segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Regina Brett, aos 90 anos

    Façam favor de ser felizes. Só revela inteligência.
Partilho, então, com os meus amigos e amigas,



ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS.....

Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me
ensinou.
É a coluna mais requisitada que eu já escrevi.
O meu taxímetro chegou aos 90 em Agosto, então aqui está a coluna mais uma
vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiveres em dúvida, apenas dá o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo a odiar alguém.
4. O teu trabalho não vai cuidar de ti quando adoeceres. Os teus pais e
amigos vão. Mantém o contacto.
5. Paga as tuas facturas do cartão de crédito todos os meses.
6. Tu não tens que vencer todos os argumentos. Concorda para discordar.
7. Chora com alguém. É mais curativo do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem se ficares danado com Deus. Ele aguenta.
9. Poupa para a reforma começando com o teu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, a resistência é em vão.
11. Sela a paz com o teu passado para que ele não estrague o teu presente..
12. Está tudo bem se os teus filhos te vêem chorar.
13. Não compares a tua vida com a dos outros. Tu não tens ideia do que se
passa na vida deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, tu não deverias estar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não te preocupes, Deus nunca
pisca.
16. Respira bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Desfaz-te de tudo o que não é útil, bonito e prazenteiro.
18. O que não te mata, realmente torna-te mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só
depende de ti e de mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que tu amas na vida, não aceites NÃO como
resposta.
21. Acende velas, coloca lençóis bonitos, usa lingerie elegante. Não guardes
para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepara-te bastante, depois deixa-te levar pela maré...
23. Sê excêntrico agora, não esperes ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela tua felicidade além de ti.
26. Encara cada "chamado desastre" com estas palavras: Em cinco anos, vai
importar?
27. Escolhe sempre a vida.
28. Perdoa tudo a todos.
29. O que as outras pessoas pensam de ti não é da tua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dá tempo ao tempo.
31. Independentemente se a situação é boa ou má, irá mudar.
32. Não te leves tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredita em milagres.
34. Deus Ama-te por causa de quem Deus é, não pelo o que tu fizeste ou
deixaste de fazer.
35. Não faças auditorias da tua vida. Aparece e faz o melhor dela agora..
36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem.
37. Os teus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa no final é que tu amaste.
39. Vai para a rua o dia todo. Milagres estão à espera em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos os nossos problemas numa pilha e víssemos os dos
outros, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Tu já tens tudo o que precisas.
42. O melhor está para vir.
43. Não importa como tu te sintas, levanta-te, veste-te e aparece.
44. Produz.
45. A vida não vem embrulhada num laço, mas ainda é um presente!!!

A crise do sub-prime

Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana,
segue breve relato económico para leigo entender...
 
 É assim:
O Ti Joaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos
"fiados"aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da
dose do tintol e da branquinha (a diferença é o preço que os pinguços pagam
pelo crédito).
O gerente do banco do Ti Joaquim, um ousado administrador formado em curso
muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui,
afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao
estabelecimento, tendo o "fiado" dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do
banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro
acrónimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e
conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro
inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Joaquim).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com
fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro
para pagar as contas, e a tasca do Ti Joaquim vai à falência. E toda a
cadeia    pifou.
Viu... é muito simples...!!!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Portugal e os cidadãos de primeira

Portugal e os cidadãos de primeira

Por António de Sousa Duarte*

12 de Janeiro de 2011

As mortes de Vítor Alves, capitão de Abril, e do cronista cor-de-rosa
Carlos Castro mostram algumas evidências sobre o país



Separadas por escassas horas, as mortes do coronel Vítor Alves,
"capitão de Abril", e do cronista "cor-de-rosa" Carlos Castro tiveram
o condão de fazer notar uma vez mais algumas evidências sobre Portugal
e os portugueses que nunca será de mais destacar. Na verdade, mesmo
admitindo as macabras circunstâncias em que Castro foi assassinado e
os requintes de malvadez de que foi aparentemente vítima, não parece
normal que tal facto tenha merecido tão esmagadoramente maior espaço
mediático do que o desaparecimento de um dos principais símbolos da
Revolução do 25 de Abril de 1974 e destacado operacional da construção
do processo democrático.

Vítor Alves faleceu domingo, cerca de 36 horas depois da morte, em
Nova Iorque, de um colunista social conhecido por se dedicar há
décadas a analisar os factos da actualidade "cor-de-rosa" nacional.
Considerado em muitas das biografias espontâneas que dele nos últimos
dias chegaram ao nosso conhecimento como "um cidadão de primeira",
Vítor Alves foi um homem probo, sério, rigoroso, sensível que
contribuiu de forma decisiva - antes e depois do dia 25 de Abril de 74
- para o actual regime democrático em Portugal. Vítor Alves, que
integrou, com Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, a comissão
coordenadora e executiva do MFA (Movimento das Forças Armadas), foi o
autor do primeiro comunicado dirigido à população no dia 25 de Abril e
o militar que foi o porta-voz do Movimento. Mas as exéquias mediáticas
de Vítor Alves foram curtas, muito curtas, se levarmos em conta a
importância do seu legado e o impacte informativo que outros factos da
actualidade suscitaram e de que é exemplo, sublinho, a vaga noticiosa
relativa à morte de Carlos Castro.

