha sido o instrumento de uma determinada política não pode esconder que o que aconteceu na Islândia é parte da crise mundial, que como sempre nas grandes conjunturas explode pelo lado financeiro, mas as suas raízes estão na economia produtiva.

No entanto, a resistência da população deste pequeno país rompeu com a política do "possível" e tem feito progressos significativos. A sequência destes eventos é bastante significativa:

– Em 2009, protestos e manifestações de rua, incluindo "panelaços", rejeitaram o plano de ajustamento do FMI, provocaram a demissão do governo e obrigaram a convocar eleições antecipadas. O novo governo tentou impor por lei uma reestruturação da dívida, que totaliza 3.500 milhões de euros, o que significa que cada família iria pagar 100 euros por mês durante 15 anos.

– Em 2010, a população, de novo nas ruas, recusou esta lei; o então presidente decide não ratificá-la e convoca um referendo popular. Noventa e três por cento dos eleitores disse "não ao pagamento da dívida ". Em paralelo desenrola-se uma investigação sobre as responsabilidades na crise, que conclui com vários banqueiros e funcionários processados e presos, embora libertados de imediato, enquanto outros fugiram do país. Um dos banqueiros está ainda sendo procurado pela Interpol.

– Em 2011, um novo referendo ratificou o "não pagamento", por 60 por cento dos votos.

Reforma constitucional

Em numerosas ocasiões, a sociedade islandesa propoz-se substituir a Constituição em vigor desde 1944, uma cópia da dinamarquesa, que apenas mudou "rei" para "presidente". A actual crise financeira estimulou esta necessidade e abriu o debate político, pelo que o Parlamento decidiu criar a Assembleia Constituinte, para a qual foram eleitos por voto popular 25 representantes (10 mulheres e 15 homens), entre os 522 com mais de 18 anos que se apresentaram. No entanto, antes de começarem as deliberações, a eleição foi invalidada pelo Supremo Tribunal por vícios processuais. A Assembleia foi, então, transformada em Conselho Constitucional, composto pelas mesmas pessoas antes eleitas, que começaram a realizar reuniões no início de Abril em três grupos, e que deviam apresentar as suas propostas nos fins de Julho passado (até ao momento não se dispõe de nenhuma informação sobre se isto se concretizou).

As reuniões têm sido públicas – todas as quintas-feiras o Conselho reúne-se e discute, numa transmissão ao vivo na web. Os islandeses podem consultar e propor semanalmente novos artigos e alterações para inclusão na Constituição, e dar opinião sobre os mesmos. Desempenham aqui um papel decisivo as redes sociais (Facebook, Twitter e Flickr), enquanto que no Youtube são publicadas regularmente entrevistas com cada um dos 25 membros do Conselho, no que a cultura popular tem chamado de "Democracia 2.0 ".

O sistema de aprovação final não está claramente determinado. Supõe-se que o grupo de redacção levará ao Conselho o projecto consensual da nova Constituição e se ele aprovar, passa finalmente ao Parlamento. No entanto, esse processo ainda não está claro e esta indefinição tem levado a surgirem vozes de alerta, prevendo que "... os políticos vão querer revê-la antes do referendo", pelo que clamam para que "... as pessoas possam votar o que escreveram , antes que os políticos metam a mão, considerando que daqui vai sair um novo sistema com o qual queremos, entre outras coisas, erradicar a corrupção".

Para além do resultado final deste confronto, a Islândia mostra que é possível pensar em soluções alternativas, que não é necessário salvar os bancos como um passo para quaisquer outras medidas. Que é possível romper com o "possibilismo" que o cerco neoliberal impõe e fazer com que não sejam os do costume a pagar os custos. Que há um outro caminho que envolve decisões não só económicas, mas fundamentalmente políticas e democrática. A Islândia é uma excepção, uma singularidade, uma raridade, não só por deixar falir os seus bancos, perseguir os seus banqueiros e funcionários ou decidir emendar a Constituição, mas pela forma democrática e participativa com que essas realizações se tornam possíveis
[*] Membro do grupo EDI (Economistas de Izquierda)

O original encontra-se em www.diarioreddigital.cl/... . Tradução de Guilherme Coelho.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Contribuições portuguesas para a civilização

Entristece-me o esquecimento da nossa história. Assim, perdemos a consciência de quem somos, e a ideia clara para onde talvez um dia possamos todos partir enquanto povo singular e pequena nação...

Neste caminho pleno de escolhos que todos nós temos pela frente, com os nossos pais e avós e crianças em nosso redor, primeiro proponho-vos uma catárse...um choque colectivo, vendo uma série de extractos de filmes, programas, e séries televisivas, onde os portugueses são retratados, para seu bem ou para sua mágoa !?...

http://youtu.be/_sOR_JWmiG0

Com que sentimento ficou?...bom, há muito fundamento no que é dito sobre nós, e também há muita ignorância naquilo que dizem de nós...
Com este sentimento no coração decidi-me a deixar algumas notas cruciais, para que as usemos sempre que o esquecimento de quem somos se apoderar de nós. Não é minha intenção alimentar egos, pois é sabido que o português também é fanfarrão, na sua ignorância. E os vídeos acima citados são um espelho disso mesmo, o karma que herdámos de tanta estupidez nacional.

