domingo, 14 de agosto de 2011

Instabilidade social no Reino Unido

O que se viu há dias atrás não é mais do que o reflexo da estrutura social inglesa e a perigosa vertente da globalização económica, que prefere os lucros ao progresso da sociedade. Os jovens tornam-se independentes mais cedo do que em Portugal, mas pressupõem ir ao encontro do mercado de trabalho que está seriamente abalado, a não ser que as pessoas se conformem a trabalhar (quase) de borla. Tempos fantásticos estes! nem o George Orwell com o seu texto Animal Farm poderia imaginar podermos chegar a este ponto!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sobre a agricultura e a indústria em Portugal

Dei recentemente uma pequena volta pela Espanha e impressionou-me a abundância de pequenas e médias indústrias, a forma sistemática e metódica de cultivo das terras (apesar da secura de toda a região de Espanha que visitei, Estremadura, Castela e Andaluzia). Quando entrei em Portugal, por Ayamonte, subindo depois pela A2 em direção ao norte, já de noite, foi penoso constatar a escuridão quase permanente que acompanhou a viagem, entrecortada por luzes raras de algumas habitações, só voltando a ser notória a presença humana a partir das cercanias de Setúbal em diante. Estas observações mostram por si só a existência de um desequilíbrio fundamental na gestão do território português, praticamente com o interior desocupado. 

A ausência de uma agricultura firme em Portugal é seguramente uma das razões, se não mesmo a principal, do actual sub-desenvolvimento do nosso país. Sabe-se que o actual estado da agricultura em Portugal se deve a normas comunitárias, pensadas para redesenhar o espectro geopolítico europeu. Não é resultado de decisões inocentes. As grandes civilizações estão associadas a eras de progresso na agricultura e às civilizações prímevas da Mesopotâmia, Indus, Vale do Nilo, Azteca e Inca, e mais perto de nós, as civilizações Grega e Romana.

Ora a agricultura é o sustentáculo de qualquer nação, pois que antes de tudo há que alimentar os seus habitantes. O cultivo da terra exige a fixação das pessoas, no mínimo durante o período da gestação até à colheita, que pode durar meses (no mínimo 90 dias). Durante esse período o homem procura ocupar o seu tempo e é natural que comece a tratar de animais, a colher o seu leite e alimentar e cuidar dos animais recém-nascidos, mantendo estes bem alimentados e entretidos. Para que toda esta actividade se mantenha é necessário construir habitações, estábulos, armazéns, colocar cercas, instalações eléctricas, e hidráulicas, etc. Com o tempo, é fácil compreender que é inevitável o estabelecimento de uma rede mercantil, com alguns construindo casas para outros, trocando materiais e serviços, fabricando móveis e utensílios, mantendo empregos tais como baby-sitters, etc. Esta rede constitui o substrato sobre o qual uma nação se sustém. Não é necessário grandes investimentos, basta uma terra por cultivar. O Estado pode ter um papel importante, por exemplo, financiando ou distribuindo terras que estão em sua posse desocupadas, cedendo-as para cultivo, estimulando a ocupação do território. Pouco mais do que isso. O Estado, como discutirei num artigo próximo, hoje em dia é em muitos aspectos redundante, sendo hoje evidente de que foi apoderado por forças oligárquicas a um nível global. A Bélgica sobrevive faz um ano sem governo... e não se sente falta dele. Aliás, as agências de rating pouco afectaram a sua situação económica.

Está provado que o crescimento dos sectores (regressei à antiga ortografia...) secundário (produtos industriais) e terciário (serviços) dependem do "excesso agrícola", isto é, do excesso de produção de alimentos sobre o consumo dos mesmos pelos seus produtores, aspecto este destacado por Adam Smith, tendo mostrado que a emergência de uma agricultura progressiva esteve na base da revolução industrial. O governo deveria ter um cuidado especial, definindo políticas que favoreçam a emergência de uma agricultura familiar, estudando as formas de implementação de uma agricultura em larga escala, que beneficiará apenas alguns. A industrialização rural ocorre rapidamente quando se estabelece uma agricultura de pequena-escala, que cria oportunidades para a emergência de empresas rurais na área do comércio, indústria e serviços. A agricultura estabelece efeitos retroactivos, tais como a produção de fertilizantes e outros produtos, entre os quais sementes de alta qualidade. Estabelece também ligações para o nível de marketing e processamento de produtos agrícolas, transportes, reparações de materiais agrícolas, consumos de bens duráveis (rádios, televisões, bicicletas, relógios, ...) Por sua vez, a agricultura de larga-escala, promove a industrialização urbana.

