segunda-feira, 30 de maio de 2011

Crónica de Urbano Tavares Rodrigues


URBANO TAVARES RODRIGUES

Pertenço a uma geração que se tornou adulta durante a II Guerra Mundial. Acompanhei com espanto e angústia a evolução lenta da tragédia que durante quase seis anos desabou sobre a humanidade. Desde a capitulação de Munique, ainda adolescente, tive dificuldade em entender porque não travavam a França e a Inglaterra o III Reich alemão. Pressentia que a corrida para o abismo não era uma inevitabilidade. Podia ser detida. Em Maio de 1945, quando o último tiro foi disparado e a bandeira soviética içada sobre as ruínas do Reichstag, em Berlim, formulei como milhões de jovens em todo o mundo a pergunta «Como foi possível?» Hitler suicidara-se uma semana antes. Naqueles dias sentíamos o peso de um absurdo para o

qual ninguém tinha resposta. Como pudera um povode velha cultura, o alemão, que tanto contribuíra para o progresso dahumanidade, permitir passivamente que um aventureiro aloucado exercesse durante 13 anos um poder absoluto. A razão não encontrava explicação para esse absurdo que precipitou a humanidade numa guerra apocalíptica (50 milhões de mortos) que destruiu a Alemanha e cobriu de escombros a Europa? Muitos leitores ficarão chocados a por evocar, a propósito da crise portuguesa, o que se passou na Alemanha a partir dos anos 30. Quero esclarecer que não me passa sequer pela cabeça estabelecer paralelos entre o Reich hitleriano e o Portugal agredido por Sócrates. Qualquer analogia seria absurda. São outros o contexto histórico, os cenários, a dimensão das personagens e os efeitos. Mas hoje também em Portugal se justifica a pergunta «Como foi possível?» Sim. Que estranho conjunto de circunstâncias conduziu o País ao desastre que o atinge? Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o Pais perante o Mundo? O descalabro ético socrático justifica outra pergunta: como pode um Partido que se chama Socialista (embora seja neoliberal) ter desde o início apoiado maciçamente com servilismo, por vezes com entusiasmo, e continuar a apoiar, o desgoverno e despautérios do seu líder, o cidadão Primeiro-ministro? Portugal caiu num pântano e não há resposta satisfatória para a permanência no poder do homem que insiste em apresentar um panorama triunfalista da política reaccionária responsável pela transformação acelerada do país numa sociedade parasita, super endividada, queconsome muito mais do que produz. Pode muita gente concluir que exagero ao atribuir tanta responsabilidade pelo desastre a um indivíduo. Isso porque Sócrates é, afinal, um instrumento do grande capital que o colocou à frente do Executivo e do imperialismo que o tem apoiado. Mas não creio neste caso empolar o factor subjectivo. Não conheço precedente na nossa História para a cadeia de escândalos maiúsculos em que surge envolvido o actual Primeiro-ministro. Ela é tão alarmante que os primeiros, desde o mistério do seu diploma de engenheiro, obtido numa universidade fantasmática (já encerrada), aparecem já como coisa banal quando comparados com os mais recentes.