Qual a contribuição dos portugueses para o progresso da humanidade? Aqui irei registando, ao longo do tempo, aquilo que sei e aprendo:

- Inventaram a caravela em 1410 tornando possível a navegação global. Colombo "descobriu" a América com três caravelas. Henrique, o Navegador (ou o Infante Dom Henrique, duque de Viseu) condenava à morte os carpinteiros das caravelas que revelassem os segredos da construção da caravela. Com a sua determinação conseguiu lançar Portugal numa epopeia ímpar [Comentário: terá sido decisivo o facto de ser filho de uma princesa inglesa, Dona Filipa de Lencastre? ]
- Foi Pedro Nunes que inventou o nónio, instrumento de precisão, precursos do vernier. Quem usa um paquímetro, usa um legado de um extraordinário matemático e inventor português.
- Nunes descobriu, entre muitas outras coisas, uma curva de importância fundamental em navegação e matemática em espaços não-euclideanos: a loxodrómia. É a trajectória mais simples (não a mais curta) entre dois locais próximos do nosso planeta esférico.
- Navegadores portugueses inventaram a vela latina e a possibilidade de navegar à bolina (contra o vento).
- Introduziram armas no Japão, rompendo com o ciclo constante de guerras entre senhores da guerra japoneses, abrindo o Japão ao desenvolvimento e permitindo tornar-se uma das maiores potências económicas mundiais. Os japoneses têm um especial carinho por nós. Em qualquer lado do Japão podemos levantar dinheiro das ATM em língua portuguesa (devido ao grande número de japoneses que emigraram para o Brasil).
- Técnicas de culinária no Japão, a "tempura". O leque enorme de palavras que se encontram no dicionário japonês de origem portuguesa. A pastelaria japonesa tem semelhanças com a nossa, em particular o Pão de Ló (que ali se chama "Castero").
- Os judeus foram expulsos de Portugal com a Inquisição (na verdade ainda não formalmente declarada extinta pelo Vaticano) mas foram os fundadores do primeiro banco do mundo, o Banco de Inglaterra. [Em minha opinião foi o maior erro cometido pelo nossos governantes desse tempo...] Leiam esta palestra dada por Manuel Luciano da Silva na Roger William Univeristy, Bristol, Rhode Island. Vale a pena.
- Foram os Franceses que ofereceram aos USA a famosa Estátua da Liberdade. Na sua base, numa place de bronze, encontra-se um poema da autoria de uma judia portuguesa, Emma Lazarus, sobrinha de Benjamin Cardozo,  advogado americano e associado ao Supreme Court Justice com contribuições importantíssimas para o desenvolvimento da lei nos USA. Esse poema aqui está:
 
Not like the brazen giant of Greek fame
With conquering limbs astride from land to land;
Here at our sea-washed, sunset gates shall stand
A mighty woman with a torch, whose flame
Is the imprisoned lightning, and her name
Mother of Exiles.  From her beacon-hand
Glows world-wide welcome; her mild eyes command
The air-bridged harbor that twin cities frame, "Keep, ancient lands, your storied pomp!" cries she
With silent lips. "Give me your tired, your poor,
Your huddled masses yearning to breathe free,
The wretched refuse of your teeming shore,
Send these, the homeless, tempest-tossed to me,
I lift my lamp beside the golden door!"

by Emma Lazarus, New York City, 1883

- Jacob Rodrigues Pereira, um "cristão-novo", um dos inventores da linguagem gestual para mudos.
- Os seus sobrinhos, irmão Pereire, foram grandes banqueiros franceses que finaciaram a construção da primeira linha férrea em França e foram fundadores da Societé Générale du Crédit Mobilier.
- Uma princesa portuguesa lançou a tradição do chá das 5 no Reino Unido. Foi Catarina de Bragança.

[Continuarei proximamente]

Abrãao Zacuto

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Informações diversas sobre Portugal

Para conhecer Portugal e a sua história...