Apesar de toda a envolvente técnica, a via agrícola é a mais segura para nos tirar da pobreza, em particular os que mais foram afectados pela governação socialista (!) do JS e dos sicários da "globalização" e que possam dedicar-se a essa actividade. O governo devia ponderar seriamente uma política agrícola para Portugal, sem se deixar submeter aos ditames da Alemanha e Bruxelas, pois falta claramente neste país ideais a alimentar. Um deles é seguramente a autenticidade!

[Abrãao Zacuto]

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Advogados e Deputados (I)


Autor: A. Marinho e Pinto, no JN, vide link.]

      Sempre que defendo a incompatibilidade entre a função (soberana) de deputado e a actividade (privada) de advogado, logo surgem a atacar-me advogados que não querem alterar a situação existente, nem sequer que se fale nisso publicamente. José Miguel Júdice, Manuel Magalhães Silva e, mais recentemente, Paulo Rangel, são alguns dos que mais se destacaram nesses ataques. Todos têm em comum o facto de repetirem, quais discos riscados, os mesmos epítetos (simplista, "populista" e "demagógico"), mas também a circunstância de serem sócios de grandes escritórios de Lisboa que, obviamente, têm muito interesse em terem advogados deputados na Assembleia da República (AR).
É inadmissível que numa República democrática haja titulares de um órgão de soberania, como é o Parlamento, que ao mesmo tempo representem profissionalmente entidades privadas interessadas no conteúdo das leis elaboradas nesse órgão. É de meridiana evidência que quem participa na elaboração de leis na AR não deve participar na sua aplicação nos tribunais, patrocinando partes interessadas nessas leis. Não se pode confiar nas leis de um Parlamento cujos deputados têm clientes privados interessados nessas leis. Essa mistura degrada os princípios republicanos.
O sentido normativo de muitos diplomas legais é, muitas vezes, determinado mais pelo concreto interesse privado que se defende (às ocultas) do que pelo interesse público próprio de uma lei geral e abstracta. Há leis que são feitas à medida de certos interesses privados que ninguém identifica durante o processo legislativo, excepto, naturalmente, o deputado que patrocina, como advogado, esses interesses. Algumas leis vestem, como um fato à medida, em certos clientes de certos deputados.
O que se passou com as leis de amnistia chegou, em alguns casos, a constituir uma verdadeira ignomínia sobre o Parlamento, dada a forma como alguns deputados beneficiaram os seus clientes. Houve reduções de penas a crimes de pedofilia, em detrimento de outros bem menos graves e chegou-se mesmo ao ponto de a versão de uma dessas leis publicada no "Diário da República" ser diferente da versão publicada no "Diário da AR" por ter sido alterada à socapa já depois de aprovada em plenário.
Outro dos escândalos tem a ver com as prescrições, havendo centenas ou milhares de processos que prescreveram nas últimas décadas, devido, sobretudo, a alterações legislativas que favoreceram os clientes de vários deputados/advogados, mas que lançaram o caos nos tribunais.
Mas, o que se passa com as leis fiscais é o exemplo mais elucidativo dessa promiscuidade de haver pessoas a defender simultaneamente interesses públicos e privados incompatíveis entre si. Há milhares de milhões de euros em processos fiscais acumulados nos tribunais porque as leis fiscais tornaram-se num denso e confuso emaranhado normativo, cheio de alçapões só identificados por quem os concebeu. O resultado está à vista: o Estado não consegue cobrar impostos a quem os impugna judicialmente, pelo que o seu pagamento vai passar a ser negociado através de arbitragens em que o devedor pode nomear um dos juízes (árbitros). É a legalização da fuga (parcial) aos impostos para os grandes contribuintes, mas é também um convite ao alargamento da corrupção. Todos vão sair a ganhar, excepto, obviamente, o Estado que sairá sempre a perder.
A acumulação de funções públicas com actividades privadas gera um mundo à parte que propicia e dissimula os negócios em torno do Estado, dos seus órgãos centrais, regionais e locais, dos seus institutos e empresas, etc.. Muitas dezenas de políticos acumula(ra)m funções públicas (nomeadamente deputados) com actividades privadas (principalmente de advocacia). Entre eles, destacam-se António Almeida Santos (uma espécie de patriarca do mundo dos negócios público-privados), Manuel Dias Loureiro, Domingos Duarte Lima, Ricardo Rodrigues, Guilherme Silva, Vera Jardim e Paulo Rangel, entre muitos outros. Este último, que tanto tem berrado publicamente contra o PS, nunca teve divergências políticas com o dirigente socialista António Vitorino na grande sociedade de advogados de Lisboa de que ambos são sócios. Aí nunca sentiu qualquer claustrofobia democrática. Pelo contrário, parece que ambos se sentem lá muito bem oxigenados.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bill Gates, Paul Allen e o Altair 8800

[É muito interessante ver como se desenvolvem as ideias que posteriormente conduzem a produto físico final. Foi assim que começou a era do computador pessoal...]
FONTE: http://www.wired.com/gadgetlab/tag/popular-electronics/



terça-feira, 19 de julho de 2011

As cegonhas também amam...