O último é nestes dias tema de manchetes na Comunicação Social e já dele se fala além fronteiras. É afinal um escândalo velho, que o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador-geral da República tentaram abafar, mas que retomou actualidade quando um semanário divulgou excertos de escutas do caso Face Oculta. Alguns despachos do procurador de Aveiro e do juiz de instrução criminal do Tribunal da mesma comarca com transcrições de conversas telefónicas valem por uma demolidora peça acusatória reveladora da vocação liberticida do governo de Sócrates para amordaçar a Comunicação Social. Desta vez o Primeiro-ministro ficou exposto sem defesa. As vozes de gente sua articulando projectos de controlo de uma emissora de televisão e de afastamento de jornalistas incómodos estão gravadas. Não há desmentidos que possam apagar a conspiração. Um mar de lama escorre dessas conversas, envolvendo o Primeiro-ministro. A agressiva tentativa de defesa deste afunda-o mais no pântano. Impossibilitado de negar os factos, qualifica de «infame» a divulgação daquilo a que chama «conversas privadas». Basta recordar que todas as gravações dos diálogos telefónicos de Sócrates com o banqueiro Vara, seu ex-ministro foram mandadas destruir por decisão (lamentável) do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para se ter a certeza de que seriam muitíssimo mais comprometedoras para ele do que as «conversas privadas» que tanto o indignam agora, divulgadas aliás dias depois de, num restaurante, ter defendido, em amena «conversa» com dois ministros seus, a necessidade de silenciar o jornalista Mário Crespo da SIC Noticias. Não é apenas por serem indesmentíveis os factos que este escândalo difere dos anteriores que colocaram José Sócrates no banco dos réus do Tribunal da opinião pública. Desta vez a hipótese da sua demissão é levantada em editoriais de diários que o apoiaram nos primeiros anos e personalidades políticas de múltiplos quadrantes afirmam sem rodeios que não tem mais condições para exercer o cargo. O cidadão José Sócrates tem mentido repetidamente ao País, com desfaçatez e arrogância, exibindo não apenas a sua incompetência e mediocridade, mas, o que é mais grave, uma debilidade de carácter incompatível com a chefia do Executivo. Repito: como pode tal criatura permanecer como Primeiro-ministro? Até quando, Sócrates, teremos de te suportar? "Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o País perante o Mundo?"

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Carta ao grande povo Alemão


Meu caro povo Alemão,

Compreendo que a Sra. Merkel tenha procurado tranquilizar a vossa preocupação com o destino dado ao pecúlio esforçadamente ganho por todos vós. A ideia geral que os povos do norte da Europa têm sobre os povos do Sul não é, porém, justa. Reconhecemos certamente que algo falhou na nossa evolução enquanto povo, enquanto país (ou melhor, reconhecemos hoje, como uma "espécie de país"). Pagamos assim ingloriamente o termo-nos permitido ser governados por gente canalha, sem preparação para governar, sem esse propósito sequer (ó, se assim fosse...).

Acreditem que queremos reconquistar a nossa dignidade, mas para tal conseguirmos descomunais obstáculos se interpõem no nosso caminho: teremos que conceber um novo sistema político; depurar os instrumentos de poder da gente incapaz que lá está por compadrio, incompetente e maldosa. É quanto basta para mudar Portugal.

Para que acreditem na sinceridade do que aqui vos digo, convido-vos, grande povo alemão, a trocarmos de postos de trabalho durante (apenas) um mês. Vocês vêm para cá, ocupam as nossos lugares, sob a orientação das nossas chefias, dos nossos “líderes”. E nós fazemos o mesmo, indo trabalhar durante esse mês de provação, sob o olhar atento dos vossos “chefes”. Nós, Portugueses, sentiremos uma alívio enorme longe de gente sem carácter nem formação. E vocês, quando comentarem sobre Portugal, certamente melhor nos compreenderão, conhecerão as raízes do mal.

Durante esse mês poderão tentar conhecer os nossos "chefes", os nossos “líderes”, o que eles pensam da vida, o respeito que nutrem pelas pessoas (nenhum, não sabem o que isso é), o respeito que mostram ter pelo trabalho (e sem dificuldade compreenderão porque querem eles serem chefes...), qual a sua preparação profissional (incompetência generalizada), a sua arrogância (escondendo conscientemente com essa atitude toda a sua fraude), como são organizados os concursos para admissão de pessoal e para progressão na carreira (uma vergonha criminosa), ou a recompensa que dão a quem se esforça (não matam com um tiro, são mais sofisticados, simplesmente deixam apodrecer quem não pertence à “pandilha”). E o que fazem aos talentos? Aos génios que poderiam erguer este pobre país? Só para vos dar alguns exemplos chocantes: 1) Bento de Moura Portugal, segundo um dos vossos grandes cientistas, o cientista alemão Osterrieder, que escreveu textualmente:

... "depois do grande Newton em Inglaterra, só Bento de Moura em Portugal.!"