Como estamos ainda em época de férias estivais, aqui vos deixo algumas ligações a
antigos postais de localidades de Portugal (de agora e outrora)

Conheça também Lisboa debaixo do solo clicando nas ligações embaixo indicadas:

8) O Aqueduto das Aguas Livres
http://www.youtube.com/watch?v=fr2Et9XIvkI&NR=1
9) O Nucleo Arqueológico da Rua dos Correeiros
http://www.youtube.com/watch?v=9XGps3kHVfE&feature=related
12) Os Moinhos de Vento
http://www.youtube.com/watch?v=PtDw4vK-qkI&feature=related

MUSEUS E MONUMENTOS NACIONAIS

Links directos
Mosteiro dos Jerónimos – Lisboa
http://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=75047666-4597-4a28-ae77-9b7567c4732b
Convento de Cristo - Tomar
http://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=82e66d80-439e-4f29-bc9b-576e98efee57
Mosteiro da Batalhahttp://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=42bb5d98-e786-4f02-bb5f-2aa349af28dd
Mosteiro de Alcobaçahttp://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=c26617b5-acd3-422e-998f-5bd163a99efc
Links indirectos
Depois de entrar na pagina click em visita virtual

Fortaleza de Sagres
http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Monumentos/Pages/Fortaleza_Sagres.aspx
Mosteiro Santa Clara Velha - Coimbrahttp://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Monumentos/Pages/Mosteiro_Santa_Clara_Velha.aspx
Mosteiro de São Martinho Tibães - Bragahttp://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Monumentos/Pages/Mosteiro_Sao_Martinho_Tibaes.aspx
Museu Grão Vasco - Viseu
http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Museus/Pages/M_Grao_Vasco.aspx
Museu Nacional do Azulejo - Lisboahttp://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Museus/Pages/M_Nacional_Azulejo.aspx
Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboahttp://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Museus/Pages/M_nacional_arte_antiga.aspx
Palácio Nacional da Ajuda - Lisboahttp://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Palacios/Pages/PN_Ajuda.aspx
Museu Soares dos Reis - Porto
http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Museus/Pages/M_Soares_Reis.aspx
Palácio Nacional de Mafrahttp://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Palacios/Pages/PN_Mafra.aspx
Palácio Nacional de Queluzhttp://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Palacios/Pages/PN_Queluz.aspx
Palácio Nacional de Sintrahttp://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Palacios/Pages/PN_Sintra.aspx
Torre de Belém - Lisboa
http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Monumentos/Pages/Torre_Belem.aspx

Bravo Partido (Nacional)-Socialista Português !

É difícil acreditar num partido que protagonizou o pior momento da vida nacional após o 25 de Abril. E toda a sua história desde o 25 de Abril. Dito isto, não quero ilibar nenhum outro, como se pode compreender. Não foi apenas José Sócrates, o "demolidor", que deverá ser responsabilizado pelo desmoronamento do que pouco que havia sobrevivido à "revolução dos cravos": uma nova mentalidade, mecanismos de protecção social, valorização do trabalho, do ensino e saúde, esforço colectivo de aproximação com outros povos (não me refiro à cartilha comunista, é preciso bom senso, todos sabemos por exemplo que a nossa relação com o Brasil ou os PALOP não é a mais inteligente e digna). Tudo isto demoliu, e também protagonizou a mais violenta perseguição política depois de Salazar.

É toda a cúpula do partido que o permitiu (e todos nós sabemos quem foram os responsáveis morais), os apoios que recebeu dos grandes empresários nacionais, que manifestamente não estão minimamente preocupados com o que possa acontecer ao país e ao sofrimento que atinge duramente o seu próprio povo. Se duvidam do que vos digo, procurem certificarem-se por própria iniciativa. Por exemplo, pedindo apoios às fundações privadas que neste país existem (vivendo à custa do Estado) ou a grandes empresas com o fito de financiar alguma iniciativa de manifesta importância social (a menos que você seja algum amigalhaço dos mesmos e que por seu intermédio alguma vantagem no negócio eles possam obter)...Talvez com sorte recebam alguma resposta, negativa pela certa.

Agora em França, as grandes fortunas pedem ao governo forma de serem taxados...Aqui, apresentam-se inúmeras dificuldades, dão-se despudoradas justificações como se todos fossemos mentecaptos...Só esta situação revela a mentalidade que existe no país e assustadoramente alerta-nos para o futuro,  demolindo qualquer ilusão. Confesso que hoje vivo na dúvida sobre qual o conselho a dar aos jovens: se os devo aconselhar a lutar, ou se a partirem de vez para longe... Apesar deste blogue...que ainda persiste em ser o meu campo de luta.

Agora na oposição, no dia-a-dia, o P(N)S volta às nossas casas através do canal de controlo estatal (todos eles descobriram que a TV é a mais extraordinária invenção da física com maior interesse em política). O partido regressa com o discurso do justiceiro, e sem vergonha alguma na cara, como se não tivesse responsabilidade no que acontece neste país desde o governo de Guterres (embora em minha opinião aquele que mais sensibilidade social mostrou), na desgraça que está aí para ficar (quanto tempo?). Esquecem que a crise não começou com a tróica, não, todos sabemos que ela está aí há pelo menos 6-8 anos. E é assim que se governa este país. Bravo P(N)S! Gostaria de vos dizer que irei registando aqui os vossos memoráveis momentos da nova época.

Abrão Zacuto.