FONTE: Agência de Notícias de Direitos dos Animais [vd link]

Em como temos muito que aprender com os animais...

As cegonhas que fazem ninho na Croácia todos os anos, fazem um longo caminho de 13 mil quilóimetros da África do Sul pelo vale do Nilo
Por Danielle Bohnen (da Redação)
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Malena e Rodan, uma linda história de amor. Foto: Divulgação/EFE
Uma amada ferida pelos disparos de um malvado, Um galã apaixonado que cruza meio planeta para visitá-la todos os anos, apesar de todas as dificuldades. A história parece mais um roteiro de filme de romance, mas é a realidade da vida de um casal de cegonhas na Croácia.
A cada primavera, o país se emociona com a chegada do macho Rodan que volta da África ao país balcânico para encontrar sua amada Malena, que não pode voar devido às sequelas de um tiro d qual foi vítima há 18 anos.
O casal de aves oferece este ano, um espetáculo de alegria, já que em seu ninho, há quatro filhotes recém-nascidos, enquanto os demais estão por sair de seus ovos, segundo informou a imprensa local.
Malena foi encontrada ferida, em 1993, em um campo perto de Slavonski Brod, uma cidade de 200 km a leste de Zagreb, com a asa ferida por tiros dados por um caçador italiano.
Stipe Vokic, porteiro de uma escola primária, cuidou da ave, conseguiu curá-la e fez um ninho no telhado da escola para ela.
Faz nove anos que Rodan se apaixonou por Malena, que não pode acompanhar seu amado na viagem até à África, pois apresenta sequelas do ferimento que a impedem de voar para a rota migratória que faz as aves de sua espécie todos os anos.
Durante o inverno, Vokic cuida e alimenta Malena, mas todas as primaveras, quando Rodan regressa, ele mesmo trata de cuidar da companheira. Ele leva-lhe comida fresca, arruma o ninho e alimenta os filhotes.
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Foto: Divulgação/EFE
"É uma relação terna, da qual se pode fazer um filme de amor", comenta Vokic ao jornalVecernji list.
Em Julho, Rodan ensinará aos seis filhotes a voar e, em meados de agosto, voarão juntos até África.
"A cada ano, me parte o coração quando chega a hora de partirem. Rodan chama Malena, para que vá com ele, mas ela não pode. Até hoje, já criaram 35 filhotes", diz Vikic.
Esta primavera, a imprensa croata publicou a triste notícia de que Rodan não estava de volta e, certamente, alguma coisa ocorreu na África, mas para a alegria de todos, apareceu de repente, apesar de mais cansado do que nunca.
As cegonhas que fazem seus ninhos na Croácia todos os anos, realizam uma longa viagem de 13 mil quilômetros pelo Vale do Nilo até à África do Sul, caminho onde encontram muito perigos e penúrias.
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Foto: Divulgação/EFE

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Para compreender a crise económica (e a associada falta de ética)...

É muito claro que a actual crise económica reflete sobretudo a ausência de ética ao nível do mundo financeiro e dos governos, que ficaram seus sicários...Deixo aqui algumas ligações internet a lições curtas mas muito esclarecedoras, para que possamos compreender a crise do mundo actual, preparando-nos assim para nos livrarmos dos seus agentes.
Lição 1: World collapse explained in 3 minutes
Lição 2: Worst economic collapse ever

sexta-feira, 15 de julho de 2011

José António Saraiva revela-se !...

Este artigo de opinião de José António Saraiva atinge o limite da indecência. Imperdoável, a não ser que JAS esteja confuso sobre quem é quem, porque só numa classe económica nuito elevada se poderia seguir as suas muito sábias sugestões...Caro José A. Saraiva, francamente, conviva mais com o povo, e não só com os seus requintados amigos, medite um pouco mais sobre o poder da escrita, repare que quem o lê não são apenas alguns leitores, mas largos milhares, senão milhões, que todos os dias contam os tostões para os legumes, peixe, talvez carne pão e fruta. Se, por desgraça, algum gestor ou governante, procurando abrilhantar uma "carreira", o lê, é bem capaz de "querer impôr" que todos nós vivamos com metade do que temos. Não que acredito que tal façanha seja impossível, bem antes pelo contrário, mas num país onde o governo (não o confundamos com o Estado) exista para garantir a justiça e o desenvolvimento social, económico, cultural. Para lamento meu, continuamos longe dessa justa situação. Porque, se o governo se propõe privatizar rapidamente empresas estatais tão importantes (TAP, EDP,águas,...) é porque sabiamente e com rapidez quererá baixar os "impostos em sede de IRS" para todos nós, pois segundo logicamente me parece, não teremos mais que sustentar estas empresas. Logo não teremos que tanto desembolsar...