Pois “apodreceu” na prisão porque os nossos “líderes” não suportavam a inveja que sentiam por ele. 2) o nosso grande poeta, Luis Vaz de Camões, termina a ode a este pequeno grande país com a palavra "inveja." Morreu na miséria; 3) Fernando Pessoa, morreu de cirrose hepática relativamente novo, publicou em vida apenas dois livros, a obra desconhecida até há relativamente pouco tempo. As últimas palavras que escreveu foram em Inglês «I know not what future will bring...» (O que isto quererá dizer?...)

Com a crise de 1383 o país entendeu que “navegar é preciso", e debandámos pelo mundo fora, pois a fome era tanta...Foram os Descobrimentos.

Por todos estes factos históricos e alguma sofrida reflexão, acredito que o governo deste país se mostre incapaz num dado momento de resolver a profunda e trágica crise. Porque vejam bem, o dinheiro que aí vem da colecta feita no vossos país, do FMI, etc, irá directo para os bolsos sujos dos nossos corruptos. Eles continuam aí, à frente dos ministérios, das grandes empresas, controlam a comunicação social, usam os nossos impostos para se sustentarem e reduzirem à miséria um povo por demais sofrido.  Nada mudou nem mudará sem a grande mudança que este pequeno Portugal tanto necessita. Se procurarmos seguir um raciocínio lógico, como poderemos acreditar em mudança, que esta crise não fica por aí, eternamente, tal como existe há pelo menos 300 anos. Temos que nos livrar desta corrupta sacanagem que tanta vileza tem trazido. E só do estrangeiro nos poderá vir essa salvação moral...Talvez aí nos possam (verdadeiramente) ajudar.

E não, não julguem que só na Sicília é que há a Máfia organizada. Em Portugal a Máfia tem uma sofisticação tal que nem dela se chega a falar na comunicação social. Este país é dirigido por máfias organizadas faz alguns séculos. A Revolução dos Cravos apenas agravou o fenómeno. Este conclave da Europa é gerido por um pequeno grupo de famílias, organizado numa pirâmide que chega até às pequenas tribos familiares, que fazem o trabalho mais sujo, aparecem nos jornais, são ocasionalmente difamados por processos de corrupção que não são resolvidos, ficando todos, no final e depois de um bruto desgaste do erário público, numa impunidade total. Para cúmulo, este conclave tem sido dirigido por um partido que se proclama Partido Socialista, um exemplo vivo de autêntica usurpação de ideais, se é que eles sabem o que é um ideal. Vocês compreenderão facilmente este fenómeno, pois também tiveram um partido nacional-socialista, que tanta desgraça vos trouxe (embora ocasionalmente se ouçam algumas almas perdidas saudarem Heil Hitler, acreditando que esse ideal tenha sucumbido em 1945...basta reflectir um pouco para nos darmos conta que não, que ele foi apenas apoderado por outras mãos).

Por hoje é tudo.

Deste vosso grande admirador,

Abrão Zacuto

O trágico legado dos socialistas em Portugal

Legado do PS, José Sócrates e do Socialismo... um modelo de Governo criminoso para Portugal...


...e meditem nestes FACTOS:


1 - Pior dívida pública dos últimos 160 anos (mesmo não incluindo PPPs e empresas públicas).

2 - Pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (duplicou em 6 anos)

3 - Maior dívida externa dos últimos 120 anos

4 - Dívida externa bruta em 1995 de 40% do PIB

5 - Dívida externa bruta em 2010 de 230% do PIB

6 - Dívida externa líquida em 1995 de 10% do PIB

7 - Dívida externa líquida em 2010 de 110% do PIB

8 - DÍVIDA PÚBLICA em 2005 = 82.000.000.000€

9 - DÍVIDA PÚBLICA em 2010 = 170.000.000.000€

10 - Últimos 10 anos = 3º país do mundo com PIOR CRESCIMENTO ECONÓMICO (atrás do Haiti e Itália)

11 - Últimos 10 anos = 4º país do mundo com MAIOR CONTRACÇÃO de DÍVIDA.

12 - Actualmente no 4º lugar do TOP dos PAÍSES DO MUNDO EM RISCO de BANCARROTA

13 - Em 2011 só PORTUGAL, Grécia e Costa do Marfim estarão em recessão no MUNDO

14 - Em 2012 só PORTUGAL estará em recessão no MUNDO.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Eduardo Catroga defende a mobilidade total

Eduardo Catroga defende a mobilidade total. Um professor de Setúbal pode ser convidado a trabalhar nas Finanças no Porto.
Como o compreendo. Um homem habituado à mobilidade como ele, quer a solidariedade dos outros.
Vejamos: Eduardo Catroga tão depressa é presidente do Grupo Sapec (uma empresa que tem como maior accionista o grupo Luso Hispanic Investement, patrioticamente sediado no Luxemburgo); como vai a correr para vogal do Conselho de Administração da Nutrinveste (Compal, Frize, Nicola, Fula, Clarim, etc etc); acelera como membro do Conselho Geral e de Supervisão da EDP (percebem agora de onde veio a peregrina ideia de privatizar a Rede Eléctrica Nacional?) e ainda derrapa mas não cai na qualidade de membro não-executivo do Conselho de Administração do Banco Finantia (nunca ouviram falar? e na Sofinloc, sua subsidiária, especialista no crédito para que o povo tenha um carro novo? e na Sofinloc IFIC, o segundo maior agente de seguros em Portugal? e nas Ilhas Caimão onde o Finantia tem uma delegação para desviar mais uns milhões ao pagamento de impostos?). Nos momentos de ócio ainda recentemente encabeçou a lista vencedora nas eleições para o Conselho Leonino.
Tudo isto se compreende num homem que aufere uma reforma de 9693 euros, classe média, portanto.
Sigamos pois não o cherne mas o exemplo de quem ainda negoceia tudo e menos alguma coisa em nome do PSD, e é o candidato natural a ministro das Finanças num governo do Grupo Mello, cargo que já ocupou nos idos de Cavaco Silva, tendo sido o primeiro a colocar a dívida pública acima dos 60% do PIB. Isto é que é um político de primeira, carago.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Poema de agradecimento à corja

               *Poema de agradecimento à corja **

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada. ***

*Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.
*
*Joaquim Pessoa*
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*Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 1948.
Iniciou a sua carreira no Suplemento Literário Juvenil do Diário de Lisboa.
O primeiro livro de Joaquim Pessoa foi editado em 1975 e, até hoje, publicou
mais de vinte obras incluindo duas antologias. Foram lhe atribuídos os
prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de
Estado da Cultura (Prémio de Poesia de 1981), o Prémio de Literatura António
Nobre e o Prémio Cidade de Almada.
Poeta, publicitário e pintor, é uma das vozes mais destacadas da poesia
portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um "renovador" nesta área.
O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras, e segundo David
Mourão Ferreira, é um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente de
capazes de comunicar com um vasto público.
Bibliografia: "O Pássaro no Espelho", "A Morte Absoluta", "Poemas de
Perfil", "Amor Combate", "Canções de Ex cravo e Malviver", "Português
Suave", "Os Olhos de Isa", "Os Dias da Serpente", "O Livro da Noite", "O
Amor Infinito", "Fly", "Sonetos Perversos", "Os Herdeiros do Vento",
"Caderno de Exorcismos", "Peixe Náufrago", "Mas.", "Por Outras Palavras", "À
Mesa do Amor", "Vou me Embora de Mim".*