quinta-feira, 28 de julho de 2011

Advogados e Deputados (I)


Autor: A. Marinho e Pinto, no JN, vide link.]

      Sempre que defendo a incompatibilidade entre a função (soberana) de deputado e a actividade (privada) de advogado, logo surgem a atacar-me advogados que não querem alterar a situação existente, nem sequer que se fale nisso publicamente. José Miguel Júdice, Manuel Magalhães Silva e, mais recentemente, Paulo Rangel, são alguns dos que mais se destacaram nesses ataques. Todos têm em comum o facto de repetirem, quais discos riscados, os mesmos epítetos (simplista, "populista" e "demagógico"), mas também a circunstância de serem sócios de grandes escritórios de Lisboa que, obviamente, têm muito interesse em terem advogados deputados na Assembleia da República (AR).
É inadmissível que numa República democrática haja titulares de um órgão de soberania, como é o Parlamento, que ao mesmo tempo representem profissionalmente entidades privadas interessadas no conteúdo das leis elaboradas nesse órgão. É de meridiana evidência que quem participa na elaboração de leis na AR não deve participar na sua aplicação nos tribunais, patrocinando partes interessadas nessas leis. Não se pode confiar nas leis de um Parlamento cujos deputados têm clientes privados interessados nessas leis. Essa mistura degrada os princípios republicanos.
O sentido normativo de muitos diplomas legais é, muitas vezes, determinado mais pelo concreto interesse privado que se defende (às ocultas) do que pelo interesse público próprio de uma lei geral e abstracta. Há leis que são feitas à medida de certos interesses privados que ninguém identifica durante o processo legislativo, excepto, naturalmente, o deputado que patrocina, como advogado, esses interesses. Algumas leis vestem, como um fato à medida, em certos clientes de certos deputados.
O que se passou com as leis de amnistia chegou, em alguns casos, a constituir uma verdadeira ignomínia sobre o Parlamento, dada a forma como alguns deputados beneficiaram os seus clientes. Houve reduções de penas a crimes de pedofilia, em detrimento de outros bem menos graves e chegou-se mesmo ao ponto de a versão de uma dessas leis publicada no "Diário da República" ser diferente da versão publicada no "Diário da AR" por ter sido alterada à socapa já depois de aprovada em plenário.
Outro dos escândalos tem a ver com as prescrições, havendo centenas ou milhares de processos que prescreveram nas últimas décadas, devido, sobretudo, a alterações legislativas que favoreceram os clientes de vários deputados/advogados, mas que lançaram o caos nos tribunais.
Mas, o que se passa com as leis fiscais é o exemplo mais elucidativo dessa promiscuidade de haver pessoas a defender simultaneamente interesses públicos e privados incompatíveis entre si. Há milhares de milhões de euros em processos fiscais acumulados nos tribunais porque as leis fiscais tornaram-se num denso e confuso emaranhado normativo, cheio de alçapões só identificados por quem os concebeu. O resultado está à vista: o Estado não consegue cobrar impostos a quem os impugna judicialmente, pelo que o seu pagamento vai passar a ser negociado através de arbitragens em que o devedor pode nomear um dos juízes (árbitros). É a legalização da fuga (parcial) aos impostos para os grandes contribuintes, mas é também um convite ao alargamento da corrupção. Todos vão sair a ganhar, excepto, obviamente, o Estado que sairá sempre a perder.
A acumulação de funções públicas com actividades privadas gera um mundo à parte que propicia e dissimula os negócios em torno do Estado, dos seus órgãos centrais, regionais e locais, dos seus institutos e empresas, etc.. Muitas dezenas de políticos acumula(ra)m funções públicas (nomeadamente deputados) com actividades privadas (principalmente de advocacia). Entre eles, destacam-se António Almeida Santos (uma espécie de patriarca do mundo dos negócios público-privados), Manuel Dias Loureiro, Domingos Duarte Lima, Ricardo Rodrigues, Guilherme Silva, Vera Jardim e Paulo Rangel, entre muitos outros. Este último, que tanto tem berrado publicamente contra o PS, nunca teve divergências políticas com o dirigente socialista António Vitorino na grande sociedade de advogados de Lisboa de que ambos são sócios. Aí nunca sentiu qualquer claustrofobia democrática. Pelo contrário, parece que ambos se sentem lá muito bem oxigenados.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bill Gates, Paul Allen e o Altair 8800