O país trocou "um cidadão de primeira" por uma "história de segunda",
mas o desiderato é positivo: chancela-se a morte do militar, político,
ministro e conselheiro da Revolução em rodapés a correr e baixos de
página e atribuem-se honras de Estado... mediático ao assassinato do
cronista (não cronista social como alguns lhe chamam, como se Carlos
Castro e Fernão Lopes fossem páginas do mesmo livro...) e às
incidências macrotrágicas em que foi encontrado o seu corpo após
alegada tortura, castração e assassinato. Mas a responsabilidade de
todo este "estado a que - de novo e citando Salgueiro Maia - chegámos"
não é do povo. Porque não é o povo que edita jornais, blocos
noticiosos, telejornais ou sites. Nem é o povo o responsável por
Marcelo Rebelo de Sousa ter dedicado ontem, no Jornal da TVI, mais
tempo de antena à morte de Carlos Castro do que ao desaparecimento de
Vítor Alves.

*Ex-jornalista, consultor de comunicação, doutorando em Ciência Política

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cavaco 'vintage'

Cavaco 'vintage'

por FERNANDA CÂNCIO03 Dezembro 2010
Ficámos esta semana a saber, por intermédio da revista Sábado, que Cavaco teve ficha na PIDE. Não se trata, porém, de uma ficha "de honra", daquelas de que as pessoas se gabam, como em "eu até tive ficha na PIDE", querendo dizer que se incomodaram o suficiente com o regime antidemocrático para atrair a atenção dos seus esbirros. Não, e tanto assim não é que se trata de algo que o actual Presidente preferiu rasurar; algo considerado até, em óbvio lapso freudiano na reacção da sua candidatura à abordagem da Sábado, como "sujo": "Este tipo de guerra suja não pega com o candidato prof. [sic] Cavaco Silva."
Ora se alguma coisa há de verdadeiramente escandaloso na descoberta da Sábado é que é possível alguém ter sido PM entre 1985 e 1995 e PR desde 2006 e ninguém se ter lembrado, até agora, de procurar o seu nome no arquivo da PIDE - o que diz brutalidades sobre a forma como a ditadura foi e é encarada pela democracia, numa espécie de patética elisão, do género "adiante". Já sobre Cavaco, que nos diz a ficha? Que quis ter acesso, para efeitos de investigação académica, a documentos "classificados". Tinha para tal de ser sujeito a aprovação da PIDE, o que implicava responder a um questionário no qual se perguntava sobre "posição e actividades políticas". O jovem Aníbal, então com 28 anos, respondeu: "Estou integrado no actual regime", acrescentando: "Não exerço qualquer actividade política." Nada de extraordinário, aliás tudo muito ordinário. Como ele responderia, se colocada nessa situação, a maioria dos portugueses da época e não teria realmente muito sentido alguém ir de propósito à PIDE para dizer "acho este regime um grande nojo". Cavaco era, pois, na pior das hipóteses, um admirador do regime; na melhor, um sonso: morremos de estupefacção. Claro, dir-se-á, poderia ter-se atido à segunda resposta. Mas quis jogar pelo seguro, aliás ao ponto de não afirmar apoio ao regime e, numa atitude tão nossa conhecida, colocar-se "fora" da política - como se "estar integrado" no regime ditatorial e afirmá- -lo não constituísse uma opção política. É porém no espaço destinado a "observações", portanto opcional, que o actual Presidente melhor se revela: "O sogro casou em segundas núpcias com Maria Mendes Vieira, com quem reside e com quem o declarante não priva."
Para prosseguir os seus intentos - no caso, ler uns documentos quaisquer - Cavaco não hesitou em expor a vida familiar e apontar o dedo à mulher do sogro (à mulher, note-se; não ao sogro), declarando-a infrequentável. O homem que não fazia política a politizar a intimidade: olha se não é o princípio do totalitarismo e da bufaria e ignomínia que ele convoca. Confere.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Lusíadas Reescrito

                   I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!
                          II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!
                        III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.
                        IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!
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E + outro: Um poema da "mente", só/mente!
POEMA da 'MENTE'...

Há um Ministro que mente...
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de modo tão pungente
Que a gente acha que ele mente, sincera/mente.
Mas mente, sobretudo, impune/mente...
Indecente/mente.
E mente tão habitual/mente, tão hábil/mente,
Que acha que, história afora, enquanto mente,
Nos vai enganar eterna/mente.