[É muito interessante ver como se desenvolvem as ideias que posteriormente conduzem a produto físico final. Foi assim que começou a era do computador pessoal...]
FONTE: http://www.wired.com/gadgetlab/tag/popular-electronics/



terça-feira, 19 de julho de 2011

As cegonhas também amam...

FONTE: Agência de Notícias de Direitos dos Animais [vd link]

Em como temos muito que aprender com os animais...

As cegonhas que fazem ninho na Croácia todos os anos, fazem um longo caminho de 13 mil quilóimetros da África do Sul pelo vale do Nilo
Por Danielle Bohnen (da Redação)
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Malena e Rodan, uma linda história de amor. Foto: Divulgação/EFE
Uma amada ferida pelos disparos de um malvado, Um galã apaixonado que cruza meio planeta para visitá-la todos os anos, apesar de todas as dificuldades. A história parece mais um roteiro de filme de romance, mas é a realidade da vida de um casal de cegonhas na Croácia.
A cada primavera, o país se emociona com a chegada do macho Rodan que volta da África ao país balcânico para encontrar sua amada Malena, que não pode voar devido às sequelas de um tiro d qual foi vítima há 18 anos.
O casal de aves oferece este ano, um espetáculo de alegria, já que em seu ninho, há quatro filhotes recém-nascidos, enquanto os demais estão por sair de seus ovos, segundo informou a imprensa local.
Malena foi encontrada ferida, em 1993, em um campo perto de Slavonski Brod, uma cidade de 200 km a leste de Zagreb, com a asa ferida por tiros dados por um caçador italiano.
Stipe Vokic, porteiro de uma escola primária, cuidou da ave, conseguiu curá-la e fez um ninho no telhado da escola para ela.
Faz nove anos que Rodan se apaixonou por Malena, que não pode acompanhar seu amado na viagem até à África, pois apresenta sequelas do ferimento que a impedem de voar para a rota migratória que faz as aves de sua espécie todos os anos.
Durante o inverno, Vokic cuida e alimenta Malena, mas todas as primaveras, quando Rodan regressa, ele mesmo trata de cuidar da companheira. Ele leva-lhe comida fresca, arruma o ninho e alimenta os filhotes.
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Foto: Divulgação/EFE
"É uma relação terna, da qual se pode fazer um filme de amor", comenta Vokic ao jornalVecernji list.
Em Julho, Rodan ensinará aos seis filhotes a voar e, em meados de agosto, voarão juntos até África.
"A cada ano, me parte o coração quando chega a hora de partirem. Rodan chama Malena, para que vá com ele, mas ela não pode. Até hoje, já criaram 35 filhotes", diz Vikic.
Esta primavera, a imprensa croata publicou a triste notícia de que Rodan não estava de volta e, certamente, alguma coisa ocorreu na África, mas para a alegria de todos, apareceu de repente, apesar de mais cansado do que nunca.
As cegonhas que fazem seus ninhos na Croácia todos os anos, realizam uma longa viagem de 13 mil quilômetros pelo Vale do Nilo até à África do Sul, caminho onde encontram muito perigos e penúrias.
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Foto: Divulgação/EFE

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Para compreender a crise económica (e a associada falta de ética)...

É muito claro que a actual crise económica reflete sobretudo a ausência de ética ao nível do mundo financeiro e dos governos, que ficaram seus sicários...Deixo aqui algumas ligações internet a lições curtas mas muito esclarecedoras, para que possamos compreender a crise do mundo actual, preparando-nos assim para nos livrarmos dos seus agentes.
Lição 1: World collapse explained in 3 minutes
Lição 2: Worst economic collapse ever

sexta-feira, 15 de julho de 2011

José António Saraiva revela-se !...

Este artigo de opinião de José António Saraiva atinge o limite da indecência. Imperdoável, a não ser que JAS esteja confuso sobre quem é quem, porque só numa classe económica nuito elevada se poderia seguir as suas muito sábias sugestões...Caro José A. Saraiva, francamente, conviva mais com o povo, e não só com os seus requintados amigos, medite um pouco mais sobre o poder da escrita, repare que quem o lê não são apenas alguns leitores, mas largos milhares, senão milhões, que todos os dias contam os tostões para os legumes, peixe, talvez carne pão e fruta. Se, por desgraça, algum gestor ou governante, procurando abrilhantar uma "carreira", o lê, é bem capaz de "querer impôr" que todos nós vivamos com metade do que temos. Não que acredito que tal façanha seja impossível, bem antes pelo contrário, mas num país onde o governo (não o confundamos com o Estado) exista para garantir a justiça e o desenvolvimento social, económico, cultural. Para lamento meu, continuamos longe dessa justa situação. Porque, se o governo se propõe privatizar rapidamente empresas estatais tão importantes (TAP, EDP,águas,...) é porque sabiamente e com rapidez quererá baixar os "impostos em sede de IRS" para todos nós, pois segundo logicamente me parece, não teremos mais que sustentar estas empresas. Logo não teremos que tanto desembolsar...

Governos ao serviço de grandes corporações: a luta começou na Europa e Médio Oriente

Nesta entrevista John Perkins confessa tudo o que sabe e aprendeu para ser um "Sicário Económico". Vejam atentamente, pois desvenda os mecanismos que o Império teceu para transformar-nos a todos em escravos. Segundo Perkins, a conscienciaização desse processo está avançada na Europa e Médio Oriente, e a luta já aí terá começado para impedir tanta loucura.

Tao Te King para Gestores

Na verdade a nova classe de gestores ou os seus paladinos, faltando-lhes o sentido da realidade, estando neles ausente qualquer sentido de profundidade, deveriam ler e compreender o que foi escrito ao longo dos milénios. Lao Tse (que significa em Chinês velho Mestre) terá escrito o Tao Te King (o Livro da Via e da Virtude) em cerca do ano VI a.C, e é considerada a mais antiga obra de cunho filosófico escrita na China. Mao Zedong destruiu grande parte desta sabedoria que permeava o tecido social chinês, e as consequências das aventuras revolucionárias encetadas por ele começam a estar à vista (vide artigo publicado neste Blog), embora concerteza houvesse que lutar pela dignidade do povo chinês. Este aspecto é nuclear: como modificar as condições de vida de um povo sem passar pela roleta russa das ditas revoluções? É que numa revolução todo o tipo de chico-espertismo leva ao poder toda a espécie de bandidagem, defraudando-se o espírito da própria revolução e nós sabemos do que falamos, pois passámos pela "Revolução dos Cravos" e sem saber como estamos, transportados por uma insidiosa Time-Machine encontramo-nos de novo em finais de 1939...
Pois o que Lao Tse diz, e deve servir de conselho para os gestores (que para nossa infelicidade nada intuiem dos pérfidos desígnios de forças superiores) é o seguinte:

"Poderá a tua alma abarcar a unidade
 sem nunca se desprender
Poderás concentrar a tua respiração
até chegares à leveza de um recém-nascido?
Poderás purificar a tua visão original
até a tornar imaculada?
Poderás amar o povo e governar o estado pelo não-agir?

Poderás abrir e fechar os celestes batentes
desempenhando o papel feminino?
Poderás tudo ver e tudo conhecer
sem usar a inteligência?

Produzir e fazer crescer,
produzir sem se apropriar,
agir sem nada esperar,
guiar sem constranger,
é a virtude suprema."

Poderemos esperar isto do Estado, governantes e gestores?

[Esta é a tradução do Chinês publicada pela Editorial Estampa, 